quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

OBRIGADA ANTÓNIO COSTA.....
Os oitros coisos preferiam malhar mais nos contribuintes até ficarem os ossos expostos. frown emoticon
Telmo Vaz Pereira
23 h
COSTA REESTRUTUROU A DÍVIDA E NINGUÉM VIU
João Vasco de Almeida | jornal Tornado | 12.1.2016
Nesta segunda feira, 11, às seis da tarde, enquanto o planeta se curvava sobre Bowie, António Costa e Centeno reestruturavam a dívida portuguesa. Ninguém viu.
Ninguém, vírgula. André Tanque Jesus, um jovem jornalista do Jornal de Negócios, escreveu a notícia (*), mas deixou de lado este gigantesco pormenor.
O que aconteceu foi simples: o Estado disse ao FMI que em vez de pagar 10 mil milhões este ano, só paga um terço. Para o ano, em vez de 6,9 mil milhões, o credor só leva 2,5. E em 2018 e 2019, anos em que não havia pagamentos a fazer, lá se dará o resto que falta a Nova Iorque.
Passou de mansinho esta mega operação de milhares de milhões. Numa penada, Centeno atirou para os anos em que não se sabe se o governo ainda será do PS o pagamento gordo, ficando com a módica folga de 11.1 mil milhões de euros, que pode agora gerir com lucro para o Orçamento de Estado. Numa penada, enquanto o mundo cantava Lazarus, Costa e Centeno fizeram o seu Changes, entre os pingos do luto e da maçadora campanha presidencial.
Não se discutiu nada em público, não houve terramotos nos mercados, não se iniciou um debate onde Passos e Maria Luís teriam a tentação de gritos lancinantes. Ninguém apontou o dedo nem o BE ou o PCP vieram a cantar vitórias. Garcia Pereira não se manifestou contra Arnaldo de Matos nem este escreveu no Luta Popular que o culpado era aquele.
Resumindo e concluindo: se não se souber muito, o mundo corre e é da política o que é da política. Se é bom, isso cabe aos analistas de economia e finanças. Andam aí muitos. Que expliquem se puderem...
OBS: Porém, há uma coisa que não precisa de explicação porque é de fácil constatação: este governo não é de garotos canalhas e impreparados; este governo faz prova da boa gestão dos recursos financeiros disponíveis; este governo não lambe as nádegas a Merkel nem a Schäuble nem lhes deve satisfações; este governo não faz propaganda nem alarde do que tem de ser feito o que só está à altura de quem é competente e coloca a política a dirigir a economia, e não o contrário; e, por último, este governo não inventa "almofadas" e outras sabujices da corja do anterior (des)governo.
Ainda me lembro dos espasmos dos profissionais do jornalixo que houve por aí na imprensa de sarjeta e mais os comentadeiros e paineleiros do costume nas TVs, quando Sócrates disse em Paris em Dezembro de 2011 que «Pagar a dívida é ideia de criança. As dívidas do Estado são por definição eternas. As dívidas gerem-se» (1). Não houve quem dessas bestas ignorantes não tivesse rido de Sócrates por ter dito que as dívidas eram para ser geridas e não para serem pagas na totalidade pois elas serão sempre pagas com a emissão de nova dívida.
Todavia, em Janeiro de 2014 e numa entrevista à Revista do Expresso, à pergunta feita a Horta Osório sobre se «Portugal vai conseguir pagar a dívida?», a resposta do banqueiro presidente do Lloyds Bank (grande actuante no mercado) provocou um silêncio tumular aos que comentaram e riram antes e ao mesmo tempo enormes gargalhadas - eu incluído - sobre aqueles que tinham rido de Sócrates. E o que disse Horta Osório? Simplesmente a mesmíssima coisa por outras palavras:
«O importante não é pagar a dívida, mas que a dívida se mantenha dentro de rácios razoáveis em relação à riqueza criada (PIB). Enquanto os particulares devem pagar as dívidas ao longo do seu ciclo de vida, as empresas e os Estados, que não têm um ciclo de vida, não precisam de o fazer. Têm é de pagar o serviço de dívida [juros]» (2)

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