Jul 2010
Portugal entre os mais “virtuosos” no ajustamento – e esta…hem? – diário de bordo 113
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , Gestão do risco , crise
Numa comparação dos pacotes de austeridade para ajustar os orçamentos na União Europeia, o académico italiano Paolo Manasse (que entrevistei para o tema da “arqueologia” dos defaults) considera Lisboa, Bruxelas e Londres os mais “virtuosos”. Pelo menos nas promessas de ajustamento. Restará, depois, ver a concretização.
Portugal tem o plano de ajustamento mais “virtuoso”, quase dois pontos percentuais do produto interno bruto acima do esforço de um hipotético país “médio” que iniciasse um plano de ajustamento em 2009 em condições de dados económicos fundamentais similares, se excluirmos do modelo de benchmark a Grécia que está sob intervenção do FMI e de Bruxelas. O que é surpreendente. Mais “virtuoso” mesmo do que a Espanha ou a Itália. E é logo seguido da Bélgica, que, no dizer do exercício de comparação, “excede, também, em disciplina, provavelmente para tentar, com todas as suas forças, não acabar no clube dos PIIGS”.
Se a Grécia for incluída na construção do modelo para as medidas de 2010-2015, os mais “virtuosos” são a
Bélgica e o Reino Unido, logo seguido de Espanha e Portugal.
O exercício foi feito pelo académico Paolo Manasse, professor de Economia da Universidade de Bolonha, e publicado no La Voce Info, bem como no seu blogue pessoal (Black-of-the-envelope Economics), com um título bem sugestivo: “Virtuosos e Preguiçosos nos cortes do orçamento”. “[O caso português] é, sem dúvida, o ajustamento mais ambicioso, se excluirmos a Grécia da construção do modelo. A minha comparação analisa os cortes nos orçamentos que estão planeados. Resta ver se os governos, depois, cumprem o que prometem”, diz-nos Paolo Manasse, professor de Economia na Universidade de Bolonha.
Entre os “virtuosos” encontram-se, ainda, a Holanda, a Alemanha e a Grécia. Entre os “preguiçosos” contam-se o super-preguiçoso, a Itália, e dois mais moderados, a Áustria e a Eslováquia. A Irlanda não conta, dado ter efectuado os cortes orçamentais antes de 2010, refere o estudo.
O artigo de Manasse dirige-se ao público italiano e procura mostrar que o esforço de ajustamento planeado para 2011-2013 pelo governo de Silvio Berlusconi na ordem de €62 mil milhões em cortes na manovra finanziaria para esse triénio (e aprovado hoje pelos deputados da Câmara Baixa do Parlamento por 321 contra 270 votos e 4 abstenções) está abaixo do que deveria ser “para estar em linha com o esforço de consolidação europeu”. Necessitaria de um reforço de cortes em mais 2,4 a 2,7% pontos percentuais do PIB até 2015, diz Paolo Manasse.
sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
DA SÉRIE : FRASES QUE IMPÕE RESPEITO !
Território libertado
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]
"Com a probição das touradas na Catalunha, uma parte da Península Ibérica foi libertada da bárbara e degradante prática da flagelação e morte de animais para gáudio público.".
Comentário: O vício de pan-glotismo, pan-sectarismo, pan-angústia, pan-necessidade de fazer parte da moda - permanecem sempre, uma vez tendo sido comunista. Por mais inteligente, como no caso, com duas palas apenas, se diz a palavra vício.
[Publicado por Vital Moreira] [Permanent Link]
"Com a probição das touradas na Catalunha, uma parte da Península Ibérica foi libertada da bárbara e degradante prática da flagelação e morte de animais para gáudio público.".
Comentário: O vício de pan-glotismo, pan-sectarismo, pan-angústia, pan-necessidade de fazer parte da moda - permanecem sempre, uma vez tendo sido comunista. Por mais inteligente, como no caso, com duas palas apenas, se diz a palavra vício.
SOBRE O INIMIGO DE SÓCRATES
• O Jumento, COISAS DE BRUXAS:
‘O famoso DVD usado até à exaustão pela comunicação social na tentativa de linchamento de Sócrates apareceu miraculosamente nas mãos de jornalistas do SOL, um jornal onde o maior accionista era (e julgo qu é) um destacado dirigente do PSD, um tal Joaquim Coimbra que, curiosamente, é patrão de Marques Mendes e que ficou conhecido quando foi denunciado por Luís Filipe Menezes como sendo um dos vice-presidentes do PSD que se opôs à denúncia do BPN junto do Banco de Portugal.
Sucede que pouco tempo antes do aparecimento do famoso DVD a Freeport foi comprado pela Carlyle, um fundo de investimentos presidido por Frankl Carlucci e que nos países europeus costuma ser representado por figuras destacadas da direita, como sucede no Reino Unido onde é presidido por John Major, um velho amigo do PSD. Em Portugal era (não sei se ainda é) representado por Martins da Cruz, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barros, que abandonou o cargo para se dedicar aos negócios depois de se saber do esquema para que a filha entrasse na Faculdade de Medicina.
Foi a mesma Carlyle que no tempo em que Durão Barroso era primeiro-ministro tentou comprar a Galp, segundo a denúncia de Francisco Louçã queria fazê-lo sem meter um tostão, usando dinheiro generosamente emprestado pela CGD.
Sucede que a Carlyle não dava a cara no negócio, o testa de ferro local é uma holding financeira que se dá pelo nome de Fomentivest. Coincidência das coincidência o principal accionista da Fomentivest é Ângelo Correia e foi aí que Pedro Passos Coelho trabalhou, inicialmente como director financeiro e mais tarde como vogal do conselho de administração.
Curiosamente foi Ângelo Correia que numa entrevista a um semanário nos informou que o senhor Palma do sindicato (da treta) dos magistrados públicos é um latifundiário ... incrito no PSD.
Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!!!...’
‘O famoso DVD usado até à exaustão pela comunicação social na tentativa de linchamento de Sócrates apareceu miraculosamente nas mãos de jornalistas do SOL, um jornal onde o maior accionista era (e julgo qu é) um destacado dirigente do PSD, um tal Joaquim Coimbra que, curiosamente, é patrão de Marques Mendes e que ficou conhecido quando foi denunciado por Luís Filipe Menezes como sendo um dos vice-presidentes do PSD que se opôs à denúncia do BPN junto do Banco de Portugal.
Sucede que pouco tempo antes do aparecimento do famoso DVD a Freeport foi comprado pela Carlyle, um fundo de investimentos presidido por Frankl Carlucci e que nos países europeus costuma ser representado por figuras destacadas da direita, como sucede no Reino Unido onde é presidido por John Major, um velho amigo do PSD. Em Portugal era (não sei se ainda é) representado por Martins da Cruz, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barros, que abandonou o cargo para se dedicar aos negócios depois de se saber do esquema para que a filha entrasse na Faculdade de Medicina.
Foi a mesma Carlyle que no tempo em que Durão Barroso era primeiro-ministro tentou comprar a Galp, segundo a denúncia de Francisco Louçã queria fazê-lo sem meter um tostão, usando dinheiro generosamente emprestado pela CGD.
Sucede que a Carlyle não dava a cara no negócio, o testa de ferro local é uma holding financeira que se dá pelo nome de Fomentivest. Coincidência das coincidência o principal accionista da Fomentivest é Ângelo Correia e foi aí que Pedro Passos Coelho trabalhou, inicialmente como director financeiro e mais tarde como vogal do conselho de administração.
Curiosamente foi Ângelo Correia que numa entrevista a um semanário nos informou que o senhor Palma do sindicato (da treta) dos magistrados públicos é um latifundiário ... incrito no PSD.
Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!!!...’
quarta-feira, 28 de julho de 2010
PORREIRO PÁ ! !
Já aqui disse explicitamente que considero que o engenheiro José Sócrates é o melhor primeiro-ministro para Portugal no presente momento histórico e é o melhor que já tivemos em república democrática ( entre 1910 e 1926 e depois entre 1974 e o momento actual ).
Isto é o que penso.
Por isso é com enorme satisfação que vejo em dois dias este Homem conseguir duas enormes vitórias pessoais e para o país: ontem ficou totalmente ilibado do caso Freeport e hoje viu o veto que decidiu impor à PT render mais dinheiro à mesma, seus acionistas e ao país que nao vai perder o seu know - how nas telecomunicações, quer no Brasil, quer com o ( muito ) dinheiro sobejante , em Angola, Moçambique e Àfrica do Sul.
Por isto apetece-me gritar-lhe:-" Porreiro pá!!.
E, para quem pense como eu, o gozo que dá passar os olhos pelos blogues esgaseados que o causticaram, desde o Arrastão bloquista, ao Cinco Dias comunista, passando pelo fascistoide 31 da Armada ou o Passoano Albergue Espanhol.
Mas gozo, gozo só vendo a cara de perplexidade idiota do economista Cavaco Silva e seus acólitos! Que grande bolo-rei, meu deus!....
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O MEU DIA - O DIA DOS AVÓS !
Sempre quis ter o Meu Dia. Sim, porque ele há o dia de isto e daquilo, e também daqueloutro. Mas nunca houve o dia do Zé vá-se lá saber porquê.
Mas eis que alguma alma iluminada percorrendo os curiosos caminhos da Net descobre que o Dia 26 de Julho é o Dia dos Avós ! É o meu dia, já tenho dia, já cá canta!
Reza a lenda que que no Ano primeiro A.C., Ana e Joaquim ( Santa Ana e São Joaquim para a liturgia católica ) eram um belo casal idoso que não conseguia ter filhos. Vai daí, um dia, sim porque nestas coisas há sempre um dia, aparece-lhes um Anjo a anunciar-lhes que haveriam de ter uma menina a quem poriam o nome de Maria e seria amãe de Jesus. Assim foi, e Ana e Joaquim vieram a ser os avós de JESUS e santa Ana a padroeira das grávidas e das mulheres que desejam ter filhos, que , como se sabe, é uma espécie em vias de extinção e muito necessitada de ser salva.
O meu Jesus chama-se João e foi para mim uma epifania absoluta. Ele, na altura do seu ano e meio ainda não sabe mas já paira na auréola mística do avô, e provavelmente dos outros avós, como o seu mini jesus. Donde o meu próximo Natal, mesmo que sem a sua presença física, vai ser com ele no centro das minhas atenções porque é ele o verdadeiro menino jesus. Em conformidade vou falar-lhe do que importa: vou recordar-lhe o que mais ninguém está apto a recordar-lhe - a sua raíz, os seus trisavós.
Na verdade só dois, que os outros já tinham morrido e só os conheci por ouvir dizer. Mas posso falar-lhe do tri-avô Abel ( meu avô ) e da tri-avó Aurora ( minha avó ) para ele compreender que aquela estranheza que sente em relação aos velhos avós já por estes foi sentida em relação aos seus.
O meu avô Abel morreu de enfarte do miocárdio em Cinfães, numa altura em que aquela terra ainda se escrevia Sinfães! Morreu numa das suas viagens pelas terras que eram suas e que fazia a cavalo. Levantava-se diariamente às quatro da matina, arreava um dos cavalos e às cinco já tinha devorado algumas léguas. Levava com ele uma bucha para o dia e uma tesoura de poda e quando chegava às tapadas punha-se a aparar pinheiros para estes crescerem só para o céu, para onde ele agora está. Acho que foi de tanto apontar para lá, para o Céu, que um dia um anjo o veio convidar a partir e ele aceitou. Sim, porque usando nunca dizer Não, nunca fazia o que não queria. Às vezes levava-me comigo em pequeninas viagens , cada um no seu cavalo que ele me deu, e depois tirou, quando me viu a fazer treinos equestres a subir, montado, e a descer a escadaria da entrada da quinta no Douro.
Um dia, em mais um dia de Natal luminoso, tinha eu os meus 16 anos, fomos logo de manhã até à foz do Douro e a certa altura passou no rio uma lancha muito rápida . Ficamos ambos a olhá-la , invejosos. E o meu avô, que chegara a ter cinco barcos rabelos - um dos quais trouxera a minha mãe e um irmão para o Porto , ainda não havia estrada decente que não o rio, para iniciarem os estudos liceais - ficou vidrado na lancha e disse-me : - " quando a barragem ( do Carrapatelo ) estiver feita havemos de ter um!"
É claro que contei isto à minha mãe e às irmãs que acharam que se não era eu que estava doido, era o pai delas. E foi neste preciso momento que deve ter ocorido uma das coisas mais importantes que moldaram a minha vida. É que se as filhas do meu avô não acreditavam no que o meu avô me dizia , era porque eu era o eleito do meu avô. A pessoa que ele elegera para cúmplice dos sonhos que a sua racionalidade não permitia publicitar. EU ERA O ELEITO dentre os vinte e tal netos. E se a " autoridade" soberana do meu avô me tinha escolhido entre os demais era porque ELE SABIA : Eu era único!
Foi assim que me fui tornando uma pessoa afirmativa, com elevada auto-estima que às vezes roça a arrogância, mas é assim mesmo, quando um avô nos reconhece e elege como bons , essa marca fica para o resto da nossa vida porque não há maior autoridade que a do nosso avô. Ele tem o poder e simultaneamente a autoridade que se nos apega à pele para o resto da nossa vida. Sobretudo quando é o avô materno!
Pouca gente sabe isto, João, meu neto, mas o apego, a ligação que os netos têm aos avós é geralmente mais forte aos avós maternos que aos paternos, porque a mãe com o exercício do seu tropismo e influência natural "puxa" os filhos para os pais dela....
Por tudo isto, e porque o avô Abel era o meu único avô e porque era o materno, eu fiquei assim: se ele dizia que eu era o maior é porque eu era o maior.
De resto a sua história de vida ajudava à autoridade : ele tinha sido "despachado" pelo pai dele, aos 10 anos!, para o Brasil, sozinho num barco rabelo até ao Porto. Aí perguntara onde ficava Leixões e para lá foi a pé. Em Leixões tomou o vapôr que o levou até ao Rio de Janeiro onde, como Ferreira de Castro escreve no romance A Selva , entregou a carta de chamada de um qualquer conhecido do meu bisavô e, nessa altura passou pelo inferno de Dante, e foi tudo,particularmente marçano duma mercearia, longos anos dormindo em cima dos sacos de batatas, até gritar o grito do Ipiranga, mandar o patrão à merda e voltar a Portugal para casar com a avó Aurora.
A minha avó Aurora era a mulher fina da freguesia. Tinha a terceira classe feita e era a única. Os pais gozavam da fama de abastados e ela prendeu-se de amores com aquele tipo do Brasil que ela mal conhecia a não ser por carta às escondidas dos pais, e afirmou-lhes o seu direito de casar com quem queria.
A minha avó Aurora era senhora de muitas terras e os pais dela não compreendiam porque haveria ela de juntar os pucarinhos com um tipo dos brasis que tinha um pai que o obrigara a emigrar apesar de há duas gerações ganharem bom dinheiro com o negócio da madeira. Aliás o primeiro ( Couto ) que por lá aparecera era até um tipo da roda que se sabia vagamente que era fugido da Áustria e da guerra entre a Áustria e a Prússia ( ele não, mas os pais dele ).
Por isso foi um grande estorvo aquele casamento. Mas ao pragmatismo do meu avô Abel ajuntava agora a minha avó Aurora um sentimento mais que moral da ética. Seguramente ela nunca ouviu falar de Kant mas a ética kantiana do Dever era nela uma impressão genética. Por isso fez o que tinha a fazer e em poucos anos , como a mulher da casa (que de facto mandava no marido), foram construindo a casa da Arroteia que até tinha uma tasca por baixo para desenrrascar umas coroas no início do casamento; casa que depois foi minha muitos anos e onde os meus filhos passaram longos estadios. Quando finalmente acharam que os copos e as madeiras vendidas eram suficientes, construiram a Casa Baixa que hoje é do meu tio Carlos; e quando já se podiam dizer de remediados mandaram construir a Casa Alta, uma casa abrasileirada, a primeira no concelho a ter quarto de banho e que era a modos que uma torre a espaventar o esplendor da riqueza: Contradições próprias dos portugueses!
Mas deixaram para a posteridade a casa que é a única casa classificada do Concelho de Cinfães e é hoje do meu tio João.
O importante de toda esta estória é que a minha avó Aurora deve ter crescido na maturação da sua feminilidade e foi com ela que ainda pude aprender o lado ascético e irónico da vida. Sabes, meu neto João, quando um dia eu estava de férias na Casa Alta a brincar com um barquinho (feito pelas minhas tias a partir duma cana de canavial ) numa levada do ribeiro que passava à porta da cozinha, ia ouvindo o para-aqui-e-para-ali duma mulher que trazia à minha avó Aurora, já depois de muita conversa a preparar o terreno, qualquer coisa como isto:"- E a propósito- dizia a corva - vi ontem o senhor Abel a entrar no palheiro da Eira onde a carlinha do Bacêlo estava a trabalhar e esteve lá um bom tempão a ajudar a rapariga!.... E a minha avó Aurora: "-E a sua filha anda melhor dos joanetes?".
Um dia - e ainda há pessoas que acham que um puto fiúza de cinco anos não percebe as coisas - entrou um caseiro capaz de matar uma horda de vizinhos porque não lhe cumpriam a hora da levada. A minha avó Aurora que eu sempre conheci sentada com uma manta pelas pernas, atentou no homem, mandou a uma das filhas que lhe servisse uma malga vidrada em branco ( que eu tenho ) de tinto, e disse em voz baixa para os filhos que viviam no Porto e estavam lá de férias em Agosto:"-Ouvi, mais vale um mau acordo que um bom litígio". E a minha mãe e os meus tios que começavam a ferver com as acusações do homem lá se foram acalmando e ele saiu da cozinha para a vida com outro rumo no coração. Era assim a minha avó Aurora , cheia de máximas que reduziam o mundo a uma frase e acertavam sempre.
Por tudo isto, e sobretudo como expliquei acima, por os avós do lado da nossa mãe terem tendencia a serem para nós muito mais importantes que os paternos, e correndo eu o risco de nunca vir a ter possibilidades de te contar estas coisas que são o húmus da nossa vida, faço questão meu querido neto João, de te ir deixando algumas notas do que és. O meu menino Jesus de todos os próximios Natais.
sábado, 24 de julho de 2010
E A IRLANDA ESTÁ A IR AO FUNDO
Exposição da banca portuguesa aos outros PIIGS é mais de 1/5 do PIB
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económica , O novo capital financeiro , crise
ainda sem comentários
A exposição da banca portuguesa a Espanha, Grécia, Irlanda e Itália era de 53 mil milhões de dólares no final de 2009. O equivalente a 23% do PIB desse ano. Mais de metade dessa exposição era relativa a Espanha. Trocado por miúdos: se houver gripe suína nos outros “colegas” do grupo, os créditos que a banca portuguesa tem a haver entram em choque. E vice-versa. É uma teia bem tecida.
A exposição agregada da banca portuguesa a “residentes” no grupo mais frágil da zona euro, denominado humoristicamente por PIIGS (acrónimo em inglês para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), totalizava 53 mil milhões de dólares, em valores consolidados, no final de Dezembro de 2009, segundo dados do Bank for International Settlements (BIS), recorda, esta semana, o relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a “saúde” da economia da zona euro.
Esse montante equivalia a 23% do nosso produto interno bruto (PIB), um valor relativo elevado só ultrapassado pela banca da Irlanda, cuja exposição aos outros PIIGS correspondia a 91 mil milhões de dólares, ou seja 40% do seu PIB. O peso da exposição dos bancos espanhóis ou italianos aos outros PIIGS era de 10% e 3% do PIB respectivamente. O relatório do FMI não fornece dados da exposição da banca grega.
A maior fatia da exposição da banca portuguesa aos outros PIIGS dirige-se a Espanha (55% do total), seguida da Grécia (19%) e da Irlanda (16%). Por seu lado, os bancos estrangeiros mais expostos a Portugal são os espanhóis que contam com 36% do total da exposição estrangeira a Portugal. O que revela um cordão umbilical de exposição entre os dois sistemas financeiros. Na lista de exposição a Portugal seguem-se, depois, a alguma distância, os bancos alemães (19,7%) e os franceses (18,9%).
A exposição da banca estrangeira a Portugal somava, no final de 2009, 238 mil milhões de dólares, mais do que a exposição da banca estrangeira à Grécia (que somava 199 mil milhões).
A banca mais exposta aos PIIGS era a francesa (quase 900 mil milhões de dólares, o equivalente ao PIB do México que foi, em 2009, a 14ª economia do mundo), seguida da alemã (mais de 700 mil milhões de dólares). Compreende-se, por isso, a “sensibilidade” da banca francesa e alemã ao que se passa no grupo com maiores probabilidades de default dentro da zona euro.
O país do grupo dos PIIGS com maior exposição da banca estrangeira, no ano passado, foi a Itália (1 bilião de dólares em valores consolidados).
Se a banca portuguesa estava mais exposta a Espanha, e a espanhola a Portugal, a banca irlandesa estava exposta sobretudo a Itália, e a italiana a Espanha. Uma malha bem tecida, em que um resfriado em qualquer um dos PIIGS se repercute em cadeia. No caso da Irlanda, a banca estrangeira mais exposta é, naturalmente, a do vizinho inglês.
Nota: Nos “residentes” incluem-se os sectores bancário e não bancário privados e o público. Por “exposição” entende-se créditos sobre residentes daqueles países.
Fonte: FMI, Country Report 10/221, 22 de Julho de 2010, Economic Health Check, Parte B, página 6, quadro “Bank Exposures to Selected Countries”, Dezembro de 2009.
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económica , O novo capital financeiro , crise
ainda sem comentários
A exposição da banca portuguesa a Espanha, Grécia, Irlanda e Itália era de 53 mil milhões de dólares no final de 2009. O equivalente a 23% do PIB desse ano. Mais de metade dessa exposição era relativa a Espanha. Trocado por miúdos: se houver gripe suína nos outros “colegas” do grupo, os créditos que a banca portuguesa tem a haver entram em choque. E vice-versa. É uma teia bem tecida.
A exposição agregada da banca portuguesa a “residentes” no grupo mais frágil da zona euro, denominado humoristicamente por PIIGS (acrónimo em inglês para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), totalizava 53 mil milhões de dólares, em valores consolidados, no final de Dezembro de 2009, segundo dados do Bank for International Settlements (BIS), recorda, esta semana, o relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a “saúde” da economia da zona euro.
Esse montante equivalia a 23% do nosso produto interno bruto (PIB), um valor relativo elevado só ultrapassado pela banca da Irlanda, cuja exposição aos outros PIIGS correspondia a 91 mil milhões de dólares, ou seja 40% do seu PIB. O peso da exposição dos bancos espanhóis ou italianos aos outros PIIGS era de 10% e 3% do PIB respectivamente. O relatório do FMI não fornece dados da exposição da banca grega.
A maior fatia da exposição da banca portuguesa aos outros PIIGS dirige-se a Espanha (55% do total), seguida da Grécia (19%) e da Irlanda (16%). Por seu lado, os bancos estrangeiros mais expostos a Portugal são os espanhóis que contam com 36% do total da exposição estrangeira a Portugal. O que revela um cordão umbilical de exposição entre os dois sistemas financeiros. Na lista de exposição a Portugal seguem-se, depois, a alguma distância, os bancos alemães (19,7%) e os franceses (18,9%).
A exposição da banca estrangeira a Portugal somava, no final de 2009, 238 mil milhões de dólares, mais do que a exposição da banca estrangeira à Grécia (que somava 199 mil milhões).
A banca mais exposta aos PIIGS era a francesa (quase 900 mil milhões de dólares, o equivalente ao PIB do México que foi, em 2009, a 14ª economia do mundo), seguida da alemã (mais de 700 mil milhões de dólares). Compreende-se, por isso, a “sensibilidade” da banca francesa e alemã ao que se passa no grupo com maiores probabilidades de default dentro da zona euro.
O país do grupo dos PIIGS com maior exposição da banca estrangeira, no ano passado, foi a Itália (1 bilião de dólares em valores consolidados).
Se a banca portuguesa estava mais exposta a Espanha, e a espanhola a Portugal, a banca irlandesa estava exposta sobretudo a Itália, e a italiana a Espanha. Uma malha bem tecida, em que um resfriado em qualquer um dos PIIGS se repercute em cadeia. No caso da Irlanda, a banca estrangeira mais exposta é, naturalmente, a do vizinho inglês.
Nota: Nos “residentes” incluem-se os sectores bancário e não bancário privados e o público. Por “exposição” entende-se créditos sobre residentes daqueles países.
Fonte: FMI, Country Report 10/221, 22 de Julho de 2010, Economic Health Check, Parte B, página 6, quadro “Bank Exposures to Selected Countries”, Dezembro de 2009.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
GUINÉ EQUATORIAL
Anda hoje e tem andado todos estes dias muito atarefado o senhor presidente da nossa república, Cavaco Silva. Tudo por causa do pedido de pertença ( de entrada ) à CPLP, que é assim a modos que uma espécie de clube de países ex-colónias portuguesas. Só que nesta Guiné manda um horrível ditador mas também há patróleo. De modo que o coração do nosso presidente parece balouçar : como político ,não!; como economista,sim!.
O mais engraçado é que, logo por acaso, iniciei hoje a publicação de um grande ensaio sobre inteligência . das pessoas e dos povos - e esta Guiné está em último lugar, com um Q.I. médio de 60! ( para quem não sabe um Quociente de Inteligência normal é de 100 , mais dez, menos dez ).
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