sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O MELHOR

A história do aluno que ( com o 9º ano somente ), com média de vinte a uma só disciplina, foi o aluno português com melhor média a entrar ( e poder escolher em primeiro lugar ) num curso duma universidade portuguesa, é chocante.
Pasmo como não se falou mais nisso.
A não ser que o chico-espertismo nacional - de tão batido - já não desperte interesse.

Agora que o Ministro da Educação Isabel Alçada se mantenha calado sem assinalar uma mudança na Lei que permite esta aberração, é realmente grave ( como infelizmente me vou habituando na governação deste Ministro ).

HABEMOS BENTO !

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MAIS DE BANCOS PORTUGUESES A VIVEREM DA COISA PÚBLICA

“Bancos portugueses ajudam Estado.” A notícia é muito pertinente, mas o título do Público é equivocado, como um comentador logo alertou. O título bem que podia ter sido “Estado ajuda bancos portugueses”. Os bancos portugueses financiam-se junto do Banco Central Europeu a taxas de juro de 1% e emprestam ao Estado a taxas que oscilam entre os 3%  e os 6%, dependendo dos prazos, e assim consolidam os seus balanços. Porreiro, pá: estão a ver a transferência de recursos devido às aberrantes regras europeias, que, ao contrario do que se passa nos EUA ou no Japão, por exemplo, separaram a política orçamental da política monetária, impediram que o BCE financie, de forma directa e parcial, os Estados e ajudaram a alimentar esta crise da dívida nas periferias e toda a conveniente especulação no seguimento de uma crise financeira brutal? Seja como for, é o capitalismo financeirizado em todo o seu esplendor: os bancos ganham sempre. Leiam Nuno Aguiar e Luís Ribeiro no i. O Nuno Teles adiciona dados para o entendimento da questão bancária em Portugal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

FOR RESPECTABLE PEAOPLE, THE ANGLICAN CHURCH WILL DO

Crónicas da Renascença: O Bispo de Roma em terras de Sua Majestade*



Com a beatificação do Cardeal Newman, Bento XVI terminou anteontem a sua visita ao Reino Unido. Uma visita difícil, não apenas pelo momento (os escândalos de pedofilia, a que o Papa se referiu duramente na viagem de avião, e os protestos vários), mas sobretudo pela história. A Inglaterra visitada pelo Papa construiu a sua identidade moderna, talvez mais do que qualquer outra nação da Europa, no conflito com os "papistas". Henrique VIII cortou com o passado católico do reino, pôs-se à cabeça da Igreja inglesa e, por fim, cortou a cabeça ao ex-chanceler Thomas More (sim, o da Utopia) e aos poucos que se opuseram a essa peculiar forma de união entre a Igreja e o Estado desde então conhecida por anglicanismo - união que ainda se mantém, apesar da secularização da sociedade inglesa. No tempo em que Shakespeare escrevia, Isabel I resistiu à invasão espanhola da Invencível Armada, campeã da ortodoxia papal. A Gloriosa Revolução de 1688 foi, no fundo, uma guerra civil em que o Parlamento derrubou um rei, Jaime II, suspeito de querer restaurar o catolicismo. Até ao século XIX, os católicos estavam legalmente impedidos de ser eleitos para a Câmara dos Comuns e, portanto, para o Governo. Mesmo a Home Rule, o estatuto de autonomia da Irlanda anterior à independência do século XX, foi apodada por muitos de Rome Rule - a lei de Roma. A emigração de hordas de irlandeses miseráveis para as cidades industriais de Inglaterra e da Escócia também não ajudou a melhorar a imagem do catolicismo, associado às classes baixas e incultas. E, antes dos atentados da Al Qaeda, o único terrorismo que a ilha conheceu, o do IRA, proclamava à bomba a identidade católica. Em suma, compreende-se que haja entre os súbditos de Sua Majestade um ódio histórico ao Papa, símbolo de quase tudo o que combateram nos últimos quinhentos anos.

Bento XVI fez algumas alusões subtis a este passado, homenageando tanto a resistência britânica ao nazismo como a raiz cristã da Magna Carta, que garantiu as liberdades da Igreja face à coroa, ou visitando a Rainha em Edimburgo antes do Arcebispo de Cantuária, forma airosa de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, ou discursando no local do martírio de Thomas More em Londres perante alguns dos seus sucessores no cargo, entre os quais Margaret Thatcher e Tony Blair (by the way, um recente convertido ao catolicismo). Mas a maior dificuldade da visita não estava na história turbulenta da ilha: estava nas actuais relações entre as Igrejas católica e anglicana, aspecto que escapou por completo aos jornalistas.

Convém recordar que o anglicanismo vive hoje uma crise gravíssima. A decisão de ordenar mulheres e homossexuais e de aceitar o casamento gay, tomada pelas igrejas de Inglaterra, Canadá, Estados Unidos e Austrália, provocou uma ameaça de cisma por parte dos asiáticos e dos africanos e a virtual cisão da fé anglicana em dois blocos étnicos. Mais do que isso, milhares de fiéis ingleses e muitos pastores, descontentes com mudanças tão radicais, pediram a admissão na Igreja de Roma, criando um problema canónico sem precedentes. Os bispos do Reino Unido e o Cardeal Walter Kaspert, responsável pelo diálogo ecuménico no Vaticano, temiam que esta vaga de conversões causasse algum incómodo entre os protestantes, além de naturais problemas de integração na comunidade católica. Há um ano, porém, o Papa surpreendeu tudo e todos ao criar uma estrutura autónoma, semelhante aos ordinariatos castrenses, exclusivamente para acolher os convertidos do anglicanismo, permitindo-lhes manter o seu próprio clero e a sua própria liturgia.

Foi uma verdadeira revolução e ninguém sabe o que vai acontecer agora. A transferência de fiéis continuará? O êxodo dos conservadores, em regra mais praticantes e comprometidos, reduzirá o anglicanismo à irrelevância? (Uma pergunta que paradoxalmente levou Bento XVI a defender, por várias vezes, a presença da religião no espaço público.) Do ponto de vista político, justifica-se que um país cada vez mais secularizado e multicultural mantenha a confessionalidade do Estado? Se isso mudar, muda também o papel da rainha como chefe da Igreja anglicana? E nos casos em que paróquias inteiras mudam de obediência, as igrejas (bens públicos, note-se) voltarão a ser propriedade da Igreja católica cinco séculos depois?

É curioso que o último acto da visita papal, a beatificação de Newman em Birmingham, possa ser visto como uma resposta a estas questões. John Henry Newman foi capelão universitário, fellow do Oriel College e fundador do Movimento de Oxford, antes de se converter ao catolicismo em 1845. A conversão, um choque para os amigos e conhecidos, provocou o fim da promissora carreira nos establishment anglicano e o início da eterna desconfiança da hierarquia católica, antes de ser nomeado cardeal por Leão XIII (também aqui um visionário) em reconhecimento pela sua obra teológica e pelo seu trabalho pastoral. Com efeito, os textos de Newman sobre historicidade da Igreja, razão e fé, autoridade eclesiástica e liberdade de consciência, escritos a propósito de algumas das mais acesas polémicas doutrinais da época, influenciariam profundamente Chesterton, Tolkien, C. S. Lewis, o Vaticano II e um jovem teólogo presente no concílio chamado Joseph Ratzinger. Ao deslocar-se a solo inglês para beatificar Newman, quebrando mais uma vez o protocolo, esse jovem teólogo, hoje Papa, confirmou a definição irónica de Oscar Wilde: a Igreja católica é só para santos e pecadores. "For respectable people, the Anglican Church will do".
NOTA  de  csp : este post sobre a visita papal ao reino unido  retirado com a devida liçença do blog  " O Cachimbo de Magritte "   e  da autoria do jornalista da Renascença Pedro Picoito,    DISPENSA-ME  de escrever sobre o assunto como eu tinha decidido. Primeiro porque está completo e segundo porque está muitíssimo bem escrito. Num país onde há jornalistas especializados para tudo até motorizadas, não entendia porque é que não havia outros especializados na coisa mais nobre que pode haver na nossa vida: a nossa religião. Pelos vistos estava enganado: já há.

A COISA ESTÁ NEGRA PARA O ANO

Risco de trapalhada em 2011
 Quando “se governa por analogia”, como diz Jean-Pisani-Ferry, diretor do Bruegel, um think tank europeu, o resultado desemboca “numa trapalhada”. As projecções da OCDE apontam, agora, para uma desaceleração em 2011 tanto no PIB mundial como no comércio internacional. A assimetria gritante de ritmos de crescimento entre, por um lado, uma boa parte dos países desenvolvidos e, por outro, os emergentes e mesmo outros desenvolvidos é crescente, o que fez regressar do baú da história económica o medo de uma recaída na recessão (double-dip, na designação em inglês) em muitas economias desenvolvidas com potencial de contágio global.
O “Livro Bege” da FED falou, recentemente, de “uma profusão de sinais de abrandamento em relação aos períodos anteriores” e a sondagem da semana passada do instituto alemão ZEW revela um índice negativo de expectativa dos investidores em relação ao andamento da economia alemã, o motor da União Europeia e da zona euro.
Alguns mais pessimistas admitem que os Estados Unidos e a Zona Euro imitem a síndrome japonesa, com uma anemia de 1% de crescimento médio decenal. Com um problema adicional no que toca a União Europeia, levantado por um manifesto de economistas franceses de inspiração Keynesiana este mês: o facto de, no conjunto, a União estar pouco aberta sobre o exterior. Os países membros da EU têm por principais clientes e concorrentes os “colegas”. Uma redução massiva de despesas públicas simultânea em conjugação com políticas mercantilistas dos mais abertos ao exterior pode gerar um efeito bola de neve, avisam esses economistas. Outra particularidade é o facto de a economia real europeia depender para o seu financiamento em 80% do sistema bancário – e não do mercado de capitais, como é o caso da americana.
Ao desenho optimista em “V” da crise mundial substitui-se o “W”. Os mais pessimistas agitam mesmo um cenário em “L”, ou seja uma longa cauda de depressão, apesar dos sábios do NBER acharem que já se procedeu à inversão de dinâmica, que já se ultrapassou o que, tecnicamente, se designa por trough (vala, em que se passa de um período de depressão para uma retoma económica).
O medo não largou o edifício
Revelando que a economia real não está “convicta” da luz ao fundo do túnel para breve, e que o mundo da finança continua mergulhado na especulação, os sinais estão à mostra.
“O medo não largou o edifício”, diz Peter Cohan. O sinal mais óbvio é o do preço da onça de ouro, que subiu 33% desde Janeiro de 2008 e se aproxima do recorde nominal de 1300 dólares, indicando o papel de refúgio deste metal precioso. A especulação nas outras commodities continua ao rubro provocando oscilações “selvagens” dos preços com impactos dramáticos de um sobe e desce que inflaciona, por vezes, o dia-a-dia dos consumidores (gerando inclusive revoltas contra a carestia de vida), e deflaciona, outras vezes, os rendimentos dos países produtores e exportadores. Como exemplo, o Banco Mundial referiu que a América Latina é um dos continentes vulneráveis a esta volatilidade: Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela recebem entre 10% e 49% dos seus rendimentos da venda de commodities agrícolas, metais e petróleo e gás.
No mercado dos derivados financeiros ligados à dívida soberana rebentou uma onda de especulação em torno do disparo das probabilidades de default (incumprimento) num horizonte de cinco anos, com particular destaque para cinco países da zona euro (os humoristicamente chamados de PIIGS) e outros três membros da União Europeia, a Hungria, Roménia e Letónia.
Terapia europeia falha
A intervenção do Fundo Monetário Internacional na Grécia à beira de default no fim de semana de 7 a 9 de maio, a criação do Fundo de Estabilização do euro, a divulgação dos testes de stresse dos 91 bancos europeus e o papel de “bombeiro” financeiro do Banco Central Europeu (BCE) deveriam ter “acalmado” a situação – mas isso não está a acontecer. As próprias formas do BCE actuar como financiador de último recurso são cada vez mais “criativas”, referia esta semana o Eurointelligence.
O problema de endividamento público excessivo em diversos países regressou, assim, à ribalta, bem como a tomada de consciência da diminuição drástica do “espaço orçamental”, ou seja da margem de manobra das políticas Keynesianas por via governamental, e da armadilha da taxa de juro de referência manipulada pelos Bancos Centrais, já na “cave” (em muitos casos com juros reais negativos), como referem, com ironia, alguns analistas.
Os longos períodos de adaptação do sistema financeiro permitidos pela legislação aprovada pelo Congresso americano e sugeridos também pelas orientações de Basileia III trazem um risco acrescido. “Caso o sistema bancário não seja regulado adequadamente, o capital financeiro move-se em ciclos de expansão e de contracção de 8 a 10 anos e um novo pode estar em gestação agora. Se as exigências de aplicação de diversos rácios de capital dos bancos se arrastarem entre 2015 e 2023, como se ouviu referir nas conclusões em Basileia, deveremos esperar um processo de expansão e colapso económico entre hoje a aquela data mais afastada”, diz-nos Peter Cohan, subindo o tom de preocupação.
Só, na semana passada, os ministros das Finanças discutiram um documento confidencial de 10 páginas apresentado pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e se decidiram por instituir um trio de agências de regulação e iniciar uma “coordenação das políticas orçamentais e económicas”.

A QUESTÃO DO RACISMO VISTA A FRIO.

Quero deixar aqui claro que não sou racista. Não me deixo é calar pela hipocrisia do politicamente correcto. E quem pode negar que os ciganos roubam, vivem à conta do Estado, não cumprem as leis e não querem trabalhar? Que batem em médicos e professores, andam armados e traficam droga? Que casam as filhas com 12 anos e só as metem na escola para receber o rendimento mínimo?
Não sou racista. Mas como pode o politicamente correcto dizer que os muçulmanos em geral e os árabes em particular não professam uma religião violenta, não são intolerantes e não desrespeitam os direitos das mulheres? Que não simpatizam com o terrorismo? Que não querem destruir a forma de viver do Ocidente? Que não abusam da nossa tolerância?
Não sou racista. Mas há alguém que não veja que são quase sempre os africanos que nos assaltam nas ruas, que entram aos magotes nos comboios da linha de Sintra e palmam tudo o que encontram? Que querem andar com bons ténis e para isso não hesitam em ficar com o que não lhes pertence? Que não sabem governar os seus próprios países e é por isso que emigram aos milhões?
Não sou racista. Mas não reparam que os chineses nos enchem o mercado de produtos baratos, destroem a nossa economia e o comércio tradicional e nunca se integram na sociedade nem têm qualquer contacto com os portugueses? Que eles sim, é que são racistas?
Eu não sou racista. Mas ao ler os parágrafos anteriores, que repetem as certezas populares que por aí se ouvem, misturando generalizações, mentiras e verdades, sempre na ânsia de encontrar o Inferno nos outros, não serei obrigado a concluir que, com excepção dos brancos, o mundo é composto por criminosos e parasitas?
Publicado no Expresso Online ( excerto do artigo completo ).
NOTA DE CSP: o texto que acabaram de ler é da autoria do bloquista mais conhecido da intelectualidade mediática bloquística. Por isso me surpreende, por isso me dá alento: Não é todos os dias que se vê tamanha lucidez e tanta coragem. Está publicado no blog ARRASTÃO.
 Como a do actor americano que foi a tribunal responder por racismo com os argumentos que estão no post que segue.