quarta-feira, 20 de junho de 2012

VEM AÍ OS ESTADOS UNIDOS DA EUROPA -2


União Europeia

Dez países para os Estados Unidos da Europa

20 junho 2012
 
Die Presse, 20 junho 2012
São dez países e apelidam-se “Grupo do Futuro”*. Ministros dos Negócios Estrangeiros, querem fazer ouvir a sua voz para transformar a UE numa federação segundo o modelo dos Estados Unidos da América. Em conjunto, preparam o que Die Presse anuncia em primeira página como “Plano de transformação por um Estado europeu”. A 19 de junho, estes dez ministros apresentaram o primeiro relatório aos que vão ser os principais beneficiários desta alteração: Durão Barroso, Herman Van Rompuy, Mario Draghi e Jean-Claude Juncker, respetivamente, presidentes da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do BCE e do Eurogrupo.
O “Grupo do Futuro”, fundado pelo alemão Guido Westerwelle e no qual a França não se encontra representada, propõe a diminuição dos poderes dos chefes de Estado e de governo e a valorização do presidente da Comissão. Este último seria eleito diretamente por sufrágio universal e teria direito a constituir uma “equipa governamental”, facto que faria dele o político mais poderoso da Europa.
O Grupo quer igualmente substituir os conselhos de ministros e de dirigentes europeus com a criação de uma segunda câmara, “dos Estados”, no Parlamento Europeu. Seriam atribuídas a esta Federação competências nacionais como, por exemplo, gestão de fronteiras, defesa e orçamento, em especial para “tornar o euro irreversível”.
Para Die Presse, não surpreende que sejam os diplomatas dos países que perderam toda a influência com o Tratado de Nice, assinado em 2000, e sobretudo depois do agudizar da crise, a querer recuperar hoje o seu direito. Mas o diário conclui que
um sistema democrático bem claro, semelhante a uma estrutura estatal, irá provavelmente ao encontro do desejo de inúmeras camadas da população. Quem quiser resistir ao desmoronamento da moeda, do mercado interno, da estabilidade política e ao desenvolvimento de novos fossos de riqueza entre o Norte e o Sul e ao reforço das tendências nacionalistas irá acabar por optar por esta solução.
* Os ministros dos Negócios Estrangeiros alemão, austríaco, belga, dinamarquês, italiano, luxemburguês, holandês, polaco, português e espanhol

quinta-feira, 7 de junho de 2012

SURRIPIADO DO BLOGUE DE JOSÉ MILHAZES...dá que pensar....e que cada um tire as suas conclusões

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Quarta-feira, Junho 06, 2012

O futuro que a Rússia nos promete

Texto enviado pelo leitor Europeísta:



"O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.
Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.
Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.
Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.
Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.
Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.
Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.
O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.

Olavo de Carvalho".

Moscovo prepara tropas para combater no estrangeiro, nomeadamente na Síria – imprensa

 
O Ministério da Defesa da Rússia começou a preparação intensiva de tropas especiais para ações no estrangeiro, nomeadamente na Síria, revela hoje o Nezavissimaia Gazeta.
Segundo o jornal, que cita fontes nesse ministério, estão a ser treinadas a divisão aerotransportada de Pskov, a brigada militar Nº 15 de Samara, bem como duas divisões chechenas Ocidente e Oriente.
A divisão de Pskov é uma das mais bem treinadas das Forças Armadas da Rússia. Os seus militares participaram em operações de paz no Kosovo (1999-2001), nas duas guerras da Chechénia (1994-1996 e 1999-2007) e na guerra contra a Geórgia, em agosto de 2008.
Quanto às divisões chechenas, elas pertencem à Direção de Reconhecimento (Espionagem) Central (GRU) das Forças Armadas russas. Os seus soldados combateram contra a guerrilha separatista na Chechénia, realizaram operações de manutenção de paz no Líbano e destacaram-se na guerra contra a Geórgia.
O Nezavissimaia Gazeta acrescenta que já estão prontas para ações militares na Síria unidades especiais de fuzileiros da Armada do Mar Negro. Eles encontravam-se no navio de guerra russo Smetlivii, quando este, em maio, esteve na base russa situada no porto sírio de Tarus.
A imprensa russa receia que a Rússia e os países ocidentais se vejam no limiar de um conflito armado como já aconteceu, em 1999, no Kosovo, quando a NATO bombardeou a Jugoslávia sem a sanção da ONU. Então, tropas especiais russos ocuparam o aeroporto de Pristina.
“Fonte no Ministério da Defesa revelou que, para que tropas russas combatam fora do país, nomeadamente na Síria, é preciso uma decisão política da direção da Rússia e as respetivas resoluções da ONU. Mas as tropas russas já treinam operações de paz tanto como parte de forças multinacionais possíveis, como separadamente”, sublinha o jornal.

terça-feira, 5 de junho de 2012

vêm aí os ESTADOS UNIDOS DA EUROPA

O que parecia impossível há uma semana - que os países europeus se mexessem para salvar o euro está agora a acontecer. E por força da indispensável união dos europeus vamos assistir a partir de Novembro ( após as eleições americanas ) ao definhamento do dólar e da libra; À queda do império americano em ritmo acelerado, e , por via disso à retoma pela Europa do poder necessário para pôr a China em sentido.
O facto constitui uma medida da velocidade a que a política relativa à crise do euro está a mudar. Há duas semanas apenas, todas as atenções estavam centradas no novo Presidente francês, François Hollande, que era empossado em Paris como Monsieur Crescimento e que se apressava a realizar sua primeira missão para desafiar a Frau Austeridade da Europa, a chanceler Angela Merkel.
"Precisamos de novas soluções. Está tudo em cima da mesa", garantiu Hollande. O que queria dizer que iria obrigar Merkel a tirar o noseclip e a considerar coisas que, em Berlim, emanam um cheiro repulsivo, sendo uma das principais as euro-obrigações: a Alemanha a solucionar a crise de uma vez, ao aceitar subscrever a dívida da Espanha, da Grécia, da Itália e de todos os outros. Altamente improvável.

Passos integracionistas para a união bancária

Contudo, no sábado, a competição entre crescimento e austeridade abrandara, depois de Merkel virar as coisas contra Hollande. Era a sua vez de declarar que não devia haver tabus no debate sobre as difíceis alternativas que os dirigentes europeus têm diante de si, enquanto esperam pelo que irá acontecer na Grécia e em Espanha e planeiam as suas próximas ações naquela que se anuncia como uma cimeira histórica, no fim do mês.
Merkel parecia estar a avaliar não apenas o bluff de Hollande mas também o da França. Ao anunciar que a lista das tarefas da zona euro não podia ser alvo de censura, Merkel referia-se à apresentação de medidas radicais e federalistas, que envolvem a perda gradual de soberania nacional em matéria de políticas orçamentais, fiscais, sociais, de pensões e relativas ao mercado de trabalho, com o objetivo de forjar uma nova união política europeia ao longo de um período de entre cinco e dez anos.
Os EUE – Estados Unidos da Europa – estão de volta. Pelo menos para a zona euro. Essa "união política", que envolveria a cedência de poderes fundamentais a Bruxelas, Luxemburgo e Estrasburgo, sempre esteve muitos passos demais à frente para os franceses a ponderarem.
Mas Berlim está a indicar que, se vai ter de pagar por aquilo que considera como sendo erros de terceiros, é preciso que sejam dados passos integracionistas graduais mas significativos no sentido da união bancária, fiscal e, em última análise, política da zona euro. Trata-se de uma ideia que causa divisões e é alvo de polémica, uma ideia que Merkel nem sempre defendeu. No entanto, no auge da crise, a chanceler parece agora não ver outra alternativa.
As próximas três semanas serão marcadas por uma atividade frenética e quatro negociadores superiores da UE andarão de capital em capital, a averiguar o âmbito de integração possível. Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo e durante muito tempo presidente do Eurogrupo de países da moeda única, e José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia, deverão apresentar um plano de integração da zona euro, na cimeira da UE de 28-29 de junho. Os quatro são federalistas convictos.

Três anos de medidas atabalhoadas

Antes da cimeira, haverá um importante ato eleitoral na Grécia e eleições parlamentares em França. Entretanto, o tempo parece estar a esgotar-se para o setor bancário espanhol. Em Madrid, o ministro da Economia, Luis de Guindos, diz que o destino do euro será decidido nas próximas semanas, em Espanha e em Itália.
A curto prazo, o salto exponencial de integração que está a ser ponderado não salvará a Grécia, não resgatará os bancos espanhóis e não solucionará os problemas da Itália nem a crise do euro. Os dirigentes podem estar a ficar sem tempo e a esgotar as reservas de medidas arriscadas e de apelos de última hora que caracterizaram a "gestão da crise" ao longo dos últimos 30 meses.
Mas têm esperança de, ao apresentarem uma estratégia de médio prazo em termos de união fiscal e política na zona euro, convencerem os mercados financeiros do seu empenho em salvar o euro, de que a moeda é irreversível e de que as pressões diminuirão. O impacto do "projeto" será imenso – se este for por diante.
Logicamente, vai ser preciso um novo tratado europeu. O que será difícil. É provável que a Alemanha precise de uma nova Constituição, o que poderá ser visto como ir um pouco longe de mais.
O recorrentemente referido "défice democrático" no modo como a UE é gerida aumentaria exponencialmente, sem uma revisão radical da base eleitoral do governo da zona euro. Qual seria a utilidade de votar num governo, por exemplo na Eslovénia, se, com uma união política da zona euro, as políticas de impostos, despesa pública, pensões e laboral forem decididas em Bruxelas? Essa união teria por resultado um maior enraizamento de uma Europa a duas velocidades, uma vez que o processo de tomada de decisões se centraria na zona euro e não numa UE a 27 ou a 28.
O fosso entre o Reino Unido e o núcleo europeu poderia tornar-se intransponível, gerando rancores recíprocos e, em última análise, conduzir ao rompimento do triste namoro entre o RU e a UE, apesar de a "união política" ser precisamente aquilo que David Cameron e George Osborne recomendam, por força da "lógica inexorável" da partilha de uma moeda.
Ao fim de três anos de medidas atabalhoadas, as alternativas que os dirigentes europeus têm pela frente estão a tornar-se mais básicas: a morte do euro ou o nascimento de uma nova federação europeia.
Agora sim: começo a ver a luz ao fundo do túnel e, DELENDA CHINA EST !
.

domingo, 13 de maio de 2012

coelho à espera de quê ? - "volta Sócrates , estás perdoado" , foi o que coelho confidenciou ao travesseiro!

As yields (juros) para as obrigações francesas (OAT) caíram a pique, segundo dados da Bloomberg. Depois de terem aberto a subir mais de 5% nos prazos a 2 e a 3 anos, assistiu-se, durante a manhã, a uma quebra de mais de 10% nos juros destes dois prazos. Tendo aberto em 0,64%, os juros das OAT a 2 anos caíram para 0,53% agora ao final da manhã. No caso dos juros a 3 anos a quebra foi de 0,75% para 0,63%. Os juros a 5 anos desceram de 1,64% para 1,55% e os juros a 10 anos de 2,87% para 2,79%. A reunião entre o novo presidente François Hollande e a chanceler alemã Ângela Merkel marcará certamente o comportamento nos próximos dias dos juros das OAT no mercado secundário. Merkel terá dito que receberá Hollande “de braços abertos”.
A pressão aliviou, também, em relação aos títulos italianos (BTP). Os juros dos BTP a 2, a 3 e a 5 anos estão em queda. Apenas os juros dos BTP a 10 anos se mantém a subir ao final da manhã.
Acompanhando esta reviravolta, as bolsas de Madrid, Roma e Paris estão em terreno positivo. Também o índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, está a subir ligeiramente. A bolsa de Atenas afundou com o índice a cair mais de 7% durante a manhã.
Risco português a liderar subidas
Mantêm-se a subir os juros das obrigações do Tesouro (OT) português, das obrigações espanholas e dos títulos irlandeses em todas as maturidades. Nestes “periféricos”, a maior pressão está a sentir-se sobre os juros das OT a 3 e a 5 anos.
A pressão no horizonte a cinco anos das OT, está a provocar a subida da probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa. O risco de bancarrota subiu para 60,01% e Portugal é hoje o país com maior aumento deste indicador no conjunto dos 80 países monitorizados pela CMA DataVision.
Os juros das obrigações gregas a 10 anos que servem de benchmark depois da reestruturação da dívida estão a disparar. Abriram em 21,09% e já estão em 22,89% face à perspetiva de “ingovernabilidade” na Grécia, depois da derrota dos dois partidos do “arco do poder” apoiantes (ainda que exigindo renegociação) do Memorando de Entendimento sobre o segundo resgate.
Os juros dos Bunds, títulos alemães, a 10 anos continuam abaixo do mínimo observado a 2 de maio. O prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 9,61 pontos percentuais, fruto da subida dos juros das OT a 10 anos e da descida dos juros dos Bunds no mesmo prazo. O prémio de risco com maior subida é, por ora, o relativo à dívida espanhola, que subiu para 4,20 pontos percentuais. O sinal de alarme é disparado quando o prémio de risco chega ao patamar dos 5 pontos percentuais.

e o "nosso" coelho quer continuar a ser bem comportado e...aluno burro?

Acto I: do François. O dia “D” parece estar apontado para quarta-feira da próxima semana quando a chanceler alemã e o novo presidente gaulês se reunirem em Berlim. A forma de “calçar” o “pacto de crescimento” (growth compact) deverá ser o tema principal.
A chanceler Ângela Merkel convidou François Hollande, o novo presidente eleito de França, para a sua primeira visita oficial ao estrangeiro, logo após a sua investidura em Paris. A reunião deverá realizar-se a 16 de maio, numa viagem simbólica a Berlim.
Hollande tem uma agenda apertada logo de seguida com as cimeiras do G8 (os sete países desenvolvidos mais a Rússia) a 18 e 19 e da NATO a 20 e 21 de maio em Camp David, nos Estados Unidos. Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Obama já convidou Hollande para um encontro bilateral antes das cimeiras, onde contam abordar “um conjunto de dossiers difíceis em matéria económica e de segurança”.
Acabar com o diretório
François Hollande declarou à revista “Slate” que quer acabar com o “duopólio” franco-alemão, em suma prosseguir a parceria estratégica, mas deitar fora o papel de diretório.
A sua resposta à revista merece ser transcrita na íntegra: “Ainda que eu acredite na parceria franco-alemã, contesto a ideia de um duopólio. A construção europeia está baseada numa parceria bem equilibrada e de mútuo respeito entre a França e a Alemanha. As parcerias entre Schmidt e Giscard, Kohl e Mitterrand, e mesmo entre Chirac e Schroeder, mostraram que as diferenças políticas não significam que não possamos trabalhar em conjunto. Mas estes chefes de estado combinaram uma metodologia intergovernamental com os processos da União Europeia. Esta é a melhor forma de evitar que os nossos parceiros se sintam excluídos, ou, pior ainda, subordinados. Ora, este equilíbrio mudou nos últimos anos. A relação franco-alemã foi exclusiva. As instituições europeias foram ignoradas e alguns países, especialmente os mais frágeis, tiveram o sentimento desagradável de enfrentarem um diretório”.
Se as eleições presidências francesas indicaram que a estratégia anterior designada por “Merkozy”, em que a França inclusive desempenhou um lugar subalterno, está condenada, os resultados das eleições legislativas na Grécia foram um sinal de alarme ainda maior.
Com uma geografia parlamentar em Atenas que torna o país ingovernável em virtude da fragmentação e da perda de atração do centro político (o chamado “arco de poder”), toda a estratégia dos “memorando de entendimento” e dos planos de resgate para o país ficou em cheque. Mesmo os dois partidos da alternância tradicional, Nova Democracia (direita) e PASOK (socialistas), são abertamente pela revisão dos acordos firmados ainda recentemente e que conduziram a uma reestruturação parcial da dívida e a um segundo plano de resgate. Evangelos Venizelos, o líder do PASOK, e que negociou e liderou a recente reestruturação de dívida e o fecho do segundo pacote de resgate, afirmou que é indispensável uma extensão do novo período de ajustamento de dois para três anos. No entanto, a ingovernabilidade do país, com base nos resultados atuais, aponta para novas eleições antecipadas em junho que poderão coincidir com o período em que deveria ser aprovada uma nova tranche de 11 mil milhões de euros de financiamento a Atenas.
Se a União Europeia e a zona euro não oferecerem nada de novo à Grécia, as próximas eleições apenas conduzirão a uma radicalização do espectro político e a uma provável saída “caótica” do euro (e, segundo alguns analistas, da própria União Europeia), com desfecho incerto no quadro geopolítico da região em que o país se insere.
Cedências simbólicas
O jornal El País afirma hoje que a Comissão Europeia poderá ceder no que respeita ao plano de ajustamento em Espanha. O governo de Mariano Rajoy, depois de ter imposto unilateralmente uma meta para o défice deste ano em 5,3% do PIB (inferior em umas décimas à meta exigida por Bruxelas ao governo anterior), poderá conseguir um alongamento do prazo do ajustamento, ganhando mais um ano. A meta de 3% do PIB seria relegada para 2014.
Será uma nova cedência simbólica da Comissão Europeia, depois de já ter recuado em relação ao não pagamento anual da promissória irlandesa que garantiu o financiamento do sistema bancário literalmente falido depois da crise de 2008. O não pagamento da promissória levou Dublin a arquitetar uma reengenharia financeira para o efeito no final de março.
Com um pano de fundo de 8 dos 17 países da zona euro em recessão, até Mário Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), já elaborou sobre um “pacto de crescimento” (growth compact). Primeiro, lançou o tema no Parlamento Europeu em Bruxelas a 25 de abril e, depois, levantou o véu na conferência de imprensa em Barcelona na sequência da última reunião do conselho de governadores do banco a 3 de maio. “A redução da despesa pública não pode ser obtida através da redução da despesa de capital, dos investimentos”, e referiu que os investimentos em infraestruturas na zona euro e a intervenção do Banco Europeu de Investimentos (BEI) são aspetos a tomar em linha de conta.
Pontos em discussão
Este “pacto de crescimento”, que foi um dos cavalos de batalha sobre temas europeus da campanha eleitoral de Hollande, estará na agenda da cimeira em Berlim a 15 de maio. O presidente eleito já veio afirmar que a Alemanha não pode bloquear em simultâneo todas as saídas da negociação, quer sejam as euro-obrigações (eurobonds) ou a atuação do BEI.
Em contrapartida, Hollande foi claro que não pugna pelo regresso ao despesismo público com base no endividamento e no défice como solução “nacional” (num movimento para tranquilizar os mercados financeiros e deixar margem de manobra a Merkel junto do seu eleitorado e da irredutibilidade do Bundesbank, o banco central alemão). No entanto, estenderá o reajustamento orçamental em França até 2017. O presidente eleito pretende que os estímulos ao crescimento sejam concretizados através das políticas europeias. O papel do BEI, a reorientação dos fundos estruturais no sentido da inovação, um imposto europeu sobre as transações financeiras, e uma nova linha de orientação no BCE estão em cima da mesa. Em Itália, o porta-voz económico do PdL (Il Popolo della Libertà), o partido de Berlusconi, já veio hoje apoiar a ideia de euro-obrigações e de participação do BCE nos leilões de dívida no mercado primário.
Também hoje, o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata Martin Schulz, retomou ideias de Hollande e da Comissão Europeia num artigo publicado no Economy Watch. Admitiu, ainda, que “no longo prazo, poderemos revisitar a ideia das euro-obrigações” (dando a entender que não será tema para já) e que a reforma da Política Agrícola Comum “não deverá continuar um tabu”, pois “nem assegura a sustentabilidade da agricultura nem permite rendimentos decentes aos agricultores”.
Segundo o jornal alemão Suddeutsche Zeitung publica hoje, Merkel poderá ceder em dois pontos: no uso dos fundos estruturais, baixando a exigência de cofinanciamento pelos estados que a eles recorram, para níveis entre 5 e 10%; e no aumento do capital do BEI com um reforço de 10 mil milhões de euros. Entretanto, a Comissão Europeia prepara um pacote de 200 mil milhões de euros, virado ao crescimento, para apresentar na cimeira europeia de junho. Este pacote insere-se na Iniciativa conhecida como “Europe 2020 Project Bond” destinada a dinamizar os mercados de capitais para financiar projetos de infraestruturas europeus nas áreas de transporte, energia e tecnologias de informação.
Acto II: do Dallara. O patrão do lóbi bancário mundial, Charles Dallara, cujo nome se tornou mediático durante as negociações da reestruturação da dívida grega, deu hoje um soco no estômago dos advogados da política de austeridade e juntou mais uma voz ao coro da necessidade de uma estratégia de crescimento (que tem sido designada por “pacto de crescimento”, growth compact, em inglês). O recado à Alemanha foi claro.
Recorde-se que Dallara defendeu os credores privados da dívida grega na renegociação que se concluiu este ano com o governo de Atenas sob pressão da troika.
Em entrevista à cadeia norte-americana CNBC, o diretor do Instituto de Finanças Internacionais (cuja sigla em inglês é IIF), afirmou que “a economia europeia se desligou do marco político”. “A focalização nos cortes orçamentais a curto prazo não se ajustou à realidade económica”, disse perante a surpresa de muitos. “Este enfoque criou a sensação de que a situação não tem fundo”, acrescentou.
Opção muito menos custosa
Aconselhou que se “reequilibre a equação crescimento-austeridade e se alivie o caminho do ajustamento orçamental em alguns países que já estão a ajustar-se”. “Isto pode obrigar a um maior financiamento nos próximos anos, mas é uma opção muito menos custosa do que deixar a situação deteriorar-se em países como a Grécia, Portugal, Espanha e Itália”, explicou.
Acrescentou, ainda, que “a Alemanha, juntamente com alguns parceiros europeus, terá de reavaliar a atual estratégia económica e considerar adaptações para colocar a economia da zona euro num caminho mais credível”.

chinas já nem escondem....

A China Investment Corp (CIC), fundo soberano chinês, que este ano recebeu uma injeção de 50 mil milhões de dólares por parte do governo de Pequim, declarou em Adis Abeba, durante a reunião do World Economic Forum sobre África, que a sua estratégia de aplicações financeiras na Europa é clara: procurar oportunidades de investimento em ativos, não investir em dívida soberana.
“O que está a acontecer atualmente na Europa é, sem dúvida, preocupante”, afirmou Gao Xiqing, presidente do CIC. “Continuamos a procurar oportunidades na Europa, ainda que não queiramos comprar nenhuns títulos soberanos”, concluiu.

terça-feira, 8 de maio de 2012

E A ESPANHA AQUI TÃO PERTO...

O Banco Central Europeu (BCE) vai reunir o seu conselho de governadores em Barcelona a partir de 2 de maio. Com a dívida espanhola no foco de atenção dos investidores e com as recentes declarações do presidente do BCE no sentido de juntar ao “pacto orçamental” (fiscal compact) um “pacto pelo crescimento” (growth compact), a habitual conferência de imprensa de Mário Draghi após a reunião de governadores vai ter um interesse redobrado.
O vendaval nos juros da dívida espanhola rivalizou nas últimas semanas com as ondas de choque da caçada africana do septuagenário rei Juan Carlos de Borbón.
Entretanto confirmou-se que o país entrou em recessão “técnica” (dois trimestres sucessivos com queda do PIB) com a divulgação de que a economia contraiu 0,3% no primeiro trimestre deste ano.
O regresso, a 23 de abril, ao patamar dos 6% nos juros das obrigações espanholas a dez anos no mercado secundário desencadeou, de novo, os temores sobre a proximidade de um plano de resgate da troika para Madrid. O máximo foi atingido a 25 de novembro do ano passado com os juros a chegar aos 6,7%, próximo do limiar dos 7%, que é tido como ponto de não retorno para uma intervenção externa.
O nervosismo no mercado de seguros contra o risco de incumprimento (designados por credit default swaps) levou, a 23 de abril, o preço destes derivados financeiros à proximidade do máximo histórico de 16 de abril, quando chegou a 510,58 pontos base. Isto equivale a ter de se pagar 510 mil dólares por ano para segurar 10 milhões de dólares em títulos de dívida emitidos pelo Tesouro espanhol. Portugal já passou por esta passadeira no último trimestre de 2010.
O aquecimento recente da situação em Espanha deveu-se a três fatores – a ausência de compras pelo BCE de obrigações espanholas no mercado secundário, os juros mais elevados nos leilões da dívida realizados pelo Tesouro, e o corte de notação pela Standard & Poor’s.
Banca espanhola depende do biberão do BCE
Muitos analistas em Espanha reclamam que o BCE deverá atuar rápida e massivamente no mercado secundário através do seu programa de compras de títulos – conhecido pela sigla SMP. O responsável pelo programa no BCE, Benoît Coeuré, deu a entender, em meados do mês, que ele poderia ser reativado. Há cinco semanas que o banco central não adquiria no mercado secundário títulos aflitos da zona euro.
Essas palavras de Coeuré foram suficientes, então, para fazer descer os juros do patamar dos 6%. Mas o presidente do Bundesbank (o banco central alemão), Jens Weidemann, uma das vozes de peso na zona euro, logo disse à Reuters que Espanha deveria cuidar de si e não esperar pela muleta do BCE. Apesar das palavras de Coueré não há dados que indiquem que o programa SMP tenha voltado a atuar.
No entanto, a linha de liquidez a três anos (LTRO) lançada, no final do ano passado, por Mário Draghi, o novo presidente do BCE, tem permitido aos bancos espanhóis comprar dívida soberana nas emissões lançadas pelo Tesouro e ainda ganhar alguma margem com a diferença entre os juros que pagam ao BCE e os que recebem dos títulos adquiridos. As quatro emissões realizadas recentemente, com prazos a 12 e a 18 meses e a 2 e a 10 anos, conseguiram arrecadar as verbas previstas ou mesmo ultrapassá-las, mas os juros subiram, em regra, em relação a operações anteriores similares. Segundo os dados divulgador hoje pelo BCE, os bancos espanhóis aumentaram a sua exposição à dívida pública em 100 mil milhões de euros nos últimos seis meses.
A razão na semana passada para novo sobressalto dos investidores prendeu-se com o corte de notação da dívida espanhola operado pela agência de rating Standard & Poor’s (S&P). A notação da dívida espanhola baixou de A para BBB+, três níveis acima da classificação como dívida especulativa (situação em que está Portugal com uma notação de BB desde janeiro de 2012). A classificação de BBB+ dada a Espanha é similar, agora, à da Irlanda. A S&P nunca baixou a notação do ex-tigre Celta para o nível especulativo (vulgo “lixo”). A agência considerou ainda que a perspetiva é negativa (o que significa que poderá voltar a descer a notação).
A análise feita pela S&P admite um segundo cenário mais adverso do que o oficial, em que o PIB espanhol poderá contrair 4% este ano, muito mais do que a previsão de recessão de 1,8% apontada pelo “World Economic Outlook” do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para 2013, este segundo cenário da S&P prevê uma recessão de 1%, e estagnação em 2014. O que, naturalmente, agravará a situação orçamental de 2012 a 2014. Segundo a agência financeira Markit a verdadeira notação da dívida espanhola, de acordo com o sentimento real dos investidores, é de BB, ou seja já em terreno de dívida especulativa.
No entanto, apesar do corte de notação, o stresse inicial no mercado secundário acabou por aliviar no final da semana. A subida das yields das obrigações espanholas (OE) abrandou. Os juros das OE a dez anos afastaram-se do patamar dos 6%, fechando a semana passada em 5,88%. Os juros desceram inclusive de 5,96% para 5,88% entre 20 e 27 de abril. O risco de incumprimento da dívida também desceu, de 35,64% para 34,58%, no mesmo período.
O dilema de Rajoy
Mas o que se passa, com ziguezagues, nestes dois mercados financeiros é apenas um sintoma das dores de cabeça que afligem o governo de Mariano Rajoy, que mal aqueceu o lugar teve de enfrentar um dilema difícil: seguir a doutrina oficial de Bruxelas de um ajustamento radical orçamental e de um pacote duríssimo de austeridade ou optar por uma via “espanhola”.
A via “espanhola” tem de ter em conta um desemprego oficial que pode chegar, este ano, a um pico de quase 25% da população ativa, uma banca que necessita de uma recapitalização colossal (com as estimativas a variarem entre 53,8 mil milhões de euros, segundo o Banco de Espanha, a 80 mil milhões, segundo o banco ING, a 100 mil milhões, segundo economistas independentes) e uma economia que cairá, pelo menos, 1,8%.
Não é uma recessão tão profunda como em 2009 – caiu, então, 3,7% – quando se deu o primeiro choque da crise financeira global, mas ocorre, agora, num novo contexto, de crise aguda das dívidas soberanas na zona euro. É claro que não é uma quebra tão elevada como a que ocorrerá em Portugal (com a previsão de uma recessão de 3,3%), mas é um abalo na quarta maior economia da zona euro – o que faz toda a diferença.
FMI quer moderação do ajustamento
O recém-eleito presidente do conselho de ministros espanhol optou por flexibilizar em umas décimas o ajustamento orçamental este ano, colocando Bruxelas perante um facto consumado.
Mas o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), no seu “Fiscal Monitor”, referiu recentemente que teria sido preferível “um ajustamento levemente mais moderado”. Carlo Cottarelli, diretor do departamento de assuntos orçamentais do FMI, acentuou a ideia em conferência de imprensa em Washington DC e apontou para a previsão do Fundo que situa a meta para o défice orçamental em 2012 em 6% do PIB e não nos 5,3%, fixados pelo governo de Madrid. O FMI prevê inclusive que a regra dos 3% do PIB não seja possível antes de 2018 e que, mesmo em 2013, o défice público espanhol ainda estará nos 5,7% do PIB.
A necessidade de flexibilização do ajustamento é consensual entre os economistas espanhóis ouvidos pelo Expresso. A brutalidade de querer reduzir o défice de 8,5% em 2011 para 3% em 2013 é rejeitada. “É absolutamente impossível. Até o FMI o diz. Seria uma catástrofe. Isso é o que temem precisamente os mercados financeiros – um excesso de remédio que mate o doente”, diz Alberto Montero Soler, professor na Universidade de Málaga e autor do blogue “La Otra Economía”. Santiago Niño-Becerra, catedrático da Universidade Ramón Llull, de Barcelona, vai mais longe: “É absolutamente impossível chegar aos 3% em 2013 a não ser que Espanha regresse a uma ditadura e a população espanhola empobreça até um nível inimaginável. E, sobretudo, é impossível por duas razões: a) porque não é possível em democracia cortar 65 mil milhões em dois anos, e b) porque ao crescimento negativo que vai ter nestes anos se vão juntar os cortes nos gastos públicos para alcançar tal meta do défice”.
“É imperativo que se flexibilize esse objetivo para os próximos dois anos, se se quer evitar uma recessão muito grave”, sublinha, por seu lado, Santiago Carbó Valverde, da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade de Granada e consultor do Banco da Reserva Federal de Chicago. O problema, ironiza Alberto Montero, é que Rajoy, sozinho, “no tiene pantalones”, não tem coragem política para enfrentar Bruxelas. Ponto em que entram as expetativas sobre os resultados da segunda volta das eleições presidenciais em França a 6 de maio.
Ajuda externa à banca
A maior dor de cabeça de curto prazo parece ser a banca. Soube-se que o crédito mal parado ascendeu em fevereiro a 8,16%, uma percentagem que já não se verificava desde outubro de 1994. A dependência da banca espanhola do biberão do BCE é enorme: 316 mil milhões de euros emprestados, segundo o balanço no final de março. “Que a Espanha tenha absorvido mais de 30% dos fundos facilitados pelo BCE quando o seu PIB equivale apenas a 9% da economia europeia diz bastante sobre a situação da banca espanhola”, sublinha-nos Niño-Becerra.
Entretanto, a agência de rating S&P anunciou hoje o corte de notação de onze bancos espanhóis, incluindo o Santander, Banesto, Santander Consumer France, BBVA, Banco Sabadell, Ibercaja, Kutxabank, Banca Civica, CECA, Bankinter e a subsidiária local do Barclays.
As necessidades de capitalização da banca espanhola não podem ser resolvidas internamente, afirmam os economistas ouvidos pelo Expresso. “Tem de se contar com a ajuda externa, ainda que seja de analisar através de que mecanismos e instituições”, diz-nos Pedro Montes Fernández, que foi economista do Serviço de Estudos do Banco de Espanha (o banco central) e autor de “La historia inacabada del euro”. Pedro Montes aponta para “uma situação interna literalmente insustentável”, com o governo emparedado entre a necessidade de “credibilidade internacional” (e de ter um plano de austeridade rigoroso) e a “temeridade política de aplicá-lo”.
Uma saída que aliviaria a pressão sobre Madrid poderia ser um instrumento europeu com capacidade de adquirir participações diretas nos bancos aflitos, como alvitrou Olivier Blanchard, diretor do Departamento de Investigação do FMI. Blanchard disse que é preciso “cortar o elo pernicioso entre as dívidas soberanas e os bancos”. Um elo que pode ter Espanha como detonador, mas que abrange, à escala europeia, o risco de uma desalavancagem até final de 2013 na ordem dos 2 biliões de euros, cerca de 7% dos ativos bancários, que poderia representar um corte no crédito à economia real e às famílias de 1,7%. “É uma proposta interessante de Blanchard. Resta saber se a governança europeia o permite. Eu julgo que seria importante criar um quadro europeu de resolução bancária e um fundo de garantia de depósitos de nível europeu. Quanto mais avancemos em termos europeus melhor”, afirma Santiago Carbó. “Como se trata de um risco sistémico deve ter, sem dúvida, uma abordagem europeia”, confirma Alberto Montero.
Por seu lado, Rafael Pampillón Olmedo, professor no Instituto de Empresa, em Madrid, recorda que “o FMI é partidário que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF, em vigor até julho) ou o futuro Mecanismo Europeu de Estabilização (MEE) comprem ações dos bancos com problemas na zona euro no sentido de os recapitalizar”. Pampillón sublinha, ainda, que “outra possibilidade é que esses fundos de resgate facilitem crédito barato aos bancos”. Adianta inclusive que isso não é importante só para a banca espanhola, “mas para toda a banca europeia”.
No inquérito mensal realizado pelo Financial Times Deutschland antes das reuniões do conselho de governadores do BCE, e divulgado hoje, a maioria dos 38 economistas alemães ouvidos defende essa solução em vez da solução clássica de intervenção da troika junto dos governos.Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, já apontou no mesmo sentido, sublinhando que não tem sido ouvida pelos europeus, e o jornal alemão “Sueddeutsche Zeitung” adiantou que “um grupo de países da zona euro e vários membros do BCE” o pretenderiam.
O problema tem sido a oposição da Alemanha apoiada por alguns estados mais papistas por vezes que o Papa. Aliás, um dos governos fundamentalistas caiu na semana passada – o da Holanda – por não ser capaz de colocar em prática o que exige aos outros e foi, no limite, que o governo de gestão chefiado por Mark Rutte conseguiu um acordo maioritário para uma meta de 3% em 2013 a apresentar dia 30 de abril em Bruxelas. O que provocou muita ironia em Espanha.
O ministro da Economia e Competitividade, Luis de Guindos, negou hoje que haja qualquer intenção de recorrer a qualquer fundo de resgate europeu para resolver o problema da banca e adiantou que “nos próximos dias” poderão verificar-se novas fusões e aquisições no sector e anunciar-se “esforços adicionais” para o saneamento de algumas entidades financeiras.
A Reuters, no entanto, já foi perentória: a pergunta não é se a banca espanhola vai necessitar de um resgate externo, mas sim quando. Muitos analistas dão seis meses.