quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REVELAÇÃO DO ANO QUE PASSOU

Revelação do ano
Para quem acompanha a situação na Grécia, a histeria com que os rottweilers da direita reagiram às declarações de Pedro Nuno Santos num jantar de Natal parece um sinal óbvio de miopia política. Soube-se hoje que o governo grego exige renegociar as condições com a troika (com a anulação até 75% da dívida), tendo advertido Merkel & Companhia de que, se não houver acordo em relação ao segundo pacote de resgate, a Grécia pode abandonar a zona euro.

A escolha do deputado do PS como revelação do ano não tem a ver com a declaração na qual instava o governo dos estarolas a defender os interesses de Portugal, usando para o efeito os instrumentos que tem à sua disposição. Muitos outros têm defendido o mesmo.

A escolha de Pedro Nuno Santos deve-se à sua intervenção no XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista, na qual fez uma clara demarcação entre os desígnios do neoliberalismo e os que devem nortear a esquerda democrática na hora actual. Eis a sua intervenção  AQUI

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MADEIRA DELENDA EST

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011Menos mau do que parece
Publicado por Vital Moreira
Os madeirenses vão pagar o preço da irresponsabildiade financeira do goveno regional da Madeira . Mas vão continuar a beneficiar de um elevado montante anual de transferências do orçamento da República, para o qual não contribuem um cêntimo, e da isenção de contribuição para as despesas gerais da República, que só os contribuintes do Continente suportam.
Há privilégios que custam a desaparecer...

SÓ OS VELHOS POLÍTICOS MOSTRAM TER JUÍZO

O antigo primeiro-ministro de François Mitterand afirma hoje (3 de janeiro) no jornal francês Le Monde que a dívida que vence nos estados da zona euro deveria ser refinanciada com juros muito baixos que tornem possível “respirar” às economias aflitas.
Em 2012, os países da zona euro vão ter de refinanciar €1 bilião (1000 mil milhões) da dívida soberana que vence. No caso de Itália serão €440 mil milhões e no caso de França €300 mil milhões. O refinanciamento da dívida não inclui as novas emissões de dívida que terão de ser realizadas para “tapar” os défices orçamentais de 2012.
Face a esta avalancha de refinanciamentos, o antigo primeiro-ministro francês Michel Rocard e o economista Pierre Larrouturou escandalizam-se com o facto de que os bancos comerciais da zona euro se possam refinanciar a juros de 1% junto do Banco Central Europeu (BCE), mas, em contrapartida, os estados têm de pagar múltiplos desse nível de juros para lidar com a dívida soberana. Rocard e Larrouturou questionam estes dois pesos e duas medidas num artigo publicado hoje (3 de janeiro) no jornal francês Le Monde. Rocard foi primeiro-ministro do presidente Mitterand entre 1988 e 1991 e ainda hoje é deputado europeu.
Por isso, sugerem que “a ‘velha dívida’ [a dívida soberana que vence] dos nossos Estados possa ser refinanciada a juros próximos de 0%”.
Alegam que, para tal, os tratados da união não precisam sequer de ser alterados. “Certamente que o BCE não está autorizado a emprestar aos estados membros, mas pode emprestar, sem limite, a organismos públicos de crédito (segundo o artigo 21.3 do estatuto do sistema europeu de bancos centrais) e a organismos internacionais (artigo 23 do mesmo estatuto)”, refere o artigo no Le Monde. “O BCE pode emprestar a 0,01%, por exemplo, ao Banco Europeu de Investimentos (BEI) e à Caisse des Dépôts [francesa], que, por sua vez, podem emprestar a 0,02% aos Estados que tenham de se endividar para refinanciar as suas velhas dívidas”, concluem Rocard e Larrouturou.
O valor de 0,01% advém do facto de se referir hoje em dia o juro que a Reserva Federal norte-americana (Fed) aplicou nos empréstimos secretos à banca norte-americana durante a crise financeira. A Bloomberg apurou que a Fed emprestou 1,2 biliões de dólares (1200 mil milhões) àquela taxa incrivelmente baixa em termos nominais e largamente negativa em termos reais.

jogos geopolíticos

Os dois BRIC vão avançar com legislação em janeiro. China faz primeira mudança desde outubro 2007. E Índia autoriza investidores individuais estrangeiros a adquirir ações no mercado bolsista.
O novo ano abre com mexidas na China e na Índia – dois dos BRIC – favoráveis ao investimento estrangeiro.
O Ministério do Comércio da China e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma anunciou no final do ano que procedeu a uma revisão das regras sobre investimento estrangeiro a entrar em execução a partir de 30 de janeiro de 2012. Segundo a revista chinesa independente Caixin, a China abre mais as portas em 9 sectores de serviços, incluindo o capital de risco e a proteção de direitos intelectuais, bem como nas tecnologias, com destaque para a indústria de equipamentos de alto valor acrescentado, para a biotecnologia, para as tecnologias de informação e para energias alternativas e indústrias que sejam eficientes em termos energéticos.
Além deste alargamento nestes setores considerados “de encorajamento” ao capital estrangeiro, a China removeu os tetos na participação de capital estrangeiro em 11 sectores bem como no leasing e no sector de saúde. Em compensação, a China fechará os apoios no sector da construção automóvel, alegando que já há sobrecapacidade instalada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

SÓCRATES TINHA MAIS UMA VEZ RAZÃO QUANDO ESPREMEU O SOBA DA MADEIRA , E VOLTOU A TER QUANDO NÃO DEIXOU NENHUM DEFICIT COLOSSAL.

Os dados revelados pelo INE sobre as Contas Nacionais relativas ao 3.º trimestre põem definitivamente por terra as teses do Governo sobre o suposto desvio colossal.

Não consta qualquer derrapagem na despesa e em lado algum há indícios da despesa com o pessoal ou dos consumos intermédios estarem acima do previsto. Antes pelo contrário, o INE confirma que a despesa com remunerações das administrações públicas cai 6,9% nos primeiros 9 meses do ano e o consumo final cai 9% nesse mesmo período.

O défice acumulado no final do 3º trimestre era de 8.635 M€, o que corresponde a 6,8% do PIB. Não se compreendem assim as afirmações dos responsáveis políticos de que o défice de 2011 seria superior a 8% sem medidas extraordinárias (cf. Passos Coelho a 13 de Dezembro e Vítor Gaspar a 20 de Dezembro), porque tal implicaria que as contas públicas estariam aí sim completamente descontroladas neste 4º trimestre.

Ainda assim, há que ter em conta que o défice dos três primeiros trimestre foi muito afectado por efeitos — esses, sim — absolutamente extraordinários, como o do buraco da Madeira. O único contributo do actual Governo para a execução orçamental dos primeiros nove meses foi a criação de uma narrativa que, contrariando a promessa realizada por Passos Coelho, tentou imputar ao Governo anterior o pretexto para algumas medidas. Quanto à prometida redução de despesa, como é sabido, o Governo não teve coragem de pôr em prática nada nos primeiros meses do seu mandato

ASSIM VOLTO AO MESMO : MADEIRA DELENDA EST!.

os boys estão a ser colocados com a anuência do primeiro-ministro

Ambos, ambos, ambos

José Pacheco Pereira sobre o funcionamento interno do PSD [hoje na Sábado]:
    ‘O aparelho [do PSD] detém todo o poder e quase não há respiração fora dele. No Governo, mais do que o primeiro-ministro, funciona o ministro do aparelho em tudo o que é sensível, movimenta interesses e lugares, posiciona para o futuro. Muita gente pensa sempre com aquela complacência de achar que há quem faça e há quem seja enganado, ou não saiba, ou não conheça. No caso vertente, a formação do primeiro-ministro e do seu principal executor é exactamente a mesma. Podem ter a certeza absoluta de que ambos, ambos, ambos, sabem de tudo. Fizeram-se lá e sabem muito bem como se fizeram.’