segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A GLOBALIZAÇÃO TAMBÉM TEM DESTAS COISAS....e ainda bem


Suíça

Sigilo divulgado

24 fevereiro 2012
Le Temps Genebra
Banqueiros desde 1810
Auxiliares do fisco desde 2012
A 22 de fevereiro, o Governo suíço decidiu que os bancos do país deverão doravante certificar-se de que o dinheiro depositado pelos seus clientes estrangeiros foi devidamente declarado no seu país de origem. O tradicional sigilo bancário ficou enfraquecido sob a pressão dos parceiros da Confederação Helvética, nomeadamente os Estados Unidos.

FALAR CLARO -5

A semana que passou foi rica em acontecimentos perigosos:
-Os gregos e o seu governo não eleito, aceitaram ter um gauleiter ( chefe provincial que os nazis colocavam nos países que ocupavam ) .
- Este processo de protectorado histórico, ocorre para ser possível um desconto na dívida anteror de 120 mil milhões , para que os gregos recebam 130 novos mil milhões de euros ( que eles nunca mais vão poder pagar ).
- deste valor, disse-se que 53,5%  seria a perda dos privados ( bancos ).
- Na realidade, como estes privados também não vão receber os respectivos juros, o total agregado corresponde aos 75 % de perdão privado da dívida grega de que se falava.
- Como os alemães são rigorosos , soube-se agora que a totalidade dos bancos alemães e franceses ( os mais expostos à dívida helénica ) já se livraram dessa exposição, vendendo no mercado secundário as obrigações gregas que detinham com o apoio do banco central alemão que organizou camufladamente a venda. Mas o BCP portugues não fez nada disso.
-No fim-de-semana mais um alemão , a seguir ao acordo de apoio( ?) à grécia, abriu o bico para , uma vez mais, anular o efeito do acordo nos mercados : foi o ministro da defesa para dizer que era melhor para os gregos sairem da eurolândia....
-no dia 23, cinco países bálticos reuniram - estónia , letónia, lituânia, finlândia e polónia- para discutirem o caso grego e concluiram por assinar um acordo nórdico convidando também a suécia, dinamarca, Reino Unido e...Irlanda a aderirem -para multiplicarem as trocas comerciais e darem aumento rápido aos dois mil soldados que já fazem o núcleo da sua força de reacção rápida....
-E hoje, antes das eleições russas do dia 4 de Março, o senhor Putin apresentou três russos "apanhados em Odessa , na Ucrânia " que planeavam estoirar o senhor Putin pondo-lhe uma bomba algures. Curiosamente lembro-me bem que a 2 de Março de 2008 aconteceu o mesmo nas antevésperas das eleiçoes que puseram os senhores Putin e Medvedev onde hoje estão. E ainda dizem que a história não se repete!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

COMO O MUNDO FINANCEIRO NOS ESMAGA ( esmagando a economia, a política e a cidadania )

Não resisto a dar a conhecer na íntegra os dois extensos textos que seguem. Na verdade, todos nós sentimos na carne , todos os dias, quotidianamente, noite após noite, que anda um diabo à solta que tudo toca, tudo manda, tudo mexe, e a todos mete medo. Pois esse diabo tem nome : a ditadura das finanças, ou seja a ditadura do mundo financeiro com os bancos à cabeça, que aqui vemos como agem EM LÓBIS ORGANIZADOS. Neste caso em Bruxelas, mas mu
Regulamentação financeira

Finance Watch – um lóbi para combater os lóbis

23 fevereiro 2012
Der Tagesspiegel Berlim
Ajubel
Os lóbis financeiros parecem todo-poderosos em Bruxelas, frustrando todas as tentativas de reformas do setor bancário desde a falência do Lehman Brothers em 2008. Mas a situação pode mudar, com o trabalho de um contra lóbi europeu: o Finance Watch.
Joost Mulder, 31 anos, conhece todos os arcanos. Durante cinco anos, o elegante holandês trabalhou [ou seja “atuou para influenciar”] o aparelho legislativo de Bruxelas por conta de organismos financeiros. Fazer intriga nos bastidores da Comissão, do Parlamento e dos Conselhos de Ministros dos 27 era o seu ganha-pão. Falando quatro línguas e a par de tudo o que se passa, este homem mexe-se facilmente nos meandros da política de Bruxelas – um lobista tal e qual o imaginamos.
Num dia, ele e os seus colegas inviabilizam iniciativas parlamentares, noutro, convencem os funcionários de Bruxelas a introduzirem disposições “explosivas” a um anteprojeto de lei para organizarem um escudo de barreiras múltiplas e – aparentemente – independentes umas das outras. E quando um irritante parágrafo não conseguiu ser suprimido pela Comissão ou pelo Parlamento, constitui-se uma minoria de bloqueio no Conselho. “‘Pague-me dez mil euros de honorários e encarrego-me de meter a sua posição na ordem do dia do Conselho de Ministros’. É este o género de promessas que os lobistas fazem aos seus clientes”, afirma Joost Mulder.
Mas as coisas podem mudar. Porque Joost Mulder mudou de campo. No ano passado, quando os lóbis financeiros chegaram ao ponto de “fazerem pressão sobre os governos ameaçando retirar capitais e suprimir empregos, fartei-me”, conta ele. “Making finance serve the society”, “Pôr a finança ao serviço da sociedade”, podemos ler agora no cartão-de-visita de Joost Mulder, atualmente responsável pelas relações externas de uma ONG chamada Finance Watch.

Charlie McCreevy, um comissário cativo

O seu trabalho é muito semelhante ao de um lobista. Mas agora é desenvolvido ao serviço de uma ONG única no género na cena política de Bruxelas. Na Finance Watch, os especialistas em mercados financeiros têm como objetivo enfrentar os lóbis do setor da finança para os levar de volta à sua razão de ser inicial: colocar os serviços financeiros ao serviço da produção.
A experiência é inédita. E este novo lóbi, que quer disciplinar os mercados financeiros é a resposta a um pedido – do próprio corpo legislativo.
Na origem desta iniciativa está uma tomada de consciência que apareceu quando a crise financeira rebentou, no outono de 2008. Quando foi necessário decifrar as causas da crise, não havia especialistas experimentados verdadeiramente independentes do mundo da finança. A todos os níveis, eram os banqueiros, os gestores de fundos ou os especialistas por eles pagos que davam o tom.
Ao mesmo tempo, percebeu-se que a Comissão Europeia e a Direção Geral do Mercado Interno estavam literalmente infiltradas pelo setor financeiro. Foi o “Corporate Europe Observatory” (Observatório Europeu das Empresas, CEO) que revelou a amplitude do fenómeno. Num relatório publicado no outono de 2009, intitulado “Uma Comissão Cativa”, demonstrava como Charlie McCreevy, o comissário [para o Mercado Interno] de então, tinha delegado, de facto, o processo legislativo nas empresas em causa. Metade da Europa indignou-se por ver que as instâncias europeias ouviam sempre e apenas um dos lados da questão. Mas o caso não teve repercussões concretas.

Os deputados pagaram do seu próprio bolso

Perante estes acontecimentos, o deputado verde francês Pascal Carfin e o seu homólogo alemão Sven Giegold tiveram a ideia, em junho de 2010, de uma iniciativa original. Lançaram um “apelo à vigilância financeira”, garantindo, em meia dúzia de dias, o apoio de 22 membros, de todas as tendências, da Comissão de Assuntos Económicos. Os dois homens procuravam gente dinâmica com sólida bagagem financeira. Thierry Philipponnat respondeu à chamada.
Ao fim de 20 anos de experiência nos meios da banca e da bolsa, em 2006 Thierry Philipponnat deixou um lucrativo emprego por uma vida completamente nova. Primeiro, na difusão do microcrédito nos países pobres, depois, nas fileiras da Amnistia Internacional.
Os deputados financiaram do seu próprio bolso os primeiros seis meses de ação, que deram frutos. No final de uma tournée de vários meses por sete Estados-membros da UE, tinha conseguido o apoio de 38 organizações, da Oxfam à Confederação Europeia dos Sindicatos, e reunido um capital inicial de cerca de meio milhão de euros junto de fundações privadas. Paralelamente, o Parlamento fazia pressão para que a Finance Watch recebesse um financiamento europeu. Este ano, foram atribuídos 1,25 milhões de euros para esta causa e Michel Barnier, que é o novo comissário europeu para o Mercado Interno, deu a entender que a Finance Watch vai receber a maior parte desse dinheiro.
Seis meses depois da assembleia constituinte, Thierry Philipponnat é hoje o secretário-geral de um gabinete de especialistas e de lóbi mandatado pelo Parlamento, financiado pelos contribuintes e apoiado por organizações que totalizam 100 milhões de membros.
O jogo vale a pena? Pode este punhado de homens fazer qualquer coisa perante a hidra do lóbi financeiro? Só em Bruxelas, os bancos e outras instituições financeiras encarregaram 700 especialistas para orientarem o processo legislativo na direção que mais lhes convém. E a sua esfera de influência alarga-se.

“É o mesmo trabalho que eu fazia antes”

A tarefa é árdua, como testemunha o braço de ferro em torno dos contratos de troca sobre o risco de crédito exposto, os Credit Default Swaps (CDS), que permitem aos hedge funds especularem sobre a solvência dos Estados sem terem de apostar muito dinheiro. Os preços dos CDS permitem avaliar os riscos que pesam sobre a solvabilidade de um Estado e podem, também, agravar seriamente uma eventual crise da dívida soberana, podendo mesmo provocá-la.
Por esta razão, em março de 2011, o Parlamento Europeu exigiu a proibição total destas transações. Os sindicatos dos hedge funds e dos bancos reagiram imediatamente, recorrendo a uma estratégia que Thierry Philipponnat batizou como “estratégia do detalhe complicado”. Os deputados não perceberam os mecanismos dessas transações, alardearam os lobistas nas páginas do Financial Times. Além disso, se a proibição fosse aplicada, “reduziria o volume de liquidez no mercado de obrigações dos Estados, o que se traduziria, no fim, por um aumento dos custos para quem empresta” – um argumento difícil de refutar pelos leigos.
Mas, conhecedor dos mercados, Thierry Philipponnat não teve nenhuma dificuldade em pôr a nu a mistificação. A sua análise dos prós e contras da questão foi ouvida. De tal maneira que o próprio comissário europeu do setor chamou a si a argumentação de Thierry Philipponnat e a assembleia plenária manteve a proibição.
No entanto, quando a proposta foi submetida a votação no Conselho de ministros das Finanças, no mês de outubro, alguns ministros insistiram que o texto devia prever isenções. “Era, claramente, o resultado de um grande trabalho de lóbi”, diz Joost Mulder, louvando, de passagem, o trabalho dos seus antigos colegas. Agora, o texto apresenta “uma brecha aberta”, mas isso não impede Joost Mulder de demonstrar uma enorme confiança: “Na realidade, é o mesmo trabalho que eu fazia antes mas, atualmente, durmo muitíssimo melhor”, confessa.
Entrevista

Pascal Canfin, o inimigo da finança

Pascal Canfin, o inimigo da finança
“Acabar com a arrogância das Finanças”: eis, segundo o semanário francês Télérama, o objetivo da Finance Watch. O semanário entrevistou o fundador desta ONG, o eurodeputado Pascal Canfin.
“Estou orgulhoso por ter criado a Finance Watch”, declara o ecologista francês, que explica -
... era absolutamente necessário criar uma iniciativa que combatesse o incrível lóbi das Finanças. Mas esta ONG devia ser ‘transpartidária’, dado que a sociedade civil já não responde a um apelo de um partido, sobretudo um partido minoritário como os Verdes. Convém também realçar que o Parlamento Europeu, contrariamente à Assembleia Nacional, é eleito através do sistema de representação proporcional, não existe maioria nem minoria automática. Cada texto tem a sua maioria. Negócio com muita perseverança e quando o balanço é globalmente positivo, voto a favor.
Considerando que os Estados perderam a oportunidade, em 2008 e 2009, de reformar o setor bancário quando “os bancos estavam de joelhos”, Canfin estima que "a mudança na Europa passa necessariamente pela dupla alternância de poder, em 2012 na França e em 2013 na Alemanha".
ito mais nos governos do Reino Unido e dos U.S.A..

Falar claro - 4

Este ano da graça de 2012 vai, muito provavelmente ser o ano da grande sementeira das mudanças geopolíticas que ocorrerão nos seguintes:
- vamos ter mudanças nos protagonistas políticos que nos conduziram ao caos em que vivemos no mundo ocidental. Putin ( que tanto prejuízo energético trouxe à europa ) vai a votos e ganhará mas muito condicionado e sabendo que não volta a ganhar ( Medevedev já percebeu que não quer ficar sem cabeça e anunciou que acabou o jogo das cadeiras rotativas para o Kremelin ); Sarkozy vai a votos para ser corrido pelo eurofederalista socialista Francois Hollande que já anunciou que os países com dívidas as devem reescalonar ; Merkel vai a votos e deve perder, mas pior que perder é ter de governar a europa sem a frança de Hollande. E , na américa, em Novembro, Obama, cada vez mais patético, deve dar lugar a outro.
- vamos também assistir ao declíneo das agências de ratting.
- e vamos finalmente compreender como estas apenas serviram de bazucas para a guerra que o eixo anglo-americano decidiu contra  o euro e perdeu: a City e Wall-Street vão assistir ao despedimento de muito má gente, e Frankfurt surgirá como a potencial grande bolsa ocidental com regulamentos à maneira alemã....enquanto a maioria da Eurolândia num reflexo de defesa acelerará os mecanismos fiscais transnacionais e a regulação respectiva para se salvar salvando o Euro.

ASSIM VAI O MUNDO que não vem nos jornais:

-O desemprego nos U.S.A., subiu em Janeiro 0.4 pontos.
- Irão cortou vendas para companhias petrolíferas francesas ou inglesas.
-Japão registou deficit comercial record no mês de Janeiro : 18,6 biliões (Milhões de milhões )de dólares em Janeiro.
- Desde Dezembro passado que Japão e China pagam as trocas comerciais somente em yuans chineses ou yens japoneses ( o dólar sumiu ).
- Desde esta semana que a ìndia passa a pagar o petróleo iraniano em rupias indianas ( sumiu-se o dólar).

ASSIM VAI A RÚSSIA

Russia

Putin Pledges 400 ICBMs for Russia in Ten Years

Topic: Putin to run for Russian president in 2012

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Vladimir PutinPutin Pledges 400 ICBMs for Russia in Ten Years
06:18 20/02/2012
MOSCOW, February 20 (RIA Novosti)
Tags: presidential elections 2012, ICBM, Tu-95, Vityaz, S-400, Iskander, Yars, Russian army, Vladimir Putin,

Russia’s armed forces will receive over 400 modern intercontinental ballistic missiles (ICBMs), more than 100 military spacecraft and over 2,300 new tanks within the next ten years, Prime Minister and presidential candidate Vladimir Putin said.
Earlier media voiced fears that by 2020, Russia’ ICBM arsenal could reduce by more than half as over 400 missiles would go beyond their maximum service life without timely replacement.
“Within the next decade, the armed forces will receive more than 400 modern ground- and sea-based intercontinental ballistic missiles, eight ballistic missile submarines, about 20 general purpose attack submarines, over 50 surface ships and some 100 military-purpose spacecraft,” Putin wrote in a new article for the Rossiiskaya Gazeta government daily.
He said the number will also include “over 600 modern aircraft, including fifth-generation fighters, more than a thousand helicopters, 28 regimental sets of S-400 [SA-21 Growler] surface-to-air missile systems, 38 division sets of Vityaz air defense systems, 10 brigade sets of Iskander-M (SS-26 Stone) tactical missile systems, more than 2,300 modern tanks, some 2,000 self-propelled artillery systems and guns, as well as more than 17,000 military vehicles.”
Putin said the ground, sea and air components of Russia’s nuclear triad are stable and sufficient at the moment.
Chief of the Russian General Staff, Army Gen. Nikolai Makarov said on February 15 that Russia would use nuclear weapons in response to any imminent threat to its national security.

The general said Russia’s nuclear deterrent is the cornerstone of strategic stability and serious efforts are being made by the Russian government to modernize the country’s nuclear triad.
The Russian Defense Ministry is planning to acquire at least 10 Borey class strategic nuclear submarines, thoroughly upgrade its fleet of Tu-160 Blackjack and Tu-95 Bear strategic bombers, and equip its Strategic Missile Forces with formidable Yars mobile ballistic missile systems.
Putin also wrote that he believes substantial investment in Russia’s defense sector, in particular, the armaments program, will be positive for the country’s economy.
This is Putin’s sixth article outlining the points of his election program in Russian media. The previous articles focused on general and economic issues, ethnic problems, democratic development and social policy.
Putin served two terms as Russia’s president between 2000 and 2008, but the Constitution barred him from standing for a third consecutive term. He became prime minister after his handpicked successor, Dmitry Medvedev, was elected president.

Russia will hold presidential elections on March 4. Putin, from the governing United Russia party, is the frontrunner in this year's election campaign. His closest rival is Gennady Zyuganov, the leader of the Communist Party. Other contenders are Liberal Democrat leader Vladimir Zhirinovsky, A Just Russia leader Sergei Mironov and independent billionaire candidate Mikhail Prokhorov.
© Сollage by RIA Novosti

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

senhor passos coelho , reestruture a dívida já!


Grécia

“Só tenho 5 euros e estou a entrar em pânico”

16 fevereiro 2012
To Vima Atenas
Um funcionário de um organismo público de habitação para trabalhadores, a ser eliminado em breve pelo Governo, ameaça saltar. Atenas, 15 de fevereiro de 2012
Um funcionário de um organismo público de habitação para trabalhadores, a ser eliminado em breve pelo Governo, ameaça saltar. Atenas, 15 de fevereiro de 2012
AFP
Endividados, preocupados, deprimidos, muitos gregos buscam apoio nos centros de ajuda Ekpizo. Reportagem em Atenas, durante uma sessão de terapia de grupo.
De rosto tenso, os participantes na sessão trocam algumas saudações contidas, antes de se encostarem às paredes. Como se tivessem medo de se sentar nas cadeiras dispostas em círculo, para uma erapia de grupo. Parecem ter dificuldade em aceitar que, atolados de dívidas, estão completamente desesperados.
Quando a interlocutora entra na sala, o clima glacial distende-se um pouco. São 18 horas, em plena Atenas, no Ekpizo, o centro de ajuda grego para sobreendividados, que lida com aqueles que já não conseguem ver saída para a sua situação. "Há mais de um ano e meio que ouço as mesmas palavras",testemunha Lila Linardatou, trabalhadora no Ekipzo.

Quatro já se suicidaram

Advogada, tenta dar conselhos aos que pretendem negociar uma extensão de empréstimo com os bancos. "O nosso objetivo é evitar o pior", diz. Já mais de seis mil pessoas se dirigiram ao Ekipzo, onde advogados, psiquiatras e psicólogos – todos voluntários – tentam tranquilizar aqueles que, sob o peso da crise, começam a ir-se abaixo.
Os minutos passam e os presentes descontraem-se um pouco. Entre todos, fica-se com um mosaico de experiências que ilustram as muitas e variadas formas que pode manifestar o sobreendividamento. Consumidores que utilizam cartões de crédito para tapar outros, chefes de família que se endividaram "até ao pescoço" com problemas de saúde e que nunca mais conseguiram levantar a cabeça, pessoas que vivem num impasse, a aguardar um desfecho que nunca mais chega.
"A situação está insustentável. As empresas de crédito telefonam-me às dez vezes por dia com ameaças", conta Konstantinos Venerdos, que teve de se aposentar recentemente por motivos de saúde. "Pedi para chegarmos a um acordo amigável, mas os bancos ignoram-me. Tenho apenas 5 euros no bolso até acabar o mês e estou a entrar em pânico. Penso cada vez mais em suicídio, para acabar com isto. Mas também penso no meu filho. O que vai ser dele, se eu desistir?".

O medo da rua

Outros passaram aos atos. "Nos últimos meses, quatro membros do grupo suicidaram-se e dezenas de outros só se aguentam com medicação. Temos de fazer qualquer coisa para evitar mais vítimas", preocupa-se Mikela Christodoulou, outra voluntária do Ekipzo.
Submetidos a um stresse insustentável, os que se dirigem ao Ekipzo trazem também problemas de saúde bem reais, frequentemente resultantes do seu sofrimento psicológico, como é o caso de problemas cardíacos e de estômago, entre outros. "Acabam de me diagnosticar uma úlcera”, relata Dimitri. “Nunca devi uma dracma a ninguém, em toda a minha vida. Hoje, não consigo pagar o empréstimo", declara um ex-corretor que não quer dizer o apelido. Em plena crise económica, teve que fechar a loja de que vivia, no ano passado.
A sessão de psicoterapia não procura culpados, mas há que detetar responsabilidades: "Reconheço que entrei numa espiral sem fim. Utilizava um cartão de crédito para cobrir o outro”, confessa Mario, funcionário público. “Com todas as solicitações atraentes dos bancos, acabei por ter 20 cartões diferentes. Mas o meu salário foi reduzido várias vezes e agora estou com medo de ir parar à rua."