sexta-feira, 8 de abril de 2011

DE QUEM É A CULPA???

Sexta-feira, Abril 08, 2011

Os amigos locais dos especuladores

Os especuladores do mercado da dívida soberana têm contado com uma preciosa ajuda das agências de rating, com as habituais “fontes anónimas” que dia sim, dia não inventaram pedidos de ajuda e como alguns opinion maker internacionais que se divertem a prever a falência de alguns países europeus ou mesmo da zona euro. Mas se não é novidade que a especulação tem os seus agentes habituais, o mais grave é que têm ganho muitos milhões à custa do país à custa de alguns amigos locais que com as suas intervenções e decisões os ajudaram a roubar muitos milhões ao país. Os especuladores têm contado com a ajuda preciosa de algumas amigos locais:

Teixeira dos Santos: os sucessivos erros de previsão, o descontrolo na intervenção no BPN para salvar os banqueiros que agora fizeram chantagem sobre o país para salvarem a sua própria pele, a incapacidade técnica de decidir em tempo úteis o que deve ser considerado despesa (submarinos, intervenção no BPN, etc), conferências de imprensa desastrosas, incompetência na determinação do momento adequado para a adopção de medidas económicas, são erros sucessivos que só ajudaram a aumentar as dúvidas sobre o país. O momento mais alto dos erros de Teixeira dos Santos foi a famosa declaração de que iria pedir ajuda quando a taxa de juro do mercado secundário atingisse os 7%, isto é, disse aos especuladores até onde poderiam ir e depois fez pior, calou-se e deixou que os mercados provocassem sucessivas subidas dos juros passando a andar a reboque dos acontecimentos.

Luís Cunha, Medina Carreira, João Duque e outros economistas: se muitos economistas portugueses, como Nogueira Leite, Miguel Beleza e muitos outros, optaram por uma postura cuidadosa e austera, outros não contiveram os seus ódios pessoais ou as suas ambições políticas e optaram por aumentar o seu protagonismo assumindo o papel de profetas da desgraça. Declarações a defender a vinda do FMI e a destruição sistemática da credibilidade do Estado e do país funcionou como adubo para os especuladores.

Soares dos Santos: deste o antigo regime que um empresário não tinha um papel político tão activo, o hiper-merceeiro do Pingo Doce parece ter criado uma fundação que serviu para pagar a algumas personalidades públicas e tem vindo a desencadear uma campanha sistemática, chegando ao ponto de usar os altifalantes das suas mercearias para como perguntas do tipo “saiba se vai ter pensão” lançar o pânico nos seus clientes.

Cavaco Silva: na campanha presidencial apelou ao voto para tranquilizar os mercados, mas no momento da vitória fez um verdadeiro pré-anúncio da crise política que confirmou de forma clara no dia da posse. O mesmo que achava que uma segunda volta prejudicava o país não parece ter hesitado em lançar a crise política, tendo sido óbvio o envolvimento de gente da sua confiança na decisão do PSD de chumbar o PEC IV e lançar a crise política.

Pedro Passos Coelho: a estratégia da actual liderança do PSD era clara, forçar um pedido de ajuda internacional para que um acordo com o FMI obrigasse o PS a aceitar o projecto político há muito defendido pelos liberais do Compromisso Portugal, despedimentos, desmontagem do Estado Social, liberalização total do mercado de trabalho, cortes nos vencimentos. Quando recuou no projecto de revisão constitucional passou a apostar tudo na crise financeira e não hesitou em derrubar o governo para que no dia seguinte passasse a pressioná-lo para pedir ajuda. Conseguido este objectivo já há vozes no PSD a defender o despedimento de funcionários públicos.

Os quatro irmãos da banca: os banqueiros do BCP, Santander, BES, BPI salvaram-se da borrasca entregando a intervenção no BPN ao Estado, recorreram aos avais do Estado quando perderam o acesso ao financiamento externo e quando as agências de rating os atingiu não hesitaram em fazer chantagem sobre o Estado. Agora querem que seja o Estado e os cidadãos a pagar uma factura elevada para que não tenham de assumir a responsabilidade por uma estratégia irresponsável de promoção do crédito ao consumo. De um lado ganharam ao comprar dívida soberana, do outro são os primeiros especuladores que recearem o risco força o Estado a pedir ajuda internacional. Salvaguardam-se e esperam que vir a ganhar com um acordo internacional de resgate que vá de encontro às suas teses liberais

ah!ah!ah!

 UMA PIADA QUE ME CHEGOU POR EMAIL

A crise política começou e Cavaco não disse nada.

O Sócrates ameaçou demitir-se e Cavaco nada disse.

O Sócrates demitiu-se mesmo e Cavaco continua sem nada dizer.

Pergunto eu, não será melhor alguém passar lá em casa a ver se está tudo bem?

Nos dias de hoje todo o cuidado é pouco com idosos sozinhos em casa.

QUANDO OS CONSELHOS DE MINISTROS ERAM UM CALVÁRIO PARA OS ARTELHOS

Oh!, graças a Deus que daqui em diante os Conselhos de ministros vão deixar de ser em pé! Consta que a pedido de Marques Mendes.


COMO O GOVERNO FOI NEGOCIANDO A AJUDA EUROPEIA LOGO APÓS O ESTÚPIDO CHUMBO DA oposição parlamentar AO CHAMDO PEC IV

quarta-feira, 6 de abril de 2011

COMME NOUS

SÓ HÁ UM CAMINHO: REESTRUTURAR A DÍVIDA !

gamei do geoscópio esta peça notabilíssima - que vai contra a corrente - e que explica porque é que o governo resistiu até ao fim ao pedido de ajuda com o FMI , tentando sempre negociar outro com a Europa através do injustamente chamado PEC IV, e que subscrevo na totalidade. Ao ponto de apostar que , se conseguir agora um empréstimo de emergência o que o governo eleito vai fazer é não repetir os erros de gregos e irlandeses ( QUE DEPOIS DA ENTRADA DO FMI CONTINUARAM A VER AS TAXAS DOS EMPRÉSTIMOS A AUMENTAR ) e reestruturar a dívida : pagando parcialmente e em prazos mais alargados. 

No dia da decisão do governo português em pedir assistência financeira a Bruxelas, o economista Ricardo Cabral sugeriu outro caminho.
[A entrevista realizou-se antes das primeiras declarações do ministro das Finanças em entrevista ao Jornal de Negócios às 18h e da declaração oficial do primeiro-ministro às 20H00 locais]
O economista Ricardo Cabral, professor do Departamento de Economia e Gestão e do Centro de Competência em Ciências Sociais da Universidade da Madeira e doutorado em Economia pela Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos, insiste em que a re-estruturação da dívida externa é a questão essencial na atual crise de risco de default que o país atravessa. Além do mais, esta opção deveria estar em carteira, face aos próprios resultados da aplicação dos programas de resgate na Grécia e na Irlanda.
Ainda hoje, o Financial Times Deutschland referia que “vários ministros das Finanças” europeus se começam a inclinar para a necessidade dessa opção no caso grego. Recorde-se que o Ecofin (conselho dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia) se reúne em Budapeste na próxima sexta-feira informalmente.
A última vez que Portugal procedeu a uma re-estruturação da dívida foi em 1892, tendo o processo de negociação demorado dez anos.
ENTREVISTA por Jorge Nascimento Rodrigues
«O programa de resposta que FEEF e FMI desenharem será desajustado da realidade portuguesa e não irá resultar, à semelhança do que está a ocorrer, aliás, com a Grécia e com a Irlanda.»
Multiplicaram-se as opiniões pedindo que o governo português recorra a auxílio externo, desde a ideia de pedidos diretos ao Fundo Monetário Internacional (como teria sido alvitrado no Conselho de Estado), de “empréstimo intercalar” da Comissão Europeia (apesar de tal figura não existir por ora), de resgate puro e simples no estilo do realizado pela Irlanda, até mesmo de empréstimo de emergência do BCE. Continua a achar que o caminho, no curto prazo, é o uso de outros instrumentos financeiros e não o recurso ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira)?
Embora nos encontremos atualmente numa situação bem mais dramática e premente, pelas razões conhecidas, é um erro recorrer à ajuda externa neste momento e espero que o governo tenha a força para perseverar neste momento difícil do país, apesar dos sucessivos obstáculos de agências de ratings e instituições europeias (BCE) que quase parecem concertados. Não pretendo aqui entrar na discussão politico-partidária em que esta questão económica infelizmente se tornou, mas é minha firme convicção que recorrer ao atual pacote de ajuda externa do FEEF/FMI é contra o interesse nacional.
Porque razão?
Por três razões: implica que o país deixa de ter a opção de re-estruturar unilateralmente a sua dívida soberana e de definir o tempo, a forma e o montante dessa re-estruturação de dívida. Essa re-estruturação de dívida é, na prática, inevitável; a taxa de juro exigida pelo FEEF/FMI é demasiado elevada e deve ser renegociada em baixa; ao aceitar essa ajuda perdemos muita da soberania sobre a política económica. O FMI, o BCE, e a Comissão Europeia não têm conhecimento suficientemente detalhado sobre as causas da crise nacional. O programa de resposta que desenharem será desajustado da realidade portuguesa e não irá resultar, à semelhança do que está a ocorrer, aliás, com a Grécia e com a Irlanda.
«A re-estruturação de dívida externa nacional é a decisão económica mais premente e mais importante de uma geração. É do interesse nacional re-estruturar a sua dívida externa.»
Em que sentido é desajustado?
As condições atuais da ajuda FEEF/FMI, determinadas em grau significativo pelos países credores, enfraquecem a posição negocial de Portugal face aos nossos parceiros europeus, alguns dos quais são simultaneamente os nossos principais credores. Ao aceitar essa “ajuda” prejudicam-se as negociações que irão ocorrer ao longo dos próximos meses e anos para definir os detalhes da re-estruturação de dívida. A re-estruturação de dívida externa nacional é a decisão económica mais premente e mais importante de uma geração. É do interesse nacional re-estruturar a sua dívida externa. Na minha perspetiva, Portugal só será capaz de voltar a ter crescimento sustentável se optar, o mais rapidamente possível, por re-estruturar a sua dívida de forma substancial, à imagem do que a Islândia fez e dos sinais que são dados pela nova liderança na Irlanda em relação à dívida do setor bancário. É porque não gostaria de ver o país a retroceder nas próximas décadas, que defendo essa tese.
Mas como pode Portugal atravessar este período pré-eleitoral com a enorme pressão sobre os juros que se faz sentir no mercado secundário da dívida?
No curto prazo o país deveria utilizar outros instrumentos financeiros que não a FEEF/FMI. Existem ainda algumas opções importantes a que se pode recorrer para responder às dificuldades de financiamento que o país enfrenta e cumprir com as obrigações financeiras nacionais no curto prazo. Essas opções não resolvem o problema do sobre-endividamento externo nacional no médio e longo prazos. Mas permitiriam ganhar algum tempo para definir a estratégia nacional de resposta à crise, negociar com os nossos parceiros europeus e com os credores e, posteriormente, implementar a legislação necessária.
No caso da Grécia tem-se referido cada vez mais insistentemente que o país terá de proceder a uma re-estruturação da sua dívida. Os juros no mercado secundário da dívida grega continuam a bater recordes mundiais e as medidas de austeridade parecem não conseguir surtir os efeitos pretendidos. No final da linha, a re-estruturação é inevitável?
Sim. A re-estruturação é inevitável. As lideranças dos governos da França e da Alemanha sabem que a re-estruturação é inevitável. O Mecanismo Europeu de Estabilização (MEE, European Stabilization Mechanism), a aplicar a partir de meados de 2013, já contempla uma série de instrumentos que irão facilitar a re-estruturação da dívida. Contudo, com o MEE, a re-estruturação da dívida será ditada por Berlim e Paris. Além disso, receio que seja demasiado pequena, prejudicando o futuro desenvolvimento do país, por limitar o capital de que necessita para se desenvolver. Com o FEEF/FMI e a MEE, os mais importantes ativos gregos irão passar para as mãos de não residentes. Alguns dos mais importantes grupos nacionais irão perder muito dos seus ativos, que passarão para grupos estrangeiros.
«Comparativamente, o subsídio que o sistema bancário português – e em resultado a economia portuguesa – recebe do BCE através do sistema financeiro é somente de 1,4% do PIB.»
No caso da Irlanda, a situação do sistema financeiro continua a ser a maior dor de cabeça, apesar do risco de default ter diminuído nestes últimos dias (estando mesmo já abaixo do risco português). Paradoxalmente, o ex-tigre Celta vê-se obrigado a quase nacionalizar todo o setor bancário e a concentrá-lo via mão do Estado. Que lições poderemos tirar do que está a ocorrer na Irlanda?
Em relação ao sistema bancário deveríamos adotar uma metodologia similar à da Irlanda, embora evitando os erros cometidos pelo anterior Governo Irlandês – esses erros foram garantir toda a dívida do sistema bancário, comprar ativos tóxicos do sistema bancário e realizar aumentos de capital com dinheiros públicos. O lado positivo da resposta adotada por esse governo é que a Irlanda está a beneficiar de um subsídio elevado do Banco Central Europeu (BCE), através do financiamento que este faz ao sistema bancário irlandês. Este subsídio do sistema bancário e da economia Irlandesa é equivalente a cerca de 6% do PIB português por ano (uma percentagem maior em relação ao PIB irlandês), se assumirmos taxas de juro médias para novo financiamento de 7% ao ano. A Grécia beneficia de um subsídio um pouco menor (4,7% do PIB português, uma percentagem menor em relação ao PIB da Grécia). Comparativamente, o subsídio que o sistema bancário português – e em resultado a economia portuguesa – recebe do BCE através do sistema financeiro é somente de 1,4% do PIB.
«É provável que vários bancos nacionais tenham de ser sujeitos a essa lei de resolução bancária e – arrisco – eventualmente nacionalizados.»
O que concretamente entende quando referiu, recentemente, que Portugal tem de criar uma lei de resolução bancária como o fez a Inglaterra?
O país deve criar com urgência uma lei de resolução bancária (ou saneamento bancário), em colaboração com os nossos parceiros europeus. Uma lei de resolução bancária é um processo de saneamento e falência controlada de bancos que reconhece o papel fundamental desempenhado pelos bancos numa economia e as características específicas de um banco. Com uma lei de resolução bancária é possível assegurar o normal funcionamento dos bancos mesmo em situação de crise bancária. Essa lei é fundamental para permitir que os bancos continuem a desempenhar a sua função crucial na economia, que é a de canalizar poupança para investimento, concedendo crédito. O sistema bancário nacional está com problemas graves devido à sua enorme dependência do exterior. O endividamento externo líquido do sistema bancário no final de 2009 era de cerca de 50% do PIB. Sem essa lei, mesmo empresas exportadoras com lucros e competitivas internacionalmente, enfrentarão restrições de financiamento agravando a já de si difícil situação económica do país. É provável que vários bancos nacionais tenham de ser sujeitos a essa lei de resolução bancária e – arrisco – eventualmente nacionalizados.
«Dadas as intervenções da Chanceler Alemã Angela Merkel e do Ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, parece-me claro que irá ocorrer uma re-estruturação de dívida a partir de 2013. Só que nos moldes definidos por Berlim e Paris, como já referi.»
A re-estruturação da dívida soberana portuguesa é também inevitável? Como pode isso ser feito, conhecida que é a oposição de quem manda realmente na zona euro, que pretende impor os mecanismos financeiros do FEEF?
Argumentei em entrevistas anteriores que a re-estruturação da dívida portuguesa é, na prática, inevitável – inevitável é uma palavra forte dado que existe eventualmente uma pequena probabilidade de outra solução no âmbito da União Europeia. Pelas propostas que têm sido apresentadas pelos mais altos representantes do governo da Alemanha, parece-me que o governo alemão tem uma estratégia definida para responder à crise de dívida soberana. O governo francês também aparenta ter uma estratégia bem preparada. Dadas as intervenções da Chanceler Alemã Angela Merkel e do Ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, parece-me claro que irá ocorrer uma re-estruturação de dívida a partir de 2013. Só que nos moldes definidos por Berlim e Paris, como já referi.
E esses “moldes” terão, em muito, o dedo, o estilo alemão?
Tem de se compreender que a estratégia típica de resposta a crises na Alemanha é a de procurar penalizar quem errou e de salvaguardar o interesse público. Por exemplo, o governo alemão exige uma taxa de juro de 9% em parte de um pacote de ajuda de cerca de €18,2 mil milhões que concedeu ao banco privado alemão Commerzbank. Se o governo alemão exige taxas destas a empresas alemãs, é provável que haja quem possa pensar que a taxa de juro exigida pelo EFSF/FMI aos países periféricos é razoável.

A TÁTICA DO SALAME

QUANDO  a seguir à segunda Grande Guerra a então União Soviética ocupou a Checoeslováquia tratou de colocar no governo o Partido Comunista. Todavia permitiu-se que outros partidos fossem criados. Nos três anos seguintes, o que sucedeu foi que o governo ( comunista ) declarou que o partido mais à direita do arco partidário era fascista. Por isso foi perseguido e destruído; ficaram os democrata -cristãos mais à direita e logo foram considerados fascistas e por isso destruídos; seguiram-se os social-democratas, e, finalmente os socialistas também considerados fascistas foram  destruídos . Aí, só restaram os comunistas. A esta técnica de despachar um a um, crismaram os politólogos com o nome da táctica do salame.

Ao ouvir a representante da RTP dizer nos PRÓS E CONTRAS que a Espanha não está em risco, acho que ela nunca ouviu falar desta táctica.

Agora uma rápida consulta na Net diz-me que depois da declaração do nosso primeiro-ministro o preço do ouro disparou no mercado mundial de 1420 para 1450 dólares a onça. E o Euro disparou também para cima, num despropósito paradoxal só justificável pelo benefício que a especulação "dos mercados " pode ter.