sábado, 3 de março de 2012

caras de cu à paisana !

Um tipo com cara de cu à paisana, é um tipo com uma cara como uma carantonha e que ainda por cima, por andar à paisana, anda escondido a disfarçar daquilo que verdadeiramente é.
Eu sempre achei - e não só ontem à noite na segunda circular - que lisboeta é um chulo. Leu bem: um chulo.
 MAS, um chulo disfarçado de senhor, sobretudo escuro, óculos de sol, sapato de pelica italiana preta, pose de quem calcorreou o mundo e enxerga a "província " por decima, e , e, um tom de voz melífluo assim a dizer riuuu, quando quer dizer Tejo e não está a rir. Porque um chulo nunca ri: limita-se a achar natural viver à custa dos outros porque um chulo  só tem puta como mulher,  e  isso é sério. Um chulo é assim um tipo que disfarça a impotência com a imagem de ter muitas potências...um chulo é, por isso, um lisboeta : no futebol diz que prometeu não falar de arbitragens e logo de  seguida diz alarvemente - como um chulo! - que Pedro Proença é bicha ruim que não lhe faz vontades; na política é um cristo fêmea - Cristas ! - que tem fé que vai chover e proclama como política agrícola que "se chover os males da agricultura serão atenuados"; e assim por diante...

Os quadros que podem ser consultados abaixo, referem ao longo dos últimos anos as taxas de cobertura das importações pelas exportações e neles todos podem ver que só o Norte de Portugal e o Centro ( até Leiria ) é que têm sido capazes de exportar mais do que importar, ou andam próximos.
Ao contrário, Lisboa e os seus chulos produzem um terço do que gastam.
Por isso, ó ministro financeiramente soletrante, ó primeiro-ministro barítono do sopro pífio : então, então, mas então mesmo, andamos mesmo todos a viver acima das nossas possibilidades?




LISBOA COM CARA DE CU À PAISANA -2

O VENENO DO ESCORPIÃO....

Holanda

Haia prova do seu próprio veneno

2 março 2012
Presseurop
De Volkskrant, NRC Handelsblad, Trouw
De Volkskrant, 2 março 2012
A economia flamenga já não é o que era. A 1 de março, o Gabinete Nacional de Análise da Política Económica (CPB-Centraal Plan Bureau) divulgou as suas previsões: em 2013, o défice orçamental irá atingir os 4,5% do PIB e o crescimento não irá ultrapassar 1%. Para cumprir as regras orçamentais europeias (até 3% do défice), o Governo não terá outra alternativa a não ser conseguir 9 mil milhões de euros, para além dos 18 mil milhões de cortes orçamentais já previstos. 
Esta desagradável surpresa está a pressionar a coligação dos liberais do VVD e dos cristãos-democratas do CDA, que conta com o apoio externo do PVV, partido populista e antieuropeu, que já afirmou a sua intenção de não seguir as orientações impostas por Bruxelas. A tarefa que o Governo tem pela frente é “uma tarefa infernal”, como titula De Volkskrant.
“O Governo está dividido entre duas correntes”, nota, por seu turno, o NRC Handelsblad. A da “perspetiva europeia” e a da “perspetiva económica”. Qualquer uma delas deixa muito pouco espaço de manobra. O diário acrescenta que a atitude particularmente dura “do Governo e do ministro das Finanças Jan Kees de Jager (CDA), em primeiro lugar”, em relação aos países mais endividados da zona euro, deixa-os agora numa situação delicada uma vez que
não há praticamente nenhuma alternativa a não ser engolir o medicamento que impuseram aos outros países. […] Espera-se muito pouca compreensão do leste, ao passo que o sul irá experimentar o sabor da vingança.
Especialmente porque a Holanda não vai poder contar com a compreensão da Comissão Europeia. De facto, sempre apoiaram Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, no seu papel de “mestre escola austero” e inflexível em relação ao cumprimento dos critérios de estabilidade, nota, por seu turno, De Volkskrant, independentemente de haver outros países nas mesmas circunstâncias.
Madrid regista um défice de 8,5% que irá ser reduzido para 3%, no mínimo, no próximo ano. Há semanas que o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, apresenta argumentos em Bruxelas para conseguir mais tempo para consolidar as finanças públicas do seu país.
Como sublinha o cronista Rob de Wijk, no Trouw, é o momento ideal para a Holanda deixar de dar lições aos “países dos dentes de alho”, como chamam aos estados do Sul da Europa, uma vez que
de todos os países ricos, as prestações da Holanda são as piores. A recessão que se sente no país é tão grande como a dos países dos dentes de alho, daí que não deixemos, de uma forma incessante e num tom arrogante, de tomar medidas.

quinta-feira, 1 de março de 2012

falar claro -6

-A China começa sábado a reunião dos 5000 delegados do PC chinês ao Congresso que vai escolher novo líder.
- A china vê o seu crescimento abrandar e está quase a descer abaixo dos 8% ao ano - o que corresponde a nível de perigo de desemprego selectivo galopante e possível implosão social.
- O congresso do PC chinês ocorre num momento em que as suas exportações para a Europa claudicam, o yuan desvaloriza deslizantemente , sobretudo face ao dólar, o comércio com o Japão deixou de fazer-se em dolares bem como com a Índia ou o Irão.
-Ocorre num momento em que o dólar se vai desfazendo nas transacções comerciais mundiais que é muito mais importante que a cotação através da composição das reservas nacionais....
-O índice USDX  - índice do valor do dólar usado ainda nos mercados financeiros é resultado de um cabaz de moedas ( ocidentais ) que já não representam a geopolítica e a geoeconomia mundiais, pelo que vamos assistir a um rápido desenvolvimento da guerra cambial.
- Em Portugal o governo que tinha corrigido a taxa de desemprego para o final deste ano para uns 14,5 , Vê já em Janeiro o desemprego ( o oficial...) chegar a 14,8%!.
- Os líderes europeus socialistas renegam o esquema de austeridade em cima de austeridade e preparam-se para amanhã e depois começarem a guerrilha dentro das instituições comunitárias.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SERÁ QUE O SENHOR DOS OLHOS AZUIS TEVE UMA EPIFANIA?

Grécia: FMI reconhece que o ‘tratamento’ está errado!

Mais vale tarde que nunca… Poul Thomsen, responsável FMI para a Grécia, já reconhece que se enganou e está “inquieto” com as consequências recessivas que o seu tratamento está a causar à Grécia!
Le chef de mission du FMI chargé de surveiller le redressement des finances grecques, Poul Thomsen, le 14 décembre 2011 à Athènes
Le chef de mission du FMI chargé de surveiller le redressement des finances grecques, Poul Thomsen, le 14 décembre 2011 à Athènes
Economie 01/02/2012 12:21
Le chef de mission du FMI chargé de surveiller le redressement des finances grecques, Poul Thomsen, a reconnu des erreurs dans le pilotage du pays depuis deux ans et plaidé pour moins d’économies budgétaires et davantage de libéralisation, dans un entretien publié mercredi.
“L’adaptation budgétaire a été fondée de manière exagérée sur les hausses d’impôts, nous aurions dû mettre davantage l’accent sur la limitation des dépenses, c’est l’un des secteurs où nous aurions pu être plus convaincants auprès du gouvernement”, a affirmé M. Thomsen, interrogé sur d’éventuelles erreurs du FMI par le quotidien grec Khatimerini.
“Même si beaucoup reste à faire, la Grèce a bien avancé”, a-t-il estimé, affirmant comprendre le malaise de l’opinion grecque face aux critiques rejetant la responsabilité du marasme sur le pays ou l’accusant d’être incapable de se redresser.

a democracia não serve para desenvolver Portugal -1

Quando nos anos 20 , Hitler publicou o seu Mein Kampf, ninguem nos países democráticos se preocupou com o que lá vinha escrito. Ningém? Não, dois dos políticos mais autocratas do Reino Unido e de França, lançaram avisos e pediram o rearmamento (caro) dos seus países: Churchil e De Gaulle.Não foram ouvidos e o caro rearmamento das democracias custou milhões de mortos e o fim da supremacia dos dois países.
Estes casos emblematizam como governar em ( melhor dito :para ) ciclos eleitorais torna impossível a tomada de medidas custosas mas inevitáveis.
Em relação À CRISE DA GRANDE RECESSÃO actual, não se percebe porque é que desde 2008 não houve regulamentação apertada da banca, divisão entre banca comercial e banca de investimento ( especulativa), tributação de todas as transações financeiras, lançamento de euro-bondes, harmonização fiscal completa na eurolândia, imposto Tobin para criar um orçamento europeu, etc.
Pode pensar-se que os chefes de governo não compreenderam logo a profundidade da crise, o que é verdade para Zapatero e José Sócrates ( que já o disseram ).
Pode suceder que os políticos tenham ciclos políticos demasiadamente curtos para pôr em prática medidas necessárias, o que em parte é verdade.
Mas a principal razão é outra: os políticos eleitos não têm mandato dos eleitores para anteciparem a resolução de problemas se eles ainda não se enxergam para o vulgo na sua verdadeira dimensão. Os políticos são eleitos com um programa para resolver problemas que já existem e existem de forma muito óbvia, e não para antecipar outros.
Daí que surjam custos de inação tanto maiores quanto maior for o tempo perdido. Sucede que nos países católicos como o nosso esse problema de governação é maior que nos protestantes porque noções e valores como sacrifício ( valoriza-se mais um qualquer milagre redentor), rigor ( elogia-se o desenrascanso ) , arriscar ( não há nada como o certinho...), ou  mudança ( toda a mudança é captada como um perigo, uma vez que questiona o status quo onde os interesses de cada qual se estabeleceram como um direito adquirido e a mobilidade social é um desvalor ) são todos valores menores.
 E tudo isto tende a ser ao contrário nos países protestantes , luteranos ou calvinistas, como procurarei mostrar noutros textos.

Assim, países como Portugal que se arrepiam com situações de sacrifício,rigor,risco ou mudança, serão sempre países com mais dificuldade em crescer em democracia ao ritmo dos países centro e norte europeus Mas podem concorrer com eles se o seu regime político fôr o mais adequado à sua cultura.

P.S. - para quem possa achar que o que fica dito acima é simplesmente baseado na situação conjuntural desta crise, lembro que , por exemplo na República Checa , um país com uma orografia, população e riquezas naturais como as nossas,a educação obrigatória começou 200 anos antes da nossa: em 1774 foi establecida a escolaridade obrigatória de 6 anos passando a ser de 8 em 1869 ; em Portugal não foi na república democrática que ela se iniciou, mas antes no Estado Novo em 1956 é que foi prevista por lei e só para os rapazes a escolaridade de quatro anos, sendo estendida aos dois géneros em 1960 e a obrigatoridade de oito anos só em 1970...Custa mas é a verdade!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

DRAGHI ANDA ENGANADO. Quando vir europeus contra europeus, ricos contra pobres e oriente contra ocidente perceberá que a economia é demasiado importante para ser deixada a cargo de economistas...


Euro

Draghi enterra o modelo social europeu

27 fevereiro 2012
La Tribune Paris
Faber
Numa altura em que o BCE se prepara para passar um novo cheque de 500 mil milhões de euros aos bancos, o seu líder afirma, sem hesitação, que, para sair da crise, os países sobre-endividados não têm outra solução senão aplicar uma política de rigor extremo. Palavras chocantes, mas necessárias, escreve La Tribune.
“O modelo social europeu está morto!” Nunca um banqueiro central falou com tal brutalidade sobre a crise que atravessamos. As declarações do italiano Mario Draghi, o sucessor de Jean-Claude Trichet, na longa entrevista que deu, na sexta-feira, 24 de fevereiro, ao Wall Street Journal, são de tal maneira violentas, pelo que implicam, que não podiam ter sido ditas senão à “bíblia” da finança mundial. Até mesmo Jean-Claude Trichet tinha mais cuidados com a linguagem quando tentava explicar aos povos europeus o que os esperava.
Para Mario Draghi, antigo banqueiro na Goldman Sachs e novo comandante da moeda europeia, salvar o euro terá um preço elevado. Na sua opinião, não há “escapatória” possível e vai ser preciso pôr em prática políticas muito duras de austeridade em todos os países sobre-endividados e isso implica renunciar a um modelo social baseado na segurança do emprego e numa redistribuição social generosa.
Esse modelo em que a Europa baseou a sua prosperidade desde a Segunda Guerra Mundial desapareceu (“has gone”), afirma Mario Draghi lembrando aos jornalistas do WSJ a fórmula do economista alemão Rudi Dornbusch: “Os europeus são tão ricos que se podem dar ao luxo de pagarem às pessoas para não trabalharem”.

A Margaret Thatcher dos tempos modernos

As palavras do líder do BCE podem parecer uma provocação, a escassos dias de o banco central passar um segundo cheque no valor de 500 mil milhões de euros aos bancos que, na próxima quarta-feira, 29 de fevereiro, irão buscar mais um empréstimo ao balcão ilimitado que foi criado para salvar o euro. Com tais declarações, como escapar às críticas cada vez maiores, de que o sistema está a sacrificar os povos para salvar os bancos?
Os argumentos expostos por Mario Draghi são definitivos: qualquer recuo nas ambições dos programas de desendividamento público provocará uma reação imediata dos mercados, que farão subir imediatamente as taxas de juro pagas pelos Estados, tornando ainda mais difícil, senão impossível, o restabelecimento das finanças públicas. Foi o que aconteceu na Grécia e o que quase aconteceu em Portugal, Espanha e Itália.
Evidentemente, as declarações de Mario Draghi estão ligadas ao calendário eleitoral europeu. Em abril na Grécia, em maio em França, na primavera de 2013 em Itália, os povos vão votar para escolherem o seu destino.
Ao explicar, à maneira de uma Margaret Thatcher dos tempos modernos, que seja qual for o resultado da votação, os governos eleitos não terão outra alternativa senão continuar as políticas de extremo rigor, porem em prática as reformas estruturais e desmantelarem ainda um pouco mais o seu modelo social, o presidente do BCE mostra qual é a direção.

As escolha dos ex-Goldman Sachs

E não lhe venham dizer que a atual acalmia dos mercados significa que a crise acabou. A prova de que não é assim chegará na quarta-feira, 29 de fevereiro, quando os banqueiros forem buscar ao BCE o apoio sem o qual o sistema financeiro não consegue sobreviver.
Sem a intervenção dos bancos centrais, nos Estados Unidos com a Quantitative easing [QE, redução para quase zero da taxa diretora] do FED, na Europa com a operação de financiamento a longo prazo [LTRO] do BCE, tudo se desmoronaria! Até mesmo a China se vê obrigada a ajudar os seus bancos em dificuldades. Bem-vinda ao cruel mundo do “QE”.