terça-feira, 13 de julho de 2010

MAS QUE PIADA QUE AS COISAS COMEÇAM A TER !

(Aqui transcrevo este excelente "post" de J.N.R. do geoscópio).


Seg 12 Jul 2010

Agência de rating chinesa parte a loiça

Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) .

Portugal está na fronteira para a classificação de BBB, segundo a Dagong Credit Rating, sedeada em Beijing, que surpreendeu, ontem, os analistas ao dar classificação de AA e outlook negativo aos Estados Unidos e AA- e outlook negativo ao Reino Unido.
A Dagong Global Credit Rating, sedeada no distrito de Chaoyang, em Beijing, divulgou ontem, pela primeira vez, um relatório sobre a situação de crédito soberano em 50 países, que perfazem 90% do produto mundial. Portugal surge na 29ª posição com uma notação de A- (similar à atribuída pela Standard & Poor’s) e com outlook (perspectiva) negativo.

O nosso país e a Itália estão na fronteira da notação para a classificação de BBB. O relatório sublinha que estes países poderão enfrentar riscos de refinanciamento e de pagamento da dívida dada a vulnerabilidade a “um choque interno ou externo súbito e relativamente grande”.



A surpresa nas notações



A agência de rating chinesa surpreendeu os mercados internacionais ao dar notação de AA (e não triplo A, a nota máxima) e com outlook negativo aos Estados Unidos, colocando inclusive a superpotência na fronteira para a notação abaixo, e ainda pior ao Reino Unido com AA- e outlook negativo, quer em termos de moeda local como em divisas estrangeiras. Também outros membros do G7 recebem a notação de AA- e com outlook negativo, como o Japão e a França.

Há, de facto, uma diferença de fundo entre as notações da Dagong e das três agências mais conhecidas (Moody’s, Fitch e S&P, apelidadas de “big three“): enquanto as agências norte-americanas dão notação de triplo A a mais de 10 países, a agência chinesa é menos generosa, nomeadamente em quatro casos mais significativos (que incluem os EUA, Japão, Reino Unido e Alemanha).

Apenas cinco países recebem a notação de triplo A (a mais alta em termos de solvência e sustentabilidade de longo prazo) e com outlook estável quer na avaliação global do nível de crédito em termos de moeda local como em divisas estrangeiras: Noruega (a liderar), Dinamarca, Luxemburgo, Suíça e Singapura. A Austrália e a Nova Zelândia têm a notação de AAA em termos de moeda local e de AA+ (uma notação abaixo) em divisas estrangeiras. A Alemanha, a referência para a zona euro e a União Europeia, não está neste grupo de sete do topo.



Mais generosa nos emergentes



Na notação da Dagong, a China tem notação AA+ e outlook estável em termos de moeda local, tal como a Alemanha, mas em termos de divisas estrangeiras tem notação máxima de AAA, acima da alemã, da canadiana ou da holandesa, os companheiros neste segundo grupo.

O relatório admite, no entanto, que em relação a países como a China (com AA+), Arábia Saudita e Coreia do Sul (ambas com AA) há problemas derivados “do ajustamento das estruturas económicas ou risco geopolítico derivado de problemas práticos”. A notação atribuída à China é mais elevada do que a atribuída pela Moody’s (A1), S&P (A+) e Fitch (AA-).



Piores notações dadas a Espanha, Grécia e Roménia



No conjunto dos PIGS (acrónimo pejorativo para o grupo da zona euro formado por Portugal, Itália, Grécia e Espanha – a Irlanda não foi incluída na análise pela agência de rating chinesa), a Dagong atribui notação de A e com outlook negativo à Espanha (mais baixa do que as atribuídas pelas agências de notação americanas), de A- com outlook negativo a Itália e Portugal, e de BB com outlook estável à Grécia (mais baixa, também, do que a atribuída pelas outras três agências).

Entre os países de Leste da União Europeia que têm estado em foco, a agência de rating chinesa atribui a notação de BBB com outlook negativo à Hungria e de BB+ com outlook negativo à Roménia (mais baixa do que a atribuída pelas agências norte-americanas) – países que estão em pior situação do que Portugal ou Itália.

Estas notações mais baixas em relação a Espanha, Grécia e Roménia significam que a Oriente alguns elos mais fracos da zona euro e da União Europeia são vistos mais negativamente do que em Nova Iorque pelas três agências de rating internacionais mais poderosas.

Relativamente aos companheiros da China no grupo designado por BRIC (acrónimo para Brasil, Rússia, Índia e China), a Dagong atribui notação A com outlook estável à Rússia, A- com outlook estável ao Brasil e BBB com outlook estável à Índia, o país em pior situação de avaliação de crédito neste grupo. Nos três casos, a atribuição dada pela agência chinesa é superior às atribuídas pelas três rating norte-americanas.



A Dagong foi criada em 1994 para atribuir notação à dívida das empresas chinesas. Alega ser privada e que a sua metodologia não está imbuída de apreciações ideológicas. É, no entanto, apoiada oficialmente. O próprio anúncio do relatório sobre a notação dos 50 países foi feito ontem na sede da agência de notícias Xinhua. Trata-se de um sinal – mais um – da estratégia de projecção externa da China.

Classificações comparadas para Portugal

Dagong: A-;

Moody’s: Aa2 (até 12/07/2010); A1 (a partir de 13/07/2010);

S&P: A-;

Fitch: AA-

Por isto, DELENDA  CHINA  EST!!!

Da SÉRIE: FRASES QUE NOS DEVIAM FAZER PENSAR

Franco Zeffirelli, cineasta italiano, ao Actual de 10/7/2010:

"Sou homossexual e sou contra os casamentos homossexuais ".

Na verdade, na nosologia psiquiátrica considera-se que há dois tipos de homossexualidade : a homossintónica  ( que contempla os homossexuais que aceitam eles mesmos a sua homossexualidade e não sofrem com ela ; e os homodistónicos, ou seja, os outros, os que vivem a sua homossexualidade como um tormento, que lá no fundo se acham doentes, e que , neuróticamente, histericamente, exigem, reclamam, provocam e chateiam porque...não se aceitam: estes é que precisam mesmo de se casarem para terem um papel a dizer-lhes o que são: gente comum... legalmente.

OFFSHORES

Em 10 de Maio de 2010 publiquei aqui um post intitulado "Os zombies e outros assuntos afins", onde mostrava que os offshores tinham os dias contados pelo mútuo interesse dos países ocidentais, e que 16.000 milhões de euros de portugueses estavam estacionados em 12 offshores, sobretudo nas ilhas Caimão.

Nessa altura já dois deles tinham estabelecido acordos de informações sobre titulares das contas com Portugal, dizendo agora o EXPRESSO que na passada semana três ilhas do Canal da Mancha entraram no grupo: Ilhas de Man, Jersey e Guernsey.
Gibraltar ( Outubro de 2009), Andorra ( Novembro de 2009 ) e a Bermuda e Caimão  ( em finais de Maio ) já tinham subscrito idênticos acordos com o fisco portugês.

Como Chipre e Malta já antes tinham acordado na troca de informações, dos offshores que faltam, de relevantes para Portugal restam as Antilhas holandesas e outras duas que segundo sei, de fonte fiscal ,se juntarão ao grupo ainda este mês.

Entretanto, a Madeira, que desde há dois anos queria mais abrangentes benefícios para o seu offshore ( naturalmente para estrangeiros, sobretudo ) anda zangada porque o nosso governo resolveu fazer com ela o que franceses, ingleses ou holandeses já fizeram com as suas. E o Alberto, o João!, ficou zangado e ameaçou! Porra, quando é que eu vou conseguir que o meu povo seja independente da Madeira do Alberto?

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Esta questão dos offshores é coisa séria que merece outro "post" mais sério.
Mas digo já: não entendo porque é que quem tem legal e legitimamente o seu dinheiro, continua a achar que é lá que ele deve estar. Na verdade, ele lá, com a acumulação de impostos sobre mais valias não pagas ao país, apenas impede que o crescimento de algumas fortunas não seja tendencialmente aritmética, mas seja sim tendencialmente geométrica;  mas, em contrapartida, os detentores desses capitais, se os depositassem normalmente cá, teriam, pela liquidez que dariam à banca, mais certezas de que os bancos normais onde também têm dinheiro ou de que também são acionistas, muito mais dificilmente poderiam falir. E isso, para eles como para a geral economia do país, não tem preço.

E assim: DELENDA  MADEIRA  EST!!!.

FRASES EM QUE É NECESSÁRIO PENSAR

Diz o prof. Silva Lopes do alto dos seus 78 anos ao EXPRESSO:

"Há muita gente que se queixa de estar a fazer sacrifícios. Claro que estão. Mas quem está a fazer sacrifícios insuportáveis são os desempregados. E os desempregados de longa duração nem quero pensar".

Palavras santas e sábias  estas.

Eu que tenho gente próxima, familiares, assim , sei o que custa. Mas estes não podem fazer greves como os pilotos da TAP, os maquinistas da CP ou fazer o barulho que os bastonários dos médicos ou dos farmacêuticos fazem para impedir novos alunos nas suas Faculdades !

Nestes casos, e enquanto o desespero não obnubilar por completo o pensamento, só lhes peço, aos desempregados, que sintam este tempo horrível de desemprego como um novo tempo de sementeira primaveril:  aprendam inglês e informática a sério, em cursos baratos ou grátis que as autarquias geralmente proporcionam, para que possam ter acesso ao outono das colheitas mais fartas.

domingo, 11 de julho de 2010

INFELIZMENTE É ASSIM

Infelizmente é mesmo assim, meu caro Daniel.
Uma pausa em Medina Carreira e João Duque para ouvir um economista menor. Por Daniel Oliveira


“Isto é como o Tratado de Versalhes, mas agora é a Alemanha que dita as condições”

James K. Galbraith, hoje, na conferência da Res Publica, em Lisboa.

BOAS NOTÍCIAS PARA MIM

Paul Krugman o " polvo da economia " que tem acertado sempre no que prediz no New York Times,  e que é Prémio Nobel há dois anos,  acaba de escrever há minutos no seu blogue pessoal a previsão de que a América já poderá ter entrado em deflação, e em qualquer caso que ela será muito provável esta ano.

É claro que isto é mau para a economia em geral mas a haver deflação nos USA, aposto que também haverá na europa. E isso é bom para mim que estou aposentado.

Na verdade, o que de pior podia acontecer a quem tem um rendimento fixo  como os aposentados, era um disparo da inflação. Havendo deflação, isso significa para os reformados (apesar destes já terem sofrido cortes nas suas reformas e irem de certeza sofrer mais), que haverá, em função da baixa de preços, alguma compensação.

Lamento pelos outros, mas fecho hoje o meu blogue com um pouco de melhor de humor. Só me resta saber qual a tendência do euro face ao Yuan ( moeda chinesa) e ao dólar,  coisa que ando a pesquisar ( não , não é preciso ter o curso de economia para predizer algumas coisas de macroeconomia ) e deverei ter novidades nos próximos dias.
E já agora , Delenda China e Madeira Est !

O MEU PAI

O meu pai que era um salazarista ferrenho, dizia muitas vezes em pleno consulado Marcelista, período de franca inflação, que quando um ministo das finanças declara que a inflacção não vai subir é porque ela já subiu.
É claro que um ministro das finanças - área em que sobretudo é necessário fazer uma gestão das espectativas dos cidadãos - isto é absolutamente necessário.

Quando começei com este blogue, dedicado à crítica social e elevação pátria, alguns amigos sentiram formigueiros com a palavra pátria e sua elevação. Alguns confundiam isto com nacionalismo - ou seja, no  modo de eles captarem a realidade - como assim a modos que fascismo. Eu tentei explicar que não era.

Até que um bloguista do cinco dias - comunista ou para-comunista - de seu nome André Levy, escreveu nele um texto notável que vem explicar as diferenças entre patriotismo e nacionalismo ( que também não é sinónimo de fascismo ) e que aqui publiquei sob o título Por uma vez um comunista está de acordo comigo.

Entretanto, um pouco por toda a parte, desde os media aos blogues, passando pelos principais jornais da estranja, o tema tornou-se frequente , sobretudo depois de Sócrates, Soares, Cavaco, Gerónimo de Sousa e Portas, mais os respectivos aparatchiks, virem fazer o mesmo, isto é usarem o vocábulo Pátria na sua retórica.
É é aqui que recordo a memória do meu pai com a sua apreciação aos ministros das finanças.

Parece-me que deslizamos progressivamente para uma época em que as dificuldades intestinas de cada país estão a provocar acções de proteccionismo pátrio, passe a quase tautologia, o que quer dizer que a percepção que cada cidadão tem de que mais vale virar-se para os seus que ser ingénuo, está a ser uma constante. Ou seja, quanto mais se fala de Pátria mais ela está debilitada, quanto mais se fala de Pátria mais estamos perante a constatação de que não podemos confiar nas outras (pátrias ), que quanto mais falamos nela mais isto é uma resposta inconsciente de que temos interesses divergentes doutros povos e que importa defender. Como até há dois anos não parecia haver perigo, ninguém usava essa linguagem então.

Ora isto não me agrada a mim, que sou federalista em tese, mas só sou e serei de facto quando vir que o resto da Europa está disposta a comungar com o meu país de leis gerais comuns não só na política fiscal mas também e sobretudo na política económica e na sua supra-estrutura social.
Sem isso passo definitivamente ao proteccionismo ( patriótico ).

É que  o meu pai , ou seja o meu "terroir", não era ingénuo, e parece que tinha lido um livro que mais tarde aqui comentarei, porque ainda o não li todo, que tem por título Portugal, Salazar E Os Judeus, da Gradiva da autoria do socialista judeu Avraham Milgram, e que evidencia as questões geopolíticas que Portugal enfrentou durante a Guerra e o modo muito positivo, ao olhar do autor, como se equilibrou entre entre a moral que obrigava a salvar judeus e a necessidade ética de salvar a Pátria dos nazis estacionados nos Pirinéus e preparados para cá chegarem em dois dias.

Por que a discussão recomeçou sobre esta questão, bem como sobre a geopolítica, a geoeconomia e sobretudo sobre um muito diferente modo de viver que teremos nos próximos anos,  peço aos meus dois leitores e meio que não deixem de fazer comentários às minhas opiniões e, até de preferência, se tornem parte oficial deste blogue, bastando para tal que me contactem para me dizer como hei-de fazer para os colocar como co-autores com o respectivo nome e o direito de escreverem de suas casas os textos que entenderem. E-mail: jccsp50@hotmail.com.
A discussão é necessária e provavelmente o modo único de impedir males muito maiores do que aqueles que já estão quase à vista.