sexta-feira, 2 de abril de 2010

DAR A OUTRA CARA

A história da possível corrupção na compra de submarinos está de volta.
Prometo não fazer dela uma guerra de guerrilha permanente contra a direita mais estúpida do mundo ( a portuguesa )e a estrema-esquerda mais estúpida do mundo ( a portuguesa ) - tal como são consideradas lá fora, no estrangeiro europeu.
Mas lá que o caso Universidade Moderna não se compara à facilidade do curso de engenharia numa universidade privada de Sócrates; nem o caso do Casino de Lisboa se compara com as casas de mau gosto que Sácrates assinou: nem que o Caso Portucale se compara com uma licença de obras para o Freeport ; nem que o caso dos Contratos de Defesa todas, e o dos Submarinos em especial têm nada a ver com um  negócio que não se fez e em que o eng. Sócrates provavelmente mentiu ao dizer que não conhecia. Para já não falar do Caso Moderna, dos Bancos BPP,BCN etc, etc.- lá isso é verdade.

E já agora, Delenda China e Madeira est !

quinta-feira, 1 de abril de 2010

RELIGIÕES

Sou católico.
Mas antes disso sou cristão.
Por isso mesmo gosto de brincar com as subtilezas do que nos transcende. Cristo é uma figura histórica, devidamente provada na sua existência pela ciência, designadamente a arquelogia, que também provou que o que os Antigos e Novos Testamentos referem , tais como locais ou acontecimentos,  existiram mesmo.

Uma das forças que com mais eficácia exerceram sobre mim o tropismo de me manter dentro do cadinho religioso que me enformou e informou, foi justamente a dimensão de esperança,  alegria e sobretudo liberdade ( que não libertinagem )  apregoadas por Cristo em numerosos textos e conductas.

É por isso que acho que Cristo feito Deus ter-se-ia sorrido de algumas histórias aqui contadas - porque Cristo tem sentido de humor -que é  o contrário da falta de esperança e da alegria e da liberdade que perseguimos.

Por que, a partir de amanhã ( Sexta-Feira Santa ) seria de mau gosto e falta de recato contar anedotas religiosas aí vai mais uma:
Perguntam a um monge Zen:
-"Mestre, diga-me, o que há depois da morte?
- Não sei - responde o sábio.
-Pensava que o senhor era sábio...
-Sábio talvez, mas morto não".

Ou esta que era contada pelo Arcebispo Anglicano Wiliam Temple e que é lembrada pelo teólogo Juan José Tamayo, no seu livro  "LA  SONRISA  DIVINA ":
-" Sabe o que é um filósofo?É uma pessoa que passa a vida fechada num quarto escuro, tentando encontrar um gato escuro com olhos pretos.
E um teólogo?
-É uma pessoa que passa a vida fechada num quarto escuro, tentando encontrar um gato negro com olhos negros, que não existe".

Tamayo escreveu-o em 1975 no livro TEOLOGIA, o que lhe valeu a excomunhão pelo Vaticano. O que me apetece comentar é que a Congregação para a Doutrina da Fé ( onde ainda não estava o actual Papa) era muito séria. E como aprendi, ao longo da vida como psiquiatra, que quem não sabe rir não é serio  é que aquela específica Congregação não me mereceria avaliação positiva sobre seriedade.

E, porque, partilhar o humor das diferentes religiões é revolucionário no sentido de que promove a sua união, lembro que nasci num mundo em que só havia uma religião e todas as outras eram muito más!.
Como dizia Freud que cito mais uma vez, " fazemos humor com o que nos aterroriza!". Como é obvio.

BIAL

Entrou hoje nomercado farmacêutico um novo medicamento anti-epilético, o ZEBINIX, descoberto e produzido pela farmacêutica portuguesa BIAL.
Tive a oportunidade de seguir bastante de perto o imenso trabalho que terminou neste momento: rigor, talento, perseverança, sentido do risco, captação da intuição que brota e ou é "pescada na hora" ou se perde para sempre - ou seja, tudo o que tem sido muito raro no modo de ser e de fazer português.
Parabéns.

E já agora Delenda China e Madeira est !

quarta-feira, 31 de março de 2010

Igrejas

A tragédia da pedofilia na Igreja Católica a que paertenço vai valer, se Deus quizer, algumas reflexões que aqui farei seriamente sobre o tema. Provavelmente em plena Quaresma, como sinal!
Entretanto vou aqui lembrar, depois de histórias de Judeus, uma da "igreja" IURD:
Três "pastores" conversam sobre os problemas que têm com os morcegos nos seus teatros velhos. transformados em igrejas, e as maneiras de os afugentarem.
O primeiro diz:
-"Peguei numa espingarda e crivei-os de tiros!, mas a única coisa que consegui foi encher as paredes de buracos".
O segundo diz:
-"Eu pus veneno e desapareceram, mas depois voltaram!".
O terceiro, a sorrir,diz:
-" Eu tenho a solução. Batizei-os, fi-los membros da igreja e falei-lhes da dízima. Nunca mais voltaram!". 

Mas, como acredito que Freud tinha razão quando postulou que " a tristeza é a morte ", vou contar uma anedota que me foi contada por um abade do Douro, devidamente actualizada:
O Bispo chama um padre de aldeia e repreende-o: -"Que celebres a missa com calças de ganga em vez da sotaina...não faz mal! Que uses T-Shirts...passa! Que prendas o cabelo num rabo-de-cavalo...não comento!Que uses brinco, consigo suportar, Que tenhas tatuado o braço...engu-lo!Que uses um piercing no umbigo...fecho os olhos!. Mas esta agora é que não tolero. Não estou disposto a que, durante a Semana Santa, vás de férias e pendures um cartaz na porta da Igreja a dizer: -"Fechado por morte do Filho do Chefe!. Isso não aceito!".

Acontece que há anos que tento visitar a Igreja de Azurara para a mostrar ao meus amigos. E só lá consegui entrar uma vez!. Mas pior é a Igreja Matriz da Vila, bem como a fabulosa recuperação dos azulejos seiscentistas e das telas de finais do mesmo século da escola de Murillo que foram recuperadas e reinauguradas há um mês na Igreja da Misericórdia, igrejas que estão quase sempre fechadas! Pode dizer-se: pois, não se pode manter a porta aberta de Igrejas com tamanhas preciosidades!. É verdade. Mas então, como é que está sempre aberto e cheio de gente a divertir-se, a Casa Paroquial?.É que se esta serve para catequizar jovens e não só, mandaria o bom senso que tanta gente assim chamada a Deus aprendesse a sorrir com o voluntariado religioso e cívico da pequena trabalheira de , por turnos, manter abertos e guardados os locais de culto, quer para propiciar o descanço da alma de cristãos, quer para permitir fruir a beleza aos ateus.

E já agora Delenda China e Madeira est!

BOOMERANG III

Nos três "posts" que antecedem este, mas que tendo sido publicados antes aparecem no seu computador depois deste, eu tentava demonstrar que para além dos 60% de portugueses que segundo Medina Carreira vivem à custa do Estado, há um sem número de outros que podendo trabalhar por conta própria têm, sempre que podem - e nos últimos vinte e cinco anos puderam quase sempre -  lançar um gancho ao Estado.
Eu não falei dos meus numerosos amigos e familiares do Porto mas o que disse para os que nesta fase da minha vida em Vila do Conde convivem mais próximos de mim também se aplica aos que deixei no Porto.
Isto quer dizer que não são só os beneficiários do rendimento mínimo ( a maior parte da qual é cigana - os romani, para parecer que não sou racista ), nem os que recebem rendimentos de desemprego´( agora muito esticado ), nem os de sobrevivência, nem que são pagos a pseudo-amas, nem os que são pagos a pseudo-cuidadores de velhos incapazes de cuidar deles mesmos, etc,etc, quer dizer a classe teoricamente pobre, a única que se dependura no Estado. Não. Dependurar-se no Estado em Portugal é mas é um estado de espírito que pode demorar a passar. É por isso que os advogados meus amigos aqui referidos e muitos outros, se queixam da vida, porque são demasiado pequenos para também fazerem parte dos que vivem do Estado ( não criaram sociedades para auditar, projectar, negociar, atestar, representar os interesses do Estado ).

Vem isto a propósito de ser uma evidência que o Estado deve servir para cobrar impostos com os quais se criam as condições de soberania nacional e se homogeniza a geografia humana e e material do território: construir estradas, portos e aeroportos, pagar ao governo e sua máquina, organizar finanças, assegurar polícia, montar regras de sociabilidade através do aparelho judicial, preparar exército e desenhar uma política diplomática que defenda os interesses próprios, é função natural dos impostos. Se fôr possível dar ajuda noutras áreas muito bem, mas se não fôr, ao Estado compete o recato de, para homogeneizar território e pessoas, establecer mecanismos muito simples de homogenenização da riqueza que diminua o fosso entre classes ... e entre, sobretudo pessoas, sem nunca pretender o impossível: a igualdade ( isto faz-se através dum única taxa de IRS para todos a partir de um determinado valor de vencimentos, por exemplo).
É que meus amigos aquilo que o Estado nos mete nos bolsos, dos nossos bolsos também sai, via impostos dos mesmos bolsos mas com mais peso. Daí os títulos dos "posts": BOOMERANG. E isto é verdade como um pêro.

Hoje de manhã, dei a minha volta de bicicleta e com uma baixa-mar mais violenta que o normal por força do esvaziamento das areias das praias que este ano o mar levou, observei dois ucranianos que vieram de bicicleta até à praia vestiram fatos de mergulho e, mesmo com mar revolto por força dos ventos em redemoínho, se fizeram ao mar para apanhar percebes, mexilhão e talvez lapas. E assim ganharem a vida. Não vi portugueses a fazer o mesmo.
Dá que pensar.

Talvez tenha associado tudo isto porque o que ouço à generalidade dos portugueses é que a vida é miserável porque não há (bons ) empregos. Como se no Ocidente não tivesse terminado a noção de emprego ou carreira para toda a vida, e como se já não estivessemos com os ouvidos atulhados de avisos que durante trinta e seis anos andamos todos a gastar o que não era nosso... E não são só, nem especialmente, os pobres de bens e de espírito que mais protestam. Só que estes o fazem com mais histrionismo, (às vezes histerismo, sobretudo se houver televisão por perto) é a diferença. Os que se acham ricos de espírito protestam, afavelmente, mas de modo muito mais destrutivo, até porque era deles que se esperaria um maior discernimento.

Aqui há uns dez anos estava eu a discutir jé este tema numa festa com vários amigos. Não creio que fosse na Quaresma, mas às tantas o meu amigo Hernani que é director duma grande cadeia ( agora chama-se Establecimento Prisional ) e que tem mordomias que chegam a carro com motorista, pergunta:- Olhem lá, então porque é que há tantos funcionários públicos que são ateus?. Ao que o meu outro amigo Pedro Lopes dos Santos ( que é psicólogo) respondeu com o seu habitual sentido cáustico de humor:-" Porque não acreditam que possa haver uma vida melhor!"

  

terça-feira, 30 de março de 2010

BOOMERANG II

Há muitos anos, andava eu a escrever um diário a que chamei " Fazer Com Que Os Dias Contem", escrevi um texto sobre o chico-espertismo português que todos os dias via no consultório, com o  espanto por ninguém parecer perceber que o sufixo ismo significa o absoluto da coisa ( por exemplo, "economicismo", expressão tão em voga, significa que a econonia é vista como um valor absoluto que se justifica e auto-justifica ; ou que os ismos do salazarismo, franquismo, fascismo, estalinismo, comunismo, capitalismo,ou nazismo, são auto-justificáveis por terem sido entendidos como valores absolutos, apesar de darem no que deram).
E, resultou, das experiências dos meus doentes, o meu entendimento de que não compreendiam que um simples gesto seu junto do conjuge era um ab início e nunca um finis terra do que quer que fosse; ou seja, tudo o que fazíamos tinha consequências que, sem excepção, regressavam para, como uma onda ou um tsunami que ganhara força com o tempo, nos destruir.

Do que na altura escrevi, lembro-me da história de um paciente que era mais ou menos assim:

O senhor Ferreira, meu doente, chefe de vendas, é chamado ao director comercial da sua empresa para lhe dar um balanço das contas e respectivas expectativas de vendas.
O senhor Romero, seu director, fica feliz pela perspectiva de mostrar ao seu admininistrador directo a sua capacidade, a sua perspicácia, a sua autoridade no trabalho, e após uma semana de noites perdidas  a trabalhar nele, entrega ao seu superior um relatório a cores, muito bem batido em computador, e com gráficos de barras coloridos. O administrador diz-lhe que o deixe ficar que depois o analiza, e o senhor Romero sai a ruminar com um futuro aumento e uma promoção, feliz como um cuco. Mas, no dia seguinte, o administrador reporta ao presidente da administração os dados recolhidos, e este, com um gesto brusco e agreste, atira-lhe o relatório para as mãos dizendo:
- "Refaça-me tudo de novo. Isto é uma merda que não vale nada!".
O senhor Romero, em consequência, recebe de volta, na  secretária do chefe, o documento, e com ele na mão sai polidamente mas prestes a explodir interiormente. Se ele tivesse uma secretária teria descarregado nela a sua raiva dizendo-lhe:-" dormiu mal?, já reparou no seu ar e como se apresenta nesta empresa?, quando é que se apresenta como deve ser?". Mas sem secretária, o senhor Romero guarda consigo a raiva que vai crescendo com as horas de trabalho, de modo que quando chega a casa e dá de caras com a mulher que lhe prepara, cheia de cuidados e ternura o  seu petisco preferido, esperando-o com um sorriso largo e alma aberta, ELE ROSNA:
-"Outra vez perdiz de caça com paté!?".
A senhora Romero, lágrimas a soltarem-se-lhe dos olhos, o coração apertado e um terrível nó na garganta serve o jantar num silêncio de chumbo. O pequeno Romero júnior abre a boca para fazer uma pergunta inocente que é recebida com um CALA-TE, gritado pela mãe. A refilar por tudo e por nada, a criança acaba mais cedo o seu jantar sem comer a banana já descascada. Se ele pudesse agarraria a cauda do gato até que o bicho esperneasse. Mas como não tem gato, mete-se na cama a rogar pragas e a magicar que o tempo corre lento para ele poder abandonar aquela casa de doidos. Na manhã seguinte acorda tão furioso que só faz tropelias na escola.Tais tropelias, que a sua professora se passa dos carretos contra ele, numa fúria que cresce com o tempo em que decorre a aula.
E, quando chega a casa, a professora, mal o marido entra para almoçar, invectiva-o com os mais ignominiosos insultos porque não secara completamente os sapatos no tapete que ela mesmo nesse dia não pusera à porta.
O marido não era outro que o administrador da empresa do senhor Romero!

Vem tudo isto a propósito do que antes escrevi sobre o chico-espertismo lusitano, pecado mortal que me atrevo a acrescentar aos cinco já aqui descritos em outros "posts".
Os portugueses mostram ter um tropismo pelo abismo , assim como se o risco de estar próximo do abismo nos desse o prazer dum orgasmo ( como diria o maior avançado de sempre do futebol portugês, o portista Fernando Gomes ). E, se para sentir tal prazer, tiverem de ganhar a qualquer preço, roubar, escravizar os subordinados ou "furar" as leis cívicas por um lado, independentemente de saberem que o céu lhes vai cair na cabeça e vão ter de pagar por isso mais tarde, mesmo muito mais  caro..., estão geralmente prontos!. É isto o chico-espertismo - esse ismo que tudo absolutisa -, esse bicho verde e viscoso, que nos mata!

E a propósito Delenda China e Madeira est!


segunda-feira, 29 de março de 2010

BOOMERANG I

Acabei de ler a página que Miguel  Sousa  Tavares escreve no semanário " Expresso" e como quase sempre subscrevo a crítica que desta vez é sobretudo à indiferença e à ignorância ( já aqui por mim referida como um dos Pecados Mortais da Condição Lusitana)  da maioria dos portugueses, tipo, não sei nem quero saber e tenho ódio a quem sabe.
Só que desta vez, ele refere-se a este modo de ser - que é o da generalidade dos países europeus mediterrânicos, a propósito da ineficiencia do Estado, da incompetencia da maioria dos políticos, da obtusa exigencia dos "direitos adquiridos" dos beneficiários do Estado Providência (para  as duas últimas gerações, ou seja as pós-guerra ) ou da ignoância sobre as contas públicas. E nem querem ouvir as conquistas ao conhecimento feitos por Malthus ( no crescimento da riqueza e alimentação dos povos ), por Freud ( sobre o comportamento humano ), por Marx ( sobre a importância  dos movimentos económicos para determinar a História provável das nações ), ou de Darwin (sobre as constantes da teleologia ou finalidade do comportamento de qualquer espécie animal). O que é trágico, porque o somatório destes conhecimentos aplicado a Portugal dá como resultado um desastre que se não fosse denegado pelos portugueses podia ser combatido com vantagens inúmeras.
Neste artigo, o Miguel conta até o caso de uma manifestante grega contra o PEC grego que dizia que jamais aceitaria trabalhar além dos cinquenta anos porque tinha uma das duzentas e tal profissões que a demagogia grega resolveu classificar de "desgaste rápido". Era cabeleireira.

A questão é que à custa de slogans tipo " menos Estado, melhor Estado ", foram sendo criados  institutos, fundações, reguladores, e subsídios de todo o tipo para todo o tipo de gente da classe baixa, média-baixa, média ou média-alta, e da classe rica.

E eu, a ler o Miguel, pus-me a olhar para o lado e vi como nos domesticamos ao dono: ao Estado.
 Pus-me a fazer um balanço sobre a gente que me é mais próxima e "vi" isto: eu sou funcionário público reformado por doença e tenho pensão do Estado, a  minha mulher é aposentada do Estado, a minha ex-mulher é funcionária pública ( médica em exclusividade ), os meus sogros actuais com noventa anos são pensionistas , e o mesmo se passa com os meus ex-sogros que estão a caminho dos cem ( em ambos os casos as mulheres eram domésticas e nunca descontaram ), o meu melhor amigo é um rico industrial que ainda o ano passado recebeu ( dados ) um milhão de euros para auxílio à exportação, outro amigo íntimo é professor catedrático bem como a mulher em exclusividade para a Universidade do Porto, dois dos meus mais próximos jovens amigos de Vila do Conde são médicos e dependem directamente um e indirectamente outro do Estado, uma das mais próximas jovens amigas faz cursos tipo "Novas Oportunidades". Resta-me o meu advogado daqui de Vila do Conde e outro do Porto que são os únicos que não dependem do Estado Mafarrico, bem como um outro amigo que é jurista mas se dedica aos negócios. Até os restaurantes e cafés que frequento já se habilitaram aos célebres "cursos de formação" pagos pelo Estado.
Mas conclui ainda mais: nenhum destes amigos chegados, com excepção do jurista e do industrial produzem bens materiais; todos os restantes,incluindo eu, produzem ou produziram serviços. E os "serviços" não tiram a fome, não agasalham, não dão casa, não nos movem....

É pois isto que está em causa: há muito tempo que somos avisados que devíamos poupar e...trabalhar, fazer aquilo que alemães, holandeses,belgas e austríacos, fazem com gosto...e por isso são sempre super-avitários e não passam pela humilhação de  curvarem a espinhela à caridade alheia. Mas por cá, reina o chico-espertismo que me faz lembrar uma história:

Um antiquário do Porto, costumava calcorrear locais e lugarejos do Douro à procura de peças raras que pudessem existir nas casas agrícolas velhas ou nas casas solarengas mais ou menos abandonadas ( esta anedota foi-me contada por uma jovem velha senhora de Cinfães que volta e meia tinha que aturar estes senhores). Um dia, um destes antiquários deu de caras com a casa dum vetusto lavrador onde repousava, à porta, um vasilhame valioso da Idade Média que servia para dar de comer ao gato. Espedito, o antiquário propõe ao lavrador comprar-lhe o gato para oferecer à filha que gostava muito de animais. Acordado o preço, obteve, de imediato, o acordo do velho agricultor, mas  acrescentou:
-Já agora levo-lhe também essa tigela porque o coitado do gato está habituado a comer por ela.
- Ah! Não, recusa o lavrador. Esta tigela, como lhe chama, não a leva. Ela já me vendeu doze gatos de há um mês para cá.

E a propósito Delenda Madeira e China est!