quinta-feira, 8 de julho de 2010

A minha mais grata homenagem

"Homenagem


[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]

"A anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, publicou um livro sobre as virtudes da escola pública.


Com toda a legitimidade o faz. Ninguém como ela à frente do Ministério da Educação contribuiu mais para dar sentido ao ensino público, reordenando a rede escolar, melhorando as condições físicas e tecnológicas das escolas do ensino básico e secundário, alargando o horário do ensino básico, combatendo o abandono e o insucesso escolar, reforçando a acção social escolar, introduzindo a avaliação das escolas e dos professores, conferindo mais autonomia e responsabilidade às escolas, universalizando o ensino pré-escolar e o ensino secundário, apostando no ensino profissional.


Enfrentando com coragem e determinação todas as resistências corporativas e oposições políticas, Maria de Lurdes Rodrigues foi simplesmente a melhor dos ministros da Educação desde o 25 de Abril."
 
Este é um texto , como leram,  de Vital Moreira ao qual me associo a 100%.
 
Conheci a ex-ministro ( o cargo em português diz-se ministro !) Lurdes Rodrigues num restaurante do Porto na véspera duma manifestação em Lisboa que, diz-se, teve 200 mil professores. Era qualquer coisa que eu já imaginava que pudesse acontecer porque a generalidade dos professores portugueses tem a maneira de ser de quem não conseguiu um curso técnico ( onde se entra com notas bem mais altas e se tem gosto no que se vai fazer, para além de se poder antecipar ganhar mais dinheiro de forma honrada - o que é legítimo ), e "só deu para letras". Há excepções honrosas, mas esta é a regra.
Estava eu a jantar com duas amigas num restaurante atrás do Meridian do Porto quando captei a presença discreta, muito discreta, do ministro da educação do meu país. E não resisti. Quem me conheçe sabe que sou assim.
Levantei-me da minha mesa E DIRIGI-ME A UMA MESA DO CANTO, meia escondida, onde estava o ministro que eu mais admirava no Governo, a jantar com os seus pais, pessoas de idade. E lá fiquei em conversa breve em que pude declarar toda a minha admiração pela senhora e dizer-lhe assim: " Minha senhora, vozes de burro não chegam ao céu, mesmo que muitos, muitos, não chegam aos céus! Por favor continue: com o ensino infantil para todos, o inglês para a primária, a ausência de furos no Liceu bem como as aulas de substituição, e se lhe aconteçer o mesmo que ao melhor de todos os ministros de Saúde de sempre, Correia de Campos, meu professor ( que encerrou maternidades ficando o país mais bem servido, falsas urgências que matavam gente à espera, e tornou viável as administrações do SNS, lembram-se?), mas foi derrotado pelas imbeçis manifestações de rua que hoje não se fariam porque o ministro tinha razão, se lhe acontecer o mesmo, aguente pela Pátria".
E ela aguentou e os pais não conseguiram impedir que as lágrimas lhes caíssem pelas faces abaixo.

1 comentário:

  1. PERSPECTIVAS DA EDUCAÇÃO E DA POLÍTICA...
    Também só falei com a Srª Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, uma vez e por brevíssimos instantes. Perguntei-lhe em Fevereiro de 2005 se não ouvia as Secções de Educação do PS em relação às medidas que pensava tomar para o sector. Ela respondeu-me que "não era necessário". Eu disse-lhe que estranhava e que não concordava com isso. Só falei uma vez com o Primeiro Ministro José Sócrates para lhe dizer que não concordava que a Srª Ministra não ouvisse o que os socialistas tinham para dizer. Estive na reunião de "desagravo" que a Srª Ministra fez com os socialistas na sequência de uma das grandes manifestações. Os seus defensores enalteciam a "coragem da Srª Ministra" mas não se falou propriamente de educação nem havia condições para se ter educação... A "coragem" da Senhora Ministra foi politicamente apoiada por José Sócrates e pela maioria absoluta. Portanto não precisa de ouvir ninguém. A actual Ministra é apoiada por José Sócrates e pela maioria relativa. Não sei se o diálogo é muito produtivo mas tem-se feito. Há duas formas de trabalhar na educação e de estar na política: uma com o diálogo e o debate; outro sem ouvir (quase) ninguém (e isto tanto com maiorias absolutas como com maiorias relativas).A "coragem" da maioria absoluta é mais fácil e parece mais produtiva; o diálogo dá mais trabalho e não se vêem tanto os resultados... Alguém tem dúvidas?

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