sexta-feira, 17 de junho de 2011

A QUEM DEVEMOS.... e vai ficar a arder....

O maior investidor individual na dívida soberana portuguesa é o Banco Central Europeu (BCE) com um envolvimento de 13,3%, ou seja €21 mil milhões num total de €158 mil milhões, segundo as contas feitas pela RCB Capital Markets para o The Wall Street Journal. (Texto JNR Gráficos JPO LISWires.com)
Seguem-se na lista de principais entidades, o FMI/EU com 11,4% do total (18 mil milhões) e os bancos nacionais com 10,8% (€17 mil milhões). Os bancos alemães, franceses e espanhóis detêm a mesma percentagem, 3,8% da dívida em cada caso (6 mil milhões por cada país de origem).

No entanto, quase 49% da dívida é detida por gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais (para além do BCE), num montante de €77 mil milhões.
As situações são diferentes nos três casos de países da zona euro “intervencionados” pela troika.
VISUALIZAÇÃO DOS DETENTORES DA DÍVIDA EM PT, GR e IRL
No caso da Grécia, o principal credor é o duo FMI/EU com 15,5% do total da dívida helénica de €341 mil milhões. Seguem-se o grupo dos bancos gregos com 14,7% (é o país dos três em que a banca doméstica está mais exposta à dívida do próprio país) e o BCE com 13,8%. O conjunto dos gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais detém €151 mil milhões, ou seja 44,3%.
Finalmente, no caso irlandês, o perfil dos principais credores é uma “mistura” dos perfis português e grego: o principal credor é o duo FMI/EU com 19,5% da dívida total de €113 mil milhões e o segundo é o BCE com 16,8%. O conjunto dos gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais detém 46%, ou seja €52 mil milhões.
Troika detém 29% da dívida dos três países
No conjunto dos três países “intervencionados”, a troika (FMI/UE/BCE) detém 29% dos €612 mil milhões de dívidas soberanas da Grécia, Portugal e Irlanda.
O duo FMI/UE já aplicou €93 mil milhões e o BCE €87 mil milhões nos três países.
A troika varia a sua participação na dívida dos três países entre 36,3% para a Irlanda, 29,3% para a Grécia e 24,7% para Portugal.
Fonte original no The Wall Street Journal.

artigo censurado no "Diário de notícias "

por Sérgio Lavos


Pedro Pezarat Correia, brigadeiro do Exército e Capitão de Abril, viu um artigo de opinião ser recusado pelo Diário de Notícias. Não sabemos se pela sensibilidade do tema, se pelo conteúdo, só sabemos que não foi aceite para publicação. Antes da revolução que este militar ajudou a levantar, isto tinha um nome: censura. E em democracia, que nome terá? Fica aqui o texto na íntegra (divulgado pelo Rui Bebiano via Facebook):

PAULO PORTAS MINISTRO?

Ana Gomes provocou uma tempestade mediática com as suas declarações sobre Paulo Portas. Considero muito Ana Gomes, uma mulher de causas, frontal, corajosa, diplomata com muito relevantes serviços prestados a Portugal e à Humanidade. Confesso que me escapa alguma da sua argumentação contra Paulo Portas e não alcanço a invocação do exemplo de Strauss-Kahn. Mas estou com ela na sua conclusão: Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa. Partilho inteiramente a conclusão ainda que através de diferentes premissas. Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003. Sublinho o deliberadamente porque, não há muito tempo, num frente-a-frente televisivo, salvo erro na SICNotícias, a deputada do CDS Teresa Caeiro mostrou-se muito ofendida por Alfredo Barroso se ter referido a este caso exactamente nesses termos. A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou. Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro. Mas já não é a primeira vez que esgrimo argumentos pelo seu impedimento para funções ministeriais. Em 12 de Abril de 2002 publiquei um artigo no Diário de Notícias em que denunciava o insulto de Paulo Portas à Instituição Militar, quando classificou a morte em combate de Jonas Savimbi como um “assassinato”. Note-se que a UNITA assumiu claramente – e como tal fazendo o elogio do seu líder –, a sua morte em combate. Portas viria pouco depois dessas declarações a ser nomeado ministro e, por isso, escrevi naquele texto: «O que se estranha, porque é grave, é que o autor de tal disparate tenha sido, posteriormente, nomeado ministro da Defesa Nacional, que tutela as Forças Armadas. Para o actual ministro da Defesa Nacional, baixas em combate, de elementos combatentes, particularmente de chefes destacados, fardados e militarmente enquadrados, num cenário e teatro de guerra, em confronto com militares inimigos, também fardados e enquadrados, constituem assassinatos. Os militares portugueses sabem que, hoje, se forem enviados para cenários de guerra […] onde eventualmente se empenhem em acções que provoquem baixas, podem vir a ser considerados, pelo ministro de que dependem, como tendo participado em assassinatos. Os militares portugueses sabem que hoje, o ministro da tutela, considera as Forças Armadas uma instituição de assassinos potenciais». Mantenho integralmente o que então escrevi. Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.

Junho de 2011-06-13 PEDRO DE PEZARAT CORREIA

quarta-feira, 15 de junho de 2011

os falidos nunca fizeram guerras

A UE e o mundo

Médio Oriente

Europa sem armas face às crises

15 junho 2011 Libération Paris
Jogo de xadrez entre Anders Fogh Rasmussen (Chefe da NATO), e Bashar al-Assad (presidente sírio) interposto por Kadhafi (líder Líbio).
Jogo de xadrez entre Anders Fogh Rasmussen (Chefe da NATO), e Bashar al-Assad (presidente sírio) interposto por Kadhafi (líder Líbio).
Glez 
Envolvidos na Líbia, os europeus descobrem que não dispõem de meios à altura das suas ambições. E, sem meios militares, a Europa está condenada a não ter uma diplomacia credível, numa região que para si é estratégica. Eis o motivo por que os países europeus devem unir os seus programas de Defesa.
Foi um americano que revelou o segredo. A maioria dos países europeus não participa, por assim dizer, nas operações de apoio aéreo à insurreição na Líbia, cujo princípio aprovam, muito simplesmente porque o seu orçamento militar é demasiado limitado para que possam fazê-lo – declarou recentemente [o secretário norte-americano da Defesa] Robert Gates.
O chefe do Pentágono estava a dizer a verdade mas não toda a verdade. Os países da União [Europeia] praticamente não têm forças armadas, porque contavam com a proteção americana desde o início da guerra-fria, e, além disso, o desaparecimento da ameaça soviética levou-os a reduzir ainda mais o esforço militar. Até as grandes potências europeias, até Paris e Londres, têm capacidades de projeção extremamente reduzidas. A França e o Reino Unido podem assumir a operação líbia, mas, já envolvidos noutros terrenos, designadamente no Afeganistão, estes dois países estão a esgotar as suas reservas de munições e, sobretudo, experimentam uma situação de falta de homens e de materiais, que irá agravar-se devido às dificuldades orçamentais que experimentam.
Muito bem, excelente, dirão aqueles que, entre os europeus, consideram que os seus países não têm nada a fazer em Cabul, Misrata ou Abidjan. Contudo, para além do debate sobre a legitimidade dessas intervenções, nenhuma potência pode dispensar os meios militares, sem se condenar a si mesma a não ter existência política. Para nos fazermos ouvir e termos peso na cena internacional, é preciso termos a possibilidade de agir ou reagir. Neste começo de século, isso é especialmente verdade no caso da União Europeia, por dois motivos.
O primeiro é que, mesmo aqueles que, entre os europeus, consideram a sua dependência militar em relação aos Estados Unidos como a melhor garantia de coesão do campo ocidental foram obrigados a rever a sua posição depois de os americanos não terem levantado um dedo para apoiar a Geórgia no conflito deste país com a Rússia. Em agosto de 2008, os europeus mais atlantistas descobriram de repente que a América podia preferir a estabilização das suas relações com Moscovo a um dos seus mais fiéis aliados europeus e colocar os seus interesses à frente de uma solidariedade que aqueles julgavam inabalável.

EUA não querem financiar a defesa da Europa

A própria Polónia aderiu às ideias da política externa e de defesa comum europeia e essa viragem foi tanto mais oportuna na medida em que, a seguir, se deu o krach de Wall Street. Já decidida a não continuar a deixar que um conflito europeu de segunda ordem tivesse influência sobre o conjunto dos seus interesses internacionais, a América teve então de injetar tanto dinheiro público no salvamento da sua economia que o próprio Pentágono foi forçado a participar no esforço de ajustamento das contas federais.
Os Estados Unidos já não estão dispostos a financiar a defesa da Europa e há poucos motivos para se pensar que, um dia, voltem a estar. A mensagem de Robert Gates foi perfeitamente explícita e é isso também que se vê, hoje, no modo deliberado como os americanos deixam os europeus na primeira linha, na Líbia. Obrigados a tomar a seu cargo o essencial dessa operação, os europeus deverão comprovar agora que terão de aumentar as suas despesas militares, sobretudo porque terão de enfrentar o longo período de instabilidade que a primavera árabe desencadeou, de Rabá a Saná.
Ninguém sabe quais as consequências da loucura sanguinária do regime sírio, mas não há dúvidas de que esta gera efeitos em cadeia em toda a região, do mesmo modo que, quando se verificar, a queda do coronel Kadhafi irá modificar a paisagem do Norte de África. Tudo isto está a acontecer a curta distância da Europa, que não poderá ficar indiferente, tal como não poderá ficar imune. É esta a segunda razão pela qual os europeus não já podem deixar de pensar no financiamento da sua defesa. Contudo, num momento em que as restrições orçamentais são duras na maior parte dos países da União, em que se tornam intoleráveis na Grécia e em que poderão suscitar tensões políticas por toda a parte, seria simplesmente inconcebível tirar verbas à educação, às autarquias ou à saúde para as entregar às forças armadas. Os europeus só poderão aumentar os seus esforços militares se agruparem os meios existentes e desenvolverem programas comuns.
Foi o que começaram a fazer o Reino Unido e a França. Apesar do seu atlantismo, o próprio Reino Unido compreendeu essa necessidade, que não abrange apenas a defesa. A União Europeia deve reunir os meios dos diversos países e preparar políticas comuns. É essa a lição a retirar da observação de Robert Gates.

PLANO F - o mais provavel

O impasse é a nota dominante nas negociações no seio da União Europeia – e particularmente dentro da zona euro – sobre o novo plano de resgate para a Grécia. Uma solução de compromisso deverá ser tentada por Angela Merkel e Nicolas Sarkozi, o “diretório” da zona euro, na sexta-feira, a que se seguirá uma reunião do Eurogrupo no domingo. T
Compromisso tanto mais necessário já que os mercados financeiros estão ao rubro – o risco de default da Grécia subiu hoje para quase 77%, o de Portugal para quase 48% e o da Irlanda para mais de 47,5%, novos recordes. Espanha “sente” o contágio com um risco próximo de 22%, ainda que muito distante da situação dos outros três. Os juros das obrigações do Tesouro portuguesas a 3 anos dispararam para 13,59% e os dos títulos gregos com a mesma maturidade para 28,40%.
Uma coisa parece certa: o “plano A”, a estratégia de resgate gizada em maio do ano passado e transposta para o MoU (memorando de entendimento) da troika com Atenas, é considerada um fracasso. Em virtude desta constatação, dirigentes da zona euro começaram a falar na necessidade de adicionar um segundo pacote de resgate (um segundo empréstimo a somar aos € 110 mil milhões iniciais) com novas condições associadas. Entre as novas condições a ideia de um “envolvimento dos privados” nesse segundo pacote.
Plano B: o re-profiling com “envolvimento dos privados”
Assim surgiu o Plano B: o “envolvimento dos privados” traduzir-se-ia por uma troca de títulos gregos que vençam e que estejam na mão de bancos, fundos de pensões e seguradoras por novos títulos com um novo prazo de mais sete anos. Ou seja, com essa aceitação de um reescalonamento dos prazos da dívida, os privados ajudariam a Grécia em cerca de €30 mil milhões, segundo as estimativas. Jean-Claude Juncker, o primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças da zona euro), chamou-lhe em maio um re-profiling (um termo inexistente no léxico dos mercados financeiros e das agências de notação) da dívida e os alemães, pela voz do ministro das Finanças Wolfgang Schauble, tornaram este Plano B em doutrina oficial de “reestruturação suave”. Holandeses e austríacos apoiam esta solução, atendendo à justificação política de que não só os “contribuintes europeus deverão ser envolvidos na fatura, mas também os investidores privados”.
Mas esta solução tem colhido a oposição das agências de rating (que consideram tal mecanismo um evento de crédito seletivo, como o deixou bem claro recentemente a Standard & Poor’s, que calcula um “corte de cabelo” associado de 50 a 70% do valor facial dos investimentos dos privados), do Banco Central Europeu (BCE), da Comissão Europeia e da França, o segundo pilar do “diretório” europeu. A Moody’s avisou claramente os franceses que a notação dos seus principais bancos seria afetada dada a exposição à dívida grega e um relatório confidencial da Comissão Europeia apontava para um custo adicional desse re-profiling na ordem dos €20 mil milhões só para recapitalizar a banca grega.
Face a esta oposição, os alemães e Juncker procuram um compromisso. Steffen Kampeter, secretário de Estado de Schauble, disse ontem explicitamente que “não faremos nada que vá explicitamente contra a opinião do BCE”.
Plano C: Adaptar a Iniciativa de Viena
Pelo que os protagonistas procuram um Plano C. Uma das ideias que eventualmente poderia obter consenso seria uma solução do tipo da “Iniciativa de Viena”. Mario Draghi, o indigitado presidente do BCE depois do final do mandato de Jean-Claude Trichet em novembro, inclinou-se para esta solução como uma plataforma negociável. O comissário Olli Rehn, finlandês, falou, também, no mesmo sentido: “um acordo na base da Iniciativa de Viena, em que os bancos prolongam a duração dos seus empréstimos [à Grécia] de maneira voluntária”, ou seja uma recondução voluntária das dívidas gregas que cheguem ao seu término (ao rollover) por parte dos credores privados.
A “Iniciativa de Viena”, denominada European Bank Coordination Initiative, dirigiu-se a cinco países do leste europeu – Bósnia, Hungria, Letónia, Roménia e Sérvia – e propunha que os bancos transfronteiriços europeus e outras entidades expostas à dívida destes países conservassem a sua exposição, e não debandassem. A iniciativa foi lançada em janeiro de 2009 e pretendia evitar os erros do que ocorrera em crises da dívida nos anos 1990. Foi um programa conjunto do BERD- Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Europeu de Investimento, do Banco Mundial e da União Europeia, com o Banco Central Europeu como observador.
Curiosamente, por imposição dos finlandeses, essa condição acabou por ficar em letra de forma no MoU do plano de resgate a Portugal: “As autoridades portuguesas deverão encorajar os investidores privados a manterem a sua exposição global numa base voluntária”. Foi a primeira vez que se colocou uma condição destas nos resgates aos países da zona euro, salientam os analistas. E cuja substância pode ser mais do que simbólica – como se está a ver agora.
Plano D: Reestruturação com filhos e enteados
Mas as propostas não se ficam por aqui. Um Plano D foi apresentado esta semana por Sony Kapoor, diretor do think tank europeu Re-Define, num comentário no Financial Times a uma análise de Nouriel Roubini sobre a probabilidade de uma reestruturação em breve da dívida grega e de outros membros da zona euro.
Kapoor pensa que uma re-estruturação é inevitável e que é preferível, agora, do que em meados de 2013, como politicamente parece ser tentador, adiando por ora o problema. Mas coloca um conjunto de condições que passam pela “diferenciação dos vários grupos de credores” – em que os credores oriundos do BCE, dos veículos financeiros europeus e dos bancos gregos deveriam ser tratados “preferencialmente”. No fundo, o fardo deveria ser concentrado nos credores privados externos, nomeadamente os bancos franceses e alemães, que Kapoor acha que aguentariam o embate. O “corte de cabelo” (hair cut, no jargão financeiro) provável será na ordem dos 50% desses investimentos feitos por bancos e outros investidores privados institucionais. Mas é preferível, agora, do que depois de julho de 2013, altura em que o “corte de cabelo” deverá andar na ordem dos 75%, diz Kappor.
Para evitar o contágio aos outros, Kapoor sugere que seja introduzida no Mecanismo Europeu de Estabilização a funcionar depois de meados de 2013 uma cláusula que permita este tipo de reestruturação quando o peso da dívida pública no PIB for superior a 120% e quando o peso do serviço de dívida no PIB ultrapassar os 6%. O que, por ora, deixaria de fora, diz Kapoor, a Irlanda e Portugal.
Plano E: Eurobonds quando o tempo for oportuno
A ideia de eurobonds (e-bonds) como um novo instrumento europeu de dívida voltou a surgir esta semana no Parlamento Europeu quando o indigitado presidente do BCE, Mario Draghi, interrogado sobre o assunto, respondeu que se trata de “algo completamente legítimo de se pensar logo que haja uma união mais estreita”. Draghi acentuou que tal união é “um pré-requisito para uma divida partilhada”. Mas o banqueiro central italiano logo acrescentou que “por ora, a zona euro deverá reforçar as suas regras em vez de pensar em instituições adicionais ou mesmo em orçamentos partilhados”.
A proposta dos eurobonds foi avançada a 5 de dezembro do ano passado no Financial Times por Jean-Claude Juncker e pelo ministro de Economia e Finanças italiano Giulio Tremonti na sequência da ideia de criar uma Agência de Dívida Europeia que substituísse a Facilidade Europeia de Estabilização Financeira em 2013. O novo instrumento de dívida deveria ir substituindo progressivamente as dívidas nacionais dos estados membros da zona euro e permitiria criar um mercado de títulos, em dimensão e em liquidez, similar ao norte-americano.
A proposta foi, no entanto, imediatamente rejeitada pela chanceler Merkel e pelo presidente Sarkozy. Alguns analistas comentaram que se tratava de uma boa proposta provavelmente ainda fora do tempo. Resta saber se a crise grega a recolocará na agenda.
Plano F: Simulação de um “Jubileu” da dívida soberana na Europa
O professor inglês Anthony Evans e os colegas da Europe Business School (ESCP), em Paris, lançaram em maio como simulador para os seus estudantes a solução de um “jubileu” da dívida soberana , através de um processo de liquidação mútua das dívidas entre os membros da União Europeia, por exemplo de um modo bilateral ou mesmo tripartido.
Segundo a simulação de Evans, a dívida soberana dos 8 países estudados (Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, França, Grécia, Portugal e Reino Unido) poderia ser reduzida em 64% através do cancelamento cruzado das dívidas, baixando a dívida total em relação ao PIB de 40,47% para 14,58%. Seis países – Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, França e Reino Unido – poderiam eliminar 50% da dívida existente. A rede de cruzamentos de dívida (valores em dólares) foi publicada pelo The New York Times recentemente.
No caso português, a simulação dos cruzamentos implicaria uma redução de mais de 1/3 da dívida.
Esta simulação tem granjeado enorme interesse na blogosesfera económica.

terça-feira, 14 de junho de 2011

por dentro da diplomacia....

Monday, June 13, 2011

Live Conversation on US-China Relations between Jon Huntsman and Henry Kissinger


In his new book, On China, U.S. Secretary of State, Henry Kissinger, writes about the turbulent history of US-China relations and a fear of communism that has haunted America since FDR’s failed attempt at diplomatic ties with the Nationalist and Communist parties in 1945. Speaking about the role of the countries in current affairs, Kissinger asks, “what a culmination if, forty years later, the United States and China could merge their efforts not to shake the world but to build it.”

Beginning 12:30 (EST) on Tuesday June 14, Thomson Reuters will explore this issue in a live conversation between Sir Harold Evans, Henry Kissinger, and U.S. Ambassador to China (as well as prospective Presidential candidate), Jon Huntsman. The event will serve as the first in a series that seeks to shed insight into the uncertain relationship between the two emerging superpowers.  The second conversation in this series kicks off the following Wednesday when Paul Ingrassia, Deputy Editor-in-chief of Reueters interviews Carlos Ghosn, Chairman, CEO, and President of Nissan.

To watch the conversation please visit the Reueters YouTube channel at http://www.youtube.com/reuters. The conversation will air live at 12:30 EST on Tuesday June 14th.

os problemas internos da china resolvem-se com "inimigos" externos....

Graphic of the DaySee More

China's May Trade Balance

China’s economic troubles have given rise to increased social unrest, such as riots due to land acquisition disputes and taxi drivers’ dissatisfaction with wages.

euro ao fundo com a grécia

Crise da dívida

A Grécia pode afundar o euro

14 junho 2011 The Irish Times Dublin
Numa altura em que a Standard & Poor's dá à economia grega a mais baixa notação de crédito do mundo, o editor de Economia do Irish Times defende que, se a longa história de disfunção política e económica do país aponta o seu futuro, os outros 16 países da Zona Euro também estão em risco.

A Grécia é um Estado à beira da falência. Tem falta de coesão social e está profundamente dividida. A sua economia está em estado de choque. Se a história do país serve de guia para o seu futuro, vêm aí problemas muito sérios.
Há mais de um ano, quando a troika das instituições que atualmente supervisionam o apoio financeiro à Irlanda aterrou pela primeira vez em Atenas, havia a esperança de que o país mais mal governado da Europa desenvolvida pudesse ser colocado nos trilhos.
Um novo governo tinha então tomado posse e as suas personalidades mais destacadas pareciam sinceras acerca do empenho numa reforma radical. Muitos gregos, especialmente os jovens e as pessoas cultas que reconheciam o grau de disfuncionalidade do país, apoiaram a rutura. Falou-se muito de oportunidades em tempo de crise.
Essa conversa já não faz sentido. A crise representa agora apenas ameaças e riscos.
Sob muitos aspetos, isso não surpreende. A disfuncionalidade crónica do Estado grego há muito que se instalou. Desde a independência, há quase dois séculos, a Grécia viveu guerra civil, golpes de Estado, deslocamentos em massa de populações, ditaduras e terrorismo.
Não há melhor espelho da sua situação do que a questão que tem atraído a atenção do mundo para o país nos últimos 18 meses: o caos orçamental. De acordo com um estudo feito pelos historiadores económicos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, o Estado grego tem sido deficitário cerca de um em cada dois anos, desde que foi fundado, na década de 1820. Lutando com a segunda maior dívida pública do mundo, está de novo a enveredar por essa via.
A incapacidade do Estado grego para permanecer solvente é explicada em parte pela História. Província do Império Otomano durante séculos, a Grécia não acompanhou as grandes alterações políticas e sociais da Europa Ocidental. Uma das consequências disso é uma sociedade civil muito fraca e uma limitada tradição de instituições independentes. Os que exercem o poder político na Grécia fazem-no com um grau de absolutismo invulgar na Europa democrática.
O desencadear da crise da dívida soberana da Europa pela Grécia é disso o exemplo mais pertinente. Em países onde os limites do exercício do poder são respeitados, as estatísticas são tratadas de forma independente. Na Grécia, durante a última década, o Governo forçou o instituto nacional de estatística a publicar números altamente recriados e colocou gente de confiança a garantir que eram os que apareciam.
Após uma mudança de Governo, a extensão da fraude foi revelada no final de 2009. Durante os primeiros meses de 2010, foi-se espalhando lentamente pelo mercado de títulos que o Estado grego estava falido. Desde então, o mundo tem convivido com as consequências da crise da dívida soberana na Zona Euro.

Economia paralela

A vastidão da economia paralela da Grécia reflete não apenas a fraqueza do Estado na aplicação imparcial da lei, mas também uma falta de solidariedade social. Um estudo realizado pelo economista alemão Friedrich Schneider avalia-a em 2010 em um quarto da economia oficial grega, em 2010. Dos 21 países desenvolvidos incluídos na pesquisa, a Grécia liderava a tabela.
A venalidade na vida pública é outra razão para a falência do Estado grego. De acordo com a Trans- parency International, era o país mais corrupto da Europa desenvolvida em 2009 e o 57º do mundo no índice de corrupção da organização (a Irlanda está em 16º [numa escala crescente da incidência da corrupção]).
A corrupção é um hábito muito difícil de eliminar, uma vez instalada. Entre outras coisas, fratura a sociedade. E não faltam tensões e cicatrizes na sociedade grega. Ainda em 1974, o país era uma ditadura militar e sofria todas as injustiças tipicamente associadas a esses regimes, incluindo detenções arbitrárias, tortura e execuções sumárias.
Tudo isso veio somar-se à guerra civil da segunda metade da década de 1940, em que morreram 50.000 pessoas. Hoje, a Grécia continua a ser a sociedade mais militarizada da Europa, com despesas das mais altas do continente para a Defesa. A violência nas ruas é comum e persiste um mundo obscuro de células terroristas, embora pouco ativas nos últimos anos. Se a economia se deteriorar mais, existe o risco de alguns radicais e desesperados procurarem resposta no extremismo violento.
As probabilidades de a situação piorar são elevadas. Tensões sociais e corrupção crescente não são, em si, causa de fraqueza económica – basta ver a China e a Índia –, mas não ajudam. Infelizmente para a Grécia, mesmo que ambos os problemas desaparecessem imediatamente, não há motivos para acreditar que a corrosão económica parasse.
A Grécia exporta tão pouco que é a economia mais fechada dos 27 países que formam a UE. Uma pequena economia de pouco mais de 10 milhões de pessoas não pode nunca enriquecer sem exportar.
E nenhuma economia pode enriquecer sem inovar. O melhor indicador da capacidade de inovação de um país é o montante gasto em investigação e desenvolvimento. Na Grécia, as empresas e o Estado gastam anualmente 0,5% do PIB em investigação, menos de um terço da média da UE. Dos 15 membros mais antigos da UE, manteve constantemente os gastos mais baixos em investigação.
Há poucas razões para se ser otimista em relação à Grécia. A sua economia, política e sociedade não funcionam. Isso não é apenas muito mau para os gregos, mas também para os outros 16 países da Zona Euro. Se o país implodir, pode levar consigo ao fundo a moeda única.