quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
DO PROXIMO MINISTRO DAS FINANÇAS DO PSD
por António Nogueira Leite
Portugal entra na pior crise das últimas décadas fragilizado por dez anos de crescimento anémico, fruto da sua debilidade estrutural reflectida na muito baixa produtividade e demasiada exposição face à concorrência das novas economias do alargamento, do Extremo Oriente e do Sul da Ásia: a nossa economia acumulou uma já muito elevada dívida externa, num contexto em que a poupança é baixa e as fontes primárias de poupança se encontram fragilizadas por via da descapitalização das empresas e do forte endividamento das famílias. De facto, as famílias encontram-se fortemente endividadas, função da manutenção de um elevado padrão de consumo e da aquisição de bens imóveis a crédito, enquanto as empresas portuguesas apresentam em média e generalizadamente, baixos níveis de autonomia financeira, prosseguindo uma política de endividamento muito forte em função da actividade desenvolvida e dos níveis de capitais disponibilizados pelos seus accionistas. O baixo nível de reinvestimento dos lucros tem acentuado este padrão. O resultado é uma dívida líquida ao exterior de mais de 115 por cento do pib em 2010, correspondendo a uma dívida bruta que atinge cerca de três vezes o pib e resulta num endividamento líquido do sistema financeiro português face ao exterior de cerca de 200 mil milhões de euros.
Esta situação, decorrente da falta de competitividade da economia portuguesa, da fragilidade do seu sector de bens transaccionáveis e de mais de uma década em que o consumo interno cresceu desproporcionadamente, é já hoje insustentável e vai implicar uma desalavancagem importante da economia com importantes efeitos reais. Aquela só não aconteceu ainda porque Portugal tem beneficiado dos mecanismos criados junto do Banco Central Europeu, por natureza excepcionais e temporários.
Por razões que se prendem com a necessidade de iniciar um longo e díficil caminho tendente ao reequilíbrio das contas do Estado, foi aprovado um orçamento para 2011 que contempla cortes salariais relevantes nas Administrações Públicas e nas empresas públicas. Para além de esperar que, se mantenham as condições políticas e sociais para o ajustamento e que, portanto, não se inicie uma série de excepções que desvirtuarão o processo e as condições concretas da sua aplicação generalizada no universo de influência do Estado, seria também muito útil que este sinal e esta dinâmica pudesse ser aproveitada pelo sector privado. Tanto no caso dos bens transaccionáveis como nos sectores de bens não transaccionáveis, cujos custos acabam por se repercutir no sector exposto à concorrência internacional.
Sabendo que a melhoria das condições de competitividade implica a realização de reformas estruturais que reduzam os custos de contexto e flexibilizem o emprego dos factores de produção e que aquelas demoram tempo a produzir efeitos, é claro que a economia necessita de um impulso de curto prazo que deveria passar, nomeadamente, por um ajustamento dos salários em baixa no sector privado. Terá de ser relativamente limitado dado o elevadíssimo endividamento das famílias e não é a medida ideal, nem atingir os patamares mais baixos da distribuição. Mas é, no momento actual, imprescindível. É por isso que não percebo a resistência da maioria dos nossos empresários e gestores a assumirem, também eles, o ajustamento que o governo, e bem, assumiu para o sector público.
É que as condições de financiamento da economia não dependem só do Estado. Dependem de toda a economia e cabe a todos avançar com determinação antes que as condições de financiamento se apertem definitivamente e reduzam substancialmente a margem de manobra colectiva. É agora altura de os empresários e gestores mostrarem se querem ser parte activa da solução dos gravíssimos problemas de competitividade do país ou se preferem, como tantas vezes no passado, continuar “encostados ao Estado”, atirando toda a culpa para a classe política. Estou convencido que não e que se crescerá à altura das enormes dificuldades que todos enfrentamos.
NOTICIAS DE ESPANHA
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
SERÁ QUE A ZONA EURO SE PODERÁ FRAGMENTAR ?
É pouco provável esse cenário, respondem Iain Begg, professor da London School of Economics, e Friedrich Heinemann, do Centro Investigação Económica Europeia (ZEW) alemão. Seria um desastre que não interessa a ninguém na Europa.
O facto de hoje pela primeira vez o índice geral dos títulos soberanos da Europa Ocidental monitorizado pela Markit ter ultrapassado os 200 pontos base em termos de custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida) deixou os analistas alarmados.
Sinal deste mal-estar geral, e não só centrado nos quatro “periféricos” (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha) que já são membros do “clube” dos de maior risco de default (incumprimento da dívida soberana) à escala mundial, foi outro facto relevante do dia de hoje – o disparo, durante a manhã, do risco da Itália, que ultrapassou os 250 pontos base e atingiu um risco superior a 21%, e da Bélgica, que se aproximou dos 200 pontos base e de um risco de cerca de 16%. O que dá uma imagem de um problema sistémico abrangendo uma enorme fatia da União Europeia atingindo dois países com peso crucial na zona euro, a Espanha (5º maior europeu e 9º à escala mundial em produto interno bruto) e Itália (4º maior europeu e 7º à escala mundial). Os analistas sublinham, ainda, o facto de que quer a Bélgica quer a Itália revelam problemas latentes de desagregação política.
Não admira, por isso, que esteja ao rubro o debate em torno do risco de fragmentação da zona euro em blocos ou mesmo de liquidação do euro e regresso às moedas nacionais nos seus 16 membros, à semelhança do que ocorre, por exemplo, com a maioria dos nórdicos, com o Reino Unido e com a Polónia.
O anterior presidente da poderosa Federação da Indústria Alemã (BDI) avançou com a ideia da divisão da zona euro em dois blocos, um dos do “norte” – ancorado na Alemanha, e abrangendo a Áustria, Holanda, eventualmente a Bélgica e a Finlândia – e outro com os do “sul”, cujo desenho não foi especificado. O cenário de dois blocos do euro foi difundido, também, pelo Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP).
Ouvimos sobre estes cenários dois especialistas em geografias europeias distintas – Iain Begg, investigador do Instituto Europeu da London School of Economics and Political Science, em Londres, no Reino Unido, que foi editor do Journal of Common Market Studies ligado ao estudo da integração europeia, e Friedrich Heinemann, chefe do departamento de Finanças Públicas do Centro de Investigação Económica Europeia (ZEW), em Manheim, e também professor na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Ambos concluíram sobre a “improbabilidade” de ambos os cenários – o de divisão em dois “blocos” ou o de abandono do euro
O facto de hoje pela primeira vez o índice geral dos títulos soberanos da Europa Ocidental monitorizado pela Markit ter ultrapassado os 200 pontos base em termos de custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida) deixou os analistas alarmados.
Sinal deste mal-estar geral, e não só centrado nos quatro “periféricos” (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha) que já são membros do “clube” dos de maior risco de default (incumprimento da dívida soberana) à escala mundial, foi outro facto relevante do dia de hoje – o disparo, durante a manhã, do risco da Itália, que ultrapassou os 250 pontos base e atingiu um risco superior a 21%, e da Bélgica, que se aproximou dos 200 pontos base e de um risco de cerca de 16%. O que dá uma imagem de um problema sistémico abrangendo uma enorme fatia da União Europeia atingindo dois países com peso crucial na zona euro, a Espanha (5º maior europeu e 9º à escala mundial em produto interno bruto) e Itália (4º maior europeu e 7º à escala mundial). Os analistas sublinham, ainda, o facto de que quer a Bélgica quer a Itália revelam problemas latentes de desagregação política.
Não admira, por isso, que esteja ao rubro o debate em torno do risco de fragmentação da zona euro em blocos ou mesmo de liquidação do euro e regresso às moedas nacionais nos seus 16 membros, à semelhança do que ocorre, por exemplo, com a maioria dos nórdicos, com o Reino Unido e com a Polónia.
O anterior presidente da poderosa Federação da Indústria Alemã (BDI) avançou com a ideia da divisão da zona euro em dois blocos, um dos do “norte” – ancorado na Alemanha, e abrangendo a Áustria, Holanda, eventualmente a Bélgica e a Finlândia – e outro com os do “sul”, cujo desenho não foi especificado. O cenário de dois blocos do euro foi difundido, também, pelo Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP).
Ouvimos sobre estes cenários dois especialistas em geografias europeias distintas – Iain Begg, investigador do Instituto Europeu da London School of Economics and Political Science, em Londres, no Reino Unido, que foi editor do Journal of Common Market Studies ligado ao estudo da integração europeia, e Friedrich Heinemann, chefe do departamento de Finanças Públicas do Centro de Investigação Económica Europeia (ZEW), em Manheim, e também professor na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Ambos concluíram sobre a “improbabilidade” de ambos os cenários – o de divisão em dois “blocos” ou o de abandono do euro
PPP
Em 10 de Março de 1940, na Câmara dos Comuns , no mesmo dia em que o exército nazi invadia o Ocidente ( Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França ), e na sequência da demissão de Neville Chamberlein, anterior primeiro-ministro britânico que sempre ingenuamente acreditara que nunca haveria guerra, Winston Churchil com um governo pluripartidário atrás de si fazia o célebre discurso: - "E sobre o futuro?, só posso prometer sangue , suor e lágrimas."
No último número do Expresso , Pedro Passos Coelho com aquele seu tom blasé , dá um entrevista a Clara Ferreira Alves . E que diz ele, para além de ter entrado no PSD a jogar cartas e não se afligir por os seus colegas de partido o considerarem "burro" para primeiro-ministro ? Diz que , como Churchil no fim da guerra ( altura em que Churchil até , perdeu eleições ...) ele diz aos portugueses a frase supra -citada: promessa de sangue , suor e lágrimas ( repito, segundo ele, proferida pelo inglês no fim da guerra! ).
Com tanto desconhecimento da História recente , acho que os seus colegas de partido até têm razão .
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